As denúncias de agressões a um fotojornalista canadense e sua esposa, antropóloga brasileira e um engenheiro florestal brasileiro na tarde de quarta-feira (22), em uma comunidade indígena em Iguatemi foram confirmadas pela Defensoria Pública da União (DPU).
O casal contou que se dirigia para essa área com o objetivo de fazer fotojornalismo e imagens para um documentário sobre a comunidade indígena Guarani Kaiowá.
De acordo com os relatos, os três estiveram no evento Aty Guassu, em Caarapó, e, depois, seguiram para Iguatemi em companhia de um indígena que também participou do evento. O indígena foi deixado na companhia da esposa e o grupo retomou a estrada para Iguatemi. Neste momento, os três encontraram uma guarnição da polícia de fronteira (DOF), mas, segundo eles, não foram alertados sobre a situação de conflitos na região.
Já na estrada, o grupo viu no entroncamento rural da Rodovia 295 que liga com a Rodovia 386, uma barreira com muitos veículos tipo caminhonete e pessoas armadas e encapuzadas, foi quando ouviram a recomendação para deixarem o local.
Eles tentaram voltar ao veículo, mas foram impedidos. O casal passou a ser agredido fisicamente, com maior contundência no homem, e xingados por várias pessoas. Ambos foram jogados ao chão, receberam chutes e socos, sofreram violência verbal, com insultos como “vadia” e “vagabunda” dirigidos à mulher. Os agressores estavam armados com armas de fogo e facas e eram muitos. Estavam descontrolados e muito nervosos. O jornalista relatou que teve os cabelos cortados com uma faca por um dos agressores.
Enquanto as vítimas eram agredidas, os autores pegaram seus objetos pessoais que estavam no interior do carro. Em dado momento, conseguiram sair do local e foram procurar ajuda em Amambai.
Uma defensora pública federal esteve com as vítimas numa aldeia, aonde chegaram bastante assustadas, com lesões, e narrando que haviam sido agredidas por seguranças privados.
A Defensoria Pública da União (DPU) acompanhou as vítimas à Delegacia de Polícia Civil em Amambai para registro da ocorrência que foi encaminhado à Polícia Federal de Naviraí, em razão do crime ter ocorrido em contexto de disputa de terras envolvendo comunidades indígenas da região de Iguatemi. Por entender se tratar de demanda que abarca direitos dos povos originários, a Delegacia de Amambai declinou da atribuição investigativa em favor da Polícia Federal.
Violência contra indígenas Guarani Kaiowá
A DPU informa que, na manhã daquele dia (22), havia encaminhado ofício à Delegacia de Amambai, solicitando diligências para verificar denúncias recebidas pela instituição sobre agressões à comunidade indígena Guarani Kaiowá. Seguranças privados estariam efetuando disparos com armas de fogo nesta região, onde acontece a retomada da Fazenda Maringá.
Na noite do mesmo dia 22, a Polícia Federal de Naviraí e a Força Nacional efetuaram diligências nessa região e efetuaram a prisão em flagrante de um produtor rural por encontrarem munição em sua residência
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Divulgação/DPU 



