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As versões da agressão: mulher e polícia divergem

Ela foi até a corregedoria da Polícia Militar nesta segunda-feira (23) para prestar queixa contra o ocorrido

23 novembro 2020 - 16h58Brenda Assis

A mulher de 44 anos que foi agredida por um policial militar no dia 26 de setembro em Bonito, deu uma declaração nesta segunda-feira (23), em Campo Grande, pedindo que a justiça seja feita. Ela disse também que todo mundo tem medo do tenente que a agrediu.

Enquanto ia na corregedoria da Policia Militar, falou com os repórteres que lá estavam e disse ter sido levada até a Delegacia da Polícia Civil, onde passou 48 horas presa por desacato. Ela afirmou que só então o marido dela ficou sabendo do ocorrido, a retirando da detenção e pegando os filhos no conselho tutelar.

“Meu esposo chegou as 3h da manhã do domingo, eu já estava detida. Ele não conseguiu me ver, não deixaram. Depois ele foi e pegou as crianças no abrigo e voltou pra tentar falar comigo e me acalmar”, afirma. A vítima conta ainda como se sentiu quando as crianças foram levadas para longe dela pelo concelho tutelar. “Quando eles levaram os meus filhos, foi como se tivessem tirado minha vida. Levaram meus filhos e eu não sabia pra onde. Não sabia como. Eu me senti totalmente incapaz”, disse ela chorando.

A mulher diz ainda que os policiais não quiseram ouvir o que ela estava dizendo, eles apenas a xingavam e a agrediam. “Ele não queria me ouvir, esse foi o problema. Não me deixava falar a minha versão. Ele só me xingava de ‘puta’, só me mandava calar a boca. Ele me batia muito”, continuou.

Perguntada se na delegacia ninguém teria ouvido o que estava acontecendo, ela disse que como ele é tenente, todo mundo lá tinha medo. “A verdade é que todo mundo tem medo desse ‘tenente terror’. Se eles falassem alguma coisa, ele é tenente. Todo mundo sabe que é a lei que fala mais alto, só quem tem cargo alto manda”, afirmou.

Ao final da declaração, ela disse esperar que a justiça seja feita. “Eu espero que a justiça seja feita. Que as pessoas tenham empatia e respeito por crianças especiais”. Em uma ultima questão levantada pelos jornalistas, ela diz se sentir impotente por ter alguém que está ali para proteger, cometendo um ato de crueldade como esse. “Me sinto impotente, porque eu conheço o marido que tenho como homem, ser humano e policial. Eu acredito que na Policia Militar não deva existir pessoas despreparadas como esse tenente. Ele pode ser uma pessoa que não poderia estar ali. Espero que pessoas que como eu sofreram agressões dele façam vir à tona, porque ele precisa pagar pelo que fez, precisa ser exonerado do cargo”, finaliza ela.

O caso

Uma mulher de 44 anos, foi agredida por um 2º Tenente da Polícia Militar enquanto estava algemada em um Batalhão da PM de Bonito. O caso ocorreu no dia 26 de setembro, mas as imagens de câmeras de segurança só foram divulgadas neste domingo (22) e viralizaram nas redes sociais. A PM disse que identificou os policiais envolvidos e determinou a instauração de um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar os fatos.

Em contra ponto:

A Polícia Militar emitiu nota contradizendo a versão da mulher, sobre o tempo que teria ficado presa e sobre terem levado seus filhos para longe. Foi dito ainda que durante o julgamento de custodia, momento em que ela teria para se defender, se reservou ao direto de permanecer calada diante de todos os questionamentos.

Foi dito que ela foi presa na noite de sábado, 26 de setembro, e que no outro dia, menos de 24h depois, ela teria conseguido liberdade provisória. Ainda na delegacia, foi concedido a ela uma sala reservada para que pudesse amamentar e ficar com as crianças.

É informado também que a Policia Civil não tinha ciência das agressões cometidas pelos policiais militares, pois durante o interrogatório ela permaneceu em silencio, não manifestando ter sofrido as agressões.

Leia a nota na integra:

A Polícia Civil do Estado do Mato Grosso do Sul informa que a mulher de 44 anos vítima de agressões cometidas por Policial Militar no Batalhão da Polícia Militar de Bonito na noite de 26 de setembro de 2020 foi conduzida a Delegacia de Polícia Civil pelos policiais militares, por volta das 22 horas daquela mesma noite, tendo sido apresentada, juntamente com testemunhas, como autora dos crimes de ameaça, dano, resistência e desacato.

Diante da situação flagrancial, autoridade policial de plantão autuou a mulher em flagrante e comunicou sua prisão imediatamente ao seu marido, que se apresentou na delegacia de Bonito na manhã seguinte, dia 27 de setembro de 2020. Após determinação do Delegado de Polícia responsável pelo flagrante, a juíza fora imediatamente comunicada acerca da prisão e da condição especial da autuada – que além de ser genitora de criança com autismo, estava ainda em fase amamentação. Ademais, na delegacia, foi conferido à mulher sala separada e adequada para que pudesse amamentar a criança.

Diante destas informações, o Poder Judiciário homologou o flagrante e decretou a liberdade provisória da autuada, que fora colocada em liberdade às 18h51min do dia 27 de setembro de 2020 (conforme documentos anexos aos autos), isto é, menos de 24 horas após sua prisão.

A Polícia Civil informa, ainda, que não tinha ciência de que a mulher havia sido agredida por Policiais Militares no quartel da polícia militar, sendo que tais fatos apenas chegaram ao conhecimento da Polícia Judiciária após a divulgação do vídeo da câmera de segurança pela imprensa. Em seu interrogatório, que é também um ato de defesa de pessoas presas em flagrante, a mulher manifestou o desejo de permanecer em silêncio em todos os questionamentos, não trazendo à tona as informações acerca das agressões sofridas.

Como órgão de polícia judiciária, que tem por função a investigação de crimes e identificação de sua autoria, a Polícia Civil não compactua com nenhum tipo de violência e acredita que, respeitadas as atribuições legais, todos os delitos devem ser investigados e os responsáveis devem ser julgados seguindo todos os preceitos legais e respeitando o contraditório e a ampla defesa.

senar janeiro21

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