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Política

Maia diz que é preciso votar rapidamente denúncia contra Temer

07 julho 2017 - 09h41Agência Brasil

O presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), defendeu nesta quinta-feira (6) que o Congresso defina rapidamente se aceita ou não a denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção passiva, apresentada pela Procuradoria-Geral da República. "Minha vontade pessoal é que a gente deva encerrar este assunto assim que sair da Comissão de Constituição e Justiça - o Brasil não pode ficar parado com o parecer da Comissão de Constituição e Justiça até o mês de agosto", disse, em entrevista à imprensa brasileira, em Buenos Aires.

Maia desembarcou na capital argentina, na quinta-feira (6), junto com mais quatro deputados brasileiros, para participar do Primeiro Fórum Parlamentar sobre Relações Internacionais e Diplomacia Parlamentar. Ele negou que tenha saído do Brasil para evitar ter que assumir o lugar de Temer, durante a sua viagem à Alemanha, onde participará da reunião do G-20 (grupo formado pelas 19 maiores economias do mundo mais a União Europeia). Segundo Maia, a participação dele no evento na Argentina já tinha sido acertada há mais de um mês.

"Tenho o maior orgulho de sentar na cadeira da Presidência da República em qualquer momento”, disse Maia. Ele disse que pretende continuar na presidência da Câmara trabalhando pela aprovação das reformas até 2018. Na avaliação de Maia, Temer terá o apoio parlamentar necessário para evitar ser julgado e se manter no cargo.

Cabe ao plenário da Câmara dos Deputados votar o relatório que será apresentado pela Comissão de Constituição e Justiça e decidir se a denúncia contra Temer será aceita ou não. O presidente precisa garantir 172 votos para evitar o julgamento. Maia não quis comentar o que faria caso Temer fosse derrotado na Câmara e tivesse que assumir seu lugar.

"Para que a gente possa colaborar com a democracia brasileira e a estabilidade no Brasil, essa é uma análise que eu não acho prudente. O presidente Michel Temer tem uma base de apoio grande", disse. "Claro que não é uma votação fácil, mas a probabilidade maior é que ele vença essa denúncia. Acho que o passo seguinte não deve ser avaliado, a não ser que ele ocorra".

Reformas

Maia insistiu na necessidade de "votar a denúncia rápido" para seguir adiante com a votação das reformas trabalhista, da Previdência e do sistema tributário e mudanças na legislação na área de segurança pública, mas ele disse que existe a possibilidade da Comissão de Constituição e Justiça só concluir seu trabalho no dia 17 de julho, quando começa o recesso parlamentar. Neste caso, a votação seria na primeira semana de agosto - a não ser que o plenário da Câmara dos Deputados aceite votar durante o recesso.

Segundo Maia, Temer, ao contrário da ex-presidente Dilma Rousseff ", tem uma boa relação com os parlamentares, o que fortalece a posição do governo, mas muitos dos 380 deputados ainda não manifestaram a sua opinião abertamente, contribuindo para o clima de indefinição.

Maia disse que deve a Temer o fato de hoje ocupar a presidência da Câmara dos Deputados. "Eu sei reconhecer aqueles que me colocaram na posição em que estou - o presidente Temer foi fundamental na minha segunda eleição", disse. Segundo Maia, seu papel agora é "liderar as reformas" no Congresso e ser "árbitro" nas denúncias.

Momento difícil

Para o presidente da Câmara, "o momento do Brasil, independente do resultado da votação, é um momento difícil", e acrescentou que é preciso ter "tranquilidade" para ajudar o país a sair da crise.

Em Buenos Aires, onde ficam até sábado, os parlamentares brasileiros terão a oportunidade de discutir com colegas argentinos e uruguaios o ataque ao Parlamento venezuelano, ocorrido na quarta-feira (5), quando dezenas de simpatizantes do presidente Nicolas Maduro invadiram o prédio, armados de pedras e morteiros. Eles golpearam parlamentares da oposição, funcionários da Casa e jornalistas.

Maia manifestou preocupação em relação à falta de independência dos três Poderes na Venezuela, mas disse que o Brasil não enviaria uma missão parlamentar ao país, porque sua segurança não estaria garantida.

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