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Denúncia expõe homem se masturbando e médico por assédio em UPA de Campo Grande

O caso foi encaminhado e está sob análise do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS)

20 janeiro 2026 - 08h36Vinícius Santos

Chegou ao conhecimento do Ministério Público (MPMS) uma denúncia grave envolvendo episódios de importunação sexual, omissão de vigilância e assédio durante atendimento médico na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Santa Mônica, em Campo Grande.

JD1 Notícias teve acesso ao conteúdo da denúncia, assinada por “Mulheres Vítimas”, que relata fatos ocorridos durante a noite entre os dias 07 e 08 de janeiro de 2026.

Segundo a denúncia, enquanto mulheres aguardavam atendimento na unidade de saúde da Capital, um homem adentrou o local visivelmente alterado e passou a importunar sexualmente as pacientes no saguão. Conforme o relato, o indivíduo colocou a mão dentro das calças e passou a se masturbar na frente das mulheres.

Ainda de acordo com o documento, o guarda ou vigilante da UPA Santa Mônica estava visivelmente dormindo no momento do ocorrido. O homem que se masturbava foi confrontado por uma das mulheres, ocasião em que o barulho teria despertado o vigilante, que saiu do quarto em que descansava. 

Mesmo assim, nenhuma providência foi adotada. O denunciado fugiu correndo, sem que houvesse abordagem, registro da ocorrência ou acionamento das autoridades. A denúncia afirma que a situação ficou ainda mais grave quando, já durante o atendimento médico, um médico passou a assediar as pacientes, proferindo frases de duplo sentido, como: “você gosta de picada”. 

Conforme o texto, o profissional demonstrou ciência da gravidade de sua conduta ao afirmar: “melhor eu parar senão daqui a pouco me pegam por assédio”. Além disso, ao tomar conhecimento do episódio ocorrido no saguão da unidade — envolvendo o homem que se masturbou diante das mulheres — o médico teria declarado: “até dá pra entender ele ter feito isso, bonita como você é”.

No inteiro teor, a denúncia protocolada no MPMS registra:

“Três homens em atitudes que reforçam a vulnerabilidade da mulher em nossa sociedade. A falta de pudor em se masturbar na frente das mulheres em um posto de saúde, o desdém e omissão do guarda do local e, além de tudo, um médico assediador promovem a certeza da impunidade. As condutas foram praticadas no contexto de violência de gênero, em razão da condição do sexo feminino.”

O documento aponta possível omissão funcional por parte do guarda ou vigilante, caso seja funcionário público ou agente vinculado ao serviço público de saúde, por deixar de agir diante de crime praticado em sua presença, violando o dever legal de proteção aos usuários do estabelecimento. 

A omissão, segundo a denúncia, se agrava pelo fato de o agente estar dormindo durante o turno de trabalho, quando deveria zelar pela segurança dos pacientes da unidade de saúde de Campo Grande.

Em relação ao médico, a denúncia sustenta que ele praticou, em tese, o crime de importunação sexual, previsto no artigo 215-A do Código Penal, ao proferir frases de cunho libidinoso durante o atendimento. A conduta teria sido praticada no exercício da profissão, em situação de vulnerabilidade das vítimas, que buscavam atendimento de saúde, além de naturalizar a violência sexual praticada pelo homem que se masturbou na UPA.

Ainda segundo o documento, além da responsabilidade penal, o profissional deveria responder perante o Conselho Regional de Medicina, por violação ao Código de Ética Médica.

Ao final, as denunciantes requerem a adoção de todas as medidas legais cabíveis para a responsabilização dos envolvidos, considerando o contexto de violência de gênero em que os fatos teriam ocorrido. O caso está agora sob análise do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Outro lado — A reportagem procurou a Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) para obter posicionamento oficial sobre as denúncias envolvendo a UPA Santa Mônica, mas até o momento não houve resposta. O espaço permanece aberto para manifestação e o texto pode ser atualizado assim que houver retorno da pasta.

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