Há seis anos à frente do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), a delegada Ana Cláudia Medina soma 26 anos de carreira na Polícia Civil de Mato Grosso do Sul defendendo que o enfrentamento ao crime organizado exige estratégia, preparo técnico e integração institucional. Para ela, liderança, técnica e capacidade de decisão não têm gênero.
Com atuação voltada ao combate à corrupção e às organizações criminosas, Medina define o trabalho como uma missão de alta complexidade. Segundo a delegada, o crime organizado opera com estrutura empresarial, inteligência financeira e mecanismos sofisticados de ocultação patrimonial.
“Não se trata de enfrentamento pontual, mas de desarticulação estrutural. São investigações que exigem planejamento de longo prazo, análise qualificada de dados, rastreamento de ativos e cooperação interinstitucional”, afirma.
Ela destaca que o avanço nas investigações depende da atuação integrada entre forças de segurança, Ministério Público, Judiciário e órgãos de controle. “Integração não é apenas compartilhar dados, é alinhar estratégias, padronizar fluxos e evitar sobreposição de esforços. O crime organizado atua em rede. O Estado também precisa atuar de forma coordenada.”
Ao falar sobre a presença feminina na segurança pública, Medina afirma que a participação das mulheres deixou de ser exceção e se consolidou como força técnica nas áreas de investigação e comando.
“A atividade policial exige preparo técnico, tomada de decisão sob pressão, inteligência emocional e liderança, atributos que não pertencem a um gênero específico. O que defendemos é um ambiente meritocrático, com acesso igualitário à capacitação e às funções estratégicas”.
Para ela, a melhor forma de construir autoridade é por meio da entrega de resultados. “Autoridade não se impõe pelo tom, mas pela coerência, conhecimento técnico e responsabilidade. O respeito vem do trabalho.”
A delegada também ressalta que a ampliação da presença feminina em cargos de chefia representa maturidade institucional. “Diversidade amplia perspectivas e fortalece a tomada de decisão. Mais do que mudar a forma de liderar, amplia-se a qualidade da liderança.”
Ao deixar uma mensagem às mulheres que desejam seguir carreira na segurança pública, Medina é direta: “Segurança pública é vocação aliada a preparo. Exige disciplina, estudo contínuo e responsabilidade. Não se trata de ocupar um espaço por ser mulher, mas de ocupar pelo mérito e pela capacidade.”
E reforça o lema que carrega ao longo da trajetória na Polícia Civil. “Uns podem mas não querem, outros querem mas não podem... nós queremos e podemos”, conclui.
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Com atuação voltada ao combate à corrupção e às organizações criminosas, Medina define o trabalho como uma missão de alta complexidade (Foto: Dyego Queiroz)


