A Prefeitura de Campo Grande avança no discurso de privatização da saúde e projeto deve ser votado nesta terça-feira (5) na Câmara Municipal, enquanto enfrenta problemas na execução de contratos já terceirizados, com indícios de descumprimento sem aplicação de penalidades e questionamentos sobre o uso de recursos públicos.
Relatório técnico do Conselho Municipal de Saúde aponta falhas na execução do contrato com a Produserv, empresa responsável pelos serviços de limpeza e higienização nas unidades da rede municipal. O documento indica déficit de profissionais, falta de insumos básicos e irregularidades recorrentes em diversas unidades.
De acordo com o levantamento, foram analisadas 78 unidades de saúde, com presença de 108 profissionais, quando o mínimo estimado seria de 189. Na prática, isso representa um déficit de pelo menos 81 trabalhadores, com 60 unidades apresentando falta de pessoal.
Além da redução no efetivo, o relatório aponta problemas como ausência de equipamentos, falta de materiais de limpeza, demora na reposição e até uso inadequado de produtos, o que compromete a qualidade do serviço e a segurança sanitária das unidades.
Mesmo diante das falhas, há indícios de que o contrato continua sendo pago integralmente. O documento destaca que avaliações negativas não estariam impactando os repasses, apesar de o contrato prever mecanismos de medição de desempenho e multas em caso de descumprimento.
O contrato da Produserv prevê fornecimento contínuo de materiais e estoque mínimo para 30 dias nas unidades de saúde, justamente para evitar interrupções. O edital também estabelece multa de 0,2% ao dia sobre o valor mensal em caso de falta de insumos por mais de três horas. Apesar disso, profissionais relataram demora de cerca de 15 dias na reposição, prazo incompatível com a exigência contratual. Se aplicada a regra, o descumprimento geraria multa de 3% sobre o valor mensal. Considerando o contrato estimado em R$ 34.471.062,93, a multa pelo descumprimento poderia chegar a aproximadamente R$ 1,03 milhão.
Outro ponto levantado é que o contrato passou por aditivos e teve aumento de valor ao longo do tempo, mesmo com as irregularidades apontadas. Dados citados no relatório indicam pagamentos superiores a R$ 36 milhões em 2025.
Há relatos de fornecedores que não estariam recebendo, enquanto o contrato principal segue sendo quitado sem descontos ou penalidades aplicadas.
Nos bastidores, o movimento é visto como contraditório, já que problemas em contratos terceirizados atuais levantam dúvidas sobre a capacidade de controle e fiscalização do poder público.
CPI
Recentemente ocorreu a reprovação do balanço da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) referente a 2024 pelo Conselho Municipal de Saúde. A decisão foi motivada, entre outros fatores, pelo apontamento de desvio de finalidade de cerca de R$ 156 milhões do Fundo Municipal de Saúde
O vereador Maicon Nogueira afirmou que deve assinar o pedido de CPI da Saúde na Câmara Municipal para investigar o uso de recursos públicos na Sesau. Segundo ele, caso a comissão não avance, a intenção é protocolar uma CPI específica para apurar o contrato da Produserv.
Em tom crítico, o parlamentar questionou a execução do contrato milionário da terceirizada. “O contrato prevê 100% de efetividade, foi pago integralmente, mas a realidade nas unidades é outra. Faltam mais de 80 funcionários e o município continua pagando”, disse.
Maicon também apontou problemas como falta de insumos e falhas na limpeza. “Eu fui eleito para fiscalizar. Se essa CPI não vingar, vou protocolar uma investigação específica da Produserv”, afirmou.
Reportar ErroDeixe seu Comentário
Leia Também

Butantan vai produzir vacina nacional contra chikungunya

Três pessoas morrem em cruzeiro em meio a possível surto de hantavírus

Hospital de Câncer Alfredo Abrão recebe equipamento de radioterapia de mais de R$ 10 milhões

Tecnologia desenvolvida em MS ganha destaque nacional na saúde pública

Dourados confirma 9ª morte por chikungunya em meio a surto da doença

Humap promove campanha por higienização das mãos no dia 5 de maio

HIV/Aids causou mais de 50 mortes em Campo Grande em 2025, aponta MPMS

Entre idas e vindas na UPA, porteira aciona Justiça para garantir internação em UTI

Baixa adesão à vacina contra chikungunya preocupa autoridades em Dourados

Imagens do relatório do CMS 


