Menu
Menu
Busca quinta, 05 de março de 2026
Gov Dá para chegar lá - Fev25
Política

Deputados criticam tentativa de votar projeto de lei que anistiaria caixa 2

21 setembro 2016 - 08h27Agência Brasil

Um dia após o mal-estar causado pela tentativa de aprovar um projeto de lei que poderia anistiar a prática de caixa 2, o mistério sobre o teor da matéria continuou ontem (20) na Câmara dos Deputados. A proposta foi incluída na pauta no decorrer da sessão, convocada para apreciar medidas provisórias e para auxiliar no quórum da sessão do Congresso Nacional que iria finalizar a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) para 2017.

A intenção era votar uma emenda aglutinativa ao Projeto de Lei 1210/2007, que originalmente trata sobre as pesquisas eleitorais, a propaganda eleitoral, o financiamento de campanha e criminaliza o uso de recursos de campanha eleitoral não contabilizados legalmente, o chamado caixa 2.

A inclusão da proposta na pauta causou revolta. Alguns deputados viram na medida uma manobra para aprovar a anistia ao caixa 2. O entendimento é que se houver a criminalização do caixa 2 a partir de agora, a lei não pode retroagir em desfavor dos já acusados pela prática. Desta forma, todas as ações de caixa 2 praticadas antes da lei entrar em vigor estariam automaticamente anistiadas.

“Não quero impedir outros assuntos de serem analisados na sessão, mas quero atrapalhar essa história de anistia de caixa 2, que é crime”, criticou o deputado Miro Teixeira (Rede-RJ) durante a sessão de ontem (19). “Não é tolerável propor uma medida como essa sem nenhuma discussão. Isso é desrespeitar os deputados.”

Na tarde desta terça-feira, questionado sobre o ocorrido, o primeiro-secretário da Casa, Beto Mansur (PRB-SP), que presidia os trabalhos, disse que não partiu dele a decisão de pautar a matéria. “Fui solicitado pelo presidente [Rodrigo Maia] para que estivesse aqui na segunda-feira para tocar os trabalhos”, disse. “Quem pauta projetos na Casa é o presidente da Casa com o colégio de líderes”, afirmou.

A proposta teria sido costurada por lideranças partidárias com a participação do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), desde a semana passada. Mas, até a noite dessa segunda-feira, sequer havia sido incluída na pauta, sem que os deputados soubessem o teor e quem relataria o texto, e fazendo com que a tentativa de votação fosse classificada como “golpe”.

Mansur disse que recebeu o texto do secretário da Mesa, Wagner Padilha, durante a sessão. “Esse projeto, especificamente, não estava na pauta que foi distribuída no final de semana”. Segundo Mansur, diante dos protestos, ele chegou a suspender a sessão e tentou costurar um acordo com a participação dos líderes partidários.

“Os líderes quase que todos, com exceção da Rede e do Psol, quase a totalidade dos líderes, estavam presentes na reunião na sala do deputado Waldir Maranhão [PP-MA, primeiro vice-presidente da Câmara, mas que está exercendo a presidência]. Eu cheguei lá e disse que eu precisava saber quem relataria o projeto e que precisava do substitutivo para colocar na pauta e reiniciar a sessão”, contou.

Mansur disse que desconhecia o conteúdo do substitutivo. Questionado sobre quem estaria à frente da iniciativa, o deputado respondeu que a pergunta deveria ser feita ao presidente da Câmara e aos líderes partidários. “Durante a reunião na sala da presidência, a quase totalidade dos líderes concordou com a matéria. Estava se discutindo o substitutivo, mas eu não entrei no mérito do substitutivo porque eu estava conduzindo os trabalhos”, afirmou.

Paternidade da proposta

O líder do PPS, Rubens Bueno (PR) disse que não participou da reunião de líderes. Bueno chamou o episódio de “lambança” e criticou o fato de até o momento ninguém ter assumido a “paternidade” da proposta. “Ninguém apareceu para dizer que participou de articulação, de reunião, que ajudou a fazer o texto que nem apareceu. Só apareceu o relator [Aelton Freitas (PR-MG)] que estaria aguardando o texto que não chegou ao plenário para ser votado”, ironizou.

O líder do PMDB, partido com a maior bancada da Câmara, Baleia Rossi (SP) disse que foi pego de surpresa com a iniciativa e que também desconhecia a proposta que seria votada. “Não tive nenhum conhecimento, não tive nenhum contato com esse possível texto.”

Rossi também disse ser contrário a aprovação de anistia ao caixa 2. “Não acredito que a anistia é algo possível e razoável”, afirmou. “Acho que o melhor resultado foi a retirada da pauta, já que não houve uma discussão anterior e nem o conhecimento do texto nós tivemos”, acrescentou.

Dez medidas

A criminalização do caixa 2 está sendo debatida em uma comissão especial que analisa um projeto sobre dez medidas de combate à corrupção (PL 4850/16). Hoje de manhã, o relator da comissão, Onix Lorenzoni (DEM-RS), disse achar estranho a proposta não ter sido levada para debate na comissão.

Lorenzoni chamou de manobra a tentativa de votação em plenário. “Nessas condições não contem com meu voto, não contem com nenhuma manifestação favorável minha, porque este tema é extremamente sensível e deve estar no bojo das dez medidas contra a corrupção. Nós temos um compromisso que vamos honrar”, disse.

O deputado prometeu apresentar seu parecer na comissão especial na última semana de outubro, para que seja votado na primeira na semana de novembro pelo colegiado. A expectativa é que o plenário analise a proposta nas duas últimas semanas de novembro.

Reportar Erro
Unimed Seu Sim Muda Tudo - Mar26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Advogado de Sérgio Assis se posiciona sobre operação Agro-Fantasma: "Meu cliente não foi preso"
Política
Advogado de Sérgio Assis se posiciona sobre operação Agro-Fantasma: "Meu cliente não foi preso"
Tereza Cristina foi relatora
Política
Senado aprova acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia
VÍDEO: 'MS não tem espaço para esquerda', diz Flávio Bolsonaro em encontro com Riedel
Política
VÍDEO: 'MS não tem espaço para esquerda', diz Flávio Bolsonaro em encontro com Riedel
Lula, atual presidente do Brasil
Política
Lula faz apelo à paz, condena corrida armamentista e critica ONU
Parte dos deputados que integram a Comissão de Constituição, Justiça e Redação
Política
Presidentes da CCJR e Comissão de Saúde são reconduzidos na Assembleia
Nikolas Ferreira, a influenciadora Jey Reis, Mariel Batista e o pastor Guilherme Batista, da Lagoinha em outubro de 2022
Política
Nikolas Ferreira usou avião ligado a dono do Banco Master em campanha de 2022
Lula esteve em agenda em São Paulo
Política
Lula propõe negociação entre patrões, empregados e governo sobre fim da 6x1
Douglas Alves Mandu - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Polícia
Pastor acusado de estupro pede para deixar Conselho de Ética de Pastores de Campo Grande
Câmara Municipal de Campo Grande
Política
Migração de plataforma deixará site da Câmara fora do ar em Campo Grande
Sessão na ALEMS
Política
ALEMS vota projeto de combate ao racismo religioso

Mais Lidas

UPA Universitário, onde aconteceu o caso
Polícia
Menina de 9 anos morre em UPA de Campo Grande
Cadeia pública - Foto: Ilustrativa / Reprodução
Polícia
Policiais presos em cadeia na Capital enfrentam riscos em contato com detentos comuns
Douglas Alves Mandu - Foto: Reprodução / Redes Sociais
Justiça
Justiça nega medida protetiva a menina que denunciou estupro de pastor em Campo Grande
Depac Cepol, em Campo Grande, onde o caso foi registrado
Polícia
Adolescentes matam aula para encontrar homem e são abusadas sexualmente em Campo Grande