O Senado iniciará o segundo semestre legislativo com um difícil desafio pela frente: ajudar estados e municípios a superar a crise financeira, que tem prejudicado a população e levado setores essenciais como saúde, segurança e educação ao colapso. As soluções apresentadas não são simples, nem consensuais.
Um dos projetos a serem analisados pelos senadores, com repercussão direta nos entes federados, é a Proposta de Emenda à Constituição 143/2015, do senador Dalirio Beber (PSDB-SC), que permite aos governadores e prefeitos aplicar em outros setores parte dos recursos hoje atrelados a áreas específicas, como saúde, educação, tecnologia e pesquisa.
A ideia é desvincular as receitas tal como já acontece por meio do mecanismo da Desvinculação de Receitas da União (DRU). A PEC está pronta para votação em segundo turno no Plenário e, quando foi votada em primeiro turno, levantou divergências. Os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Reguffe (sem partido-DF) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP), por exemplo, são contrários.
— A vinculação teve origem na vontade do legislador de aumentar recursos em áreas prioritárias no gasto público. Antes, os gestores não gastavam o mínimo digno nesses setores. Temos um orçamento que gasta muito nas atividades-meio do Estado e pouco nas atividades-fim. A vinculação teve como objetivo garantir um percentual mínimo. Por isso sou contra a proposta — argumentou Reguffe.
Os senadores José Pimentel (PT-CE) e Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), por sua vez, são favoráveis à PEC, assim como o relator Romero Jucá (PMDB-RR).
— A desvinculação é possível, e o dinheiro pode chegar sim à educação, à saúde ou a qualquer outra coisa a critério do governante, da Câmara de Vereadores ou da Assembleia Legislativa, conforme o orçamento. O que se está tirando é o engessamento que, muitas vezes, obriga a se gastar em educação no município que perdeu população educacional e não permite se gastar em saúde no município com crescimento do número de idosos. Isso gera hoje uma distorção de gastos — defendeu.
Reajustes
Outra proposta que afeta os cofres estaduais e municipais é o PLC 27/2016, que reajusta os subsídios dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e, consequentemente, o teto do funcionalismo público.
O efeito cascata ocorre porque os vencimentos do STF servem de limite para todas as esferas do funcionalismo e já causa preocupação entre os senadores. A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) é uma das que já se manifestaram sobre o tema no Plenário e nas comissões.
— Acho muito ruim aumentarmos o teto do Judiciário. Quando estamos numa situação como esta, temos que proteger os que ganham menos; não os que ganham mais. Quem ganha mais segura as pontas. Se pegarmos só o Supremo, o impacto é pequeno. Claro que é. Mas significa aumentar automaticamente os deputados estaduais, Judiciário estadual, Ministério Público estadual, vereadores, Tribunais de Contas — afirmou.
O relator José Maranhão (PMDB-PB) se manifestou a favor do reajuste, mas o senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES) já tem voto em separado contra a iniciativa. O projeto está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) e deve ser votado em agosto.
Fundos
Já a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) vai ter a tarefa de analisar o PLS 222/2011, do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que obriga a União a prestar apoio financeiro, por meio de transferências complementares, aos Fundos de Participação dos Municípios (FPM) e dos Estados (FPE) e também aos Fundos de Desenvolvimento Regional.
Aécio Neves alega que houve forte aumento da carga tributária no país ao longo dos anos, mas os governos estaduais e municipais ficaram para trás, “com as migalhas dos recursos públicos”. Por isso, o projeto prevê mecanismo que garanta repasses adicionais sempre que houver ampliação da receita federal.
Dinheiro em falta
O Rio de Janeiro é um dos estados que estão em situação mais difícil, a ponto de o governador em exercício, Francisco Dornelles, ter decretado estado de calamidade pública em meados de junho. O governo fluminense alega que os problemas financeiros foram causados principalmente pela queda na arrecadação do ICMS, principal imposto estadual, e dos royalties do petróleo.
O resultado, além de um déficit previsto de R$ 19 bilhões para 2016, são atrasos nos pagamentos dos salários do funcionalismo público, obras paralisadas, serviços em situação precária e fornecedores sem receber nas mais diferentes áreas.
Para que as Olimpíadas não sejam prejudicadas, o presidente interino Michel Temer editou a MP 734/2016, com apoio financeiro de R$ 2,9 bilhões da União ao Rio, para auxílio nas despesas com segurança pública. O texto está na comissão mista, sob a relatoria do senador Eduardo Lopes (PRB-RJ).
Problemas financeiros afetam também outros estados considerados fortes economicamente, como Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que não têm conseguido garantir o pagamento dos servidores públicos em dia e apresentam alto nível de endividamento. Ambos reclamam do pequeno crescimento da receita, do avanço expressivo das despesas e da queda significativa nos repasses federais.
Propostas aprovadas
No primeiro semestre deste ano, propostas de interesse de governadores e prefeitos foram aprovadas pelo Senado, como a atualização do Supersimples (PLC 125/2015); novo regime de pagamento de precatórios (PEC 159/2015); e o limite de custos dos legislativos estaduais (PEC 30/2014).municípios sem apresentação das devidas fontes de receita.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Eduardo Bolsonaro não comparece a interrogatório no Supremo

Com brecha no regimento, Assembleia mantém blocos e evita nova divisão

TSE troca comando e terá Nunes Marques na presidência

CPI do Crime Organizado expõe falhas no sistema de monitoramento das fronteiras

Câmara vota projeto que cria política de atenção ao diabetes na Capital

Deputados analisam três projetos em sessão desta terça na Assembleia

Vídeo: "Orem por mim", diz Tiago Vargas ao colocar tornozeleira após condenação

Conselho de Ética avalia representações contra Pollon

Péter Magyar é eleito primeiro-ministro da Hungria e encerra era de 16 anos de Viktor Orbán







