A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (18), uma nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga fraudes em descontos aplicados sobre aposentadorias e pensões do INSS. A ação cumpriu 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva, autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e executados em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Durante as diligências, foram apreendidos veículos de luxo, relógios, dinheiro em espécie ainda não contabilizado e armas, entre elas pistola, carabina e fuzil.
Entre os presos está o secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, que já atuou como assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA). Ele teve a prisão preventiva decretada, a ser cumprida em regime domiciliar. Também foi preso Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que está detido desde setembro. Outro alvo da operação foi Éric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, preso desde novembro.
No centro da apuração está o senador Weverton Rocha, líder do PDT no Senado e um dos vice-líderes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Polícia Federal aponta o parlamentar como suspeito de ser o beneficiário final e sócio oculto do esquema investigado. Segundo os investigadores, ele teria recebido “recursos ou benefícios por meio de interpostas pessoas, alguns seus assessores parlamentares”.
Com base nesses indícios, a PF solicitou a prisão preventiva do senador, mas o pedido foi negado pelo relator do inquérito no STF. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou contra a medida. Na decisão, o ministro André Mendonça afirmou que, embora existam “fortes indícios” do envolvimento de Weverton, não estão presentes os requisitos para a prisão neste momento. “A Polícia Federal apresenta fortes indícios do seu envolvimento. Contudo, assiste razão ao MPF quando opina pelo descabimento da decretação da prisão preventiva”, escreveu.
A PGR avaliou que o conjunto probatório apresentado até agora está “assentado em inferências ainda não consolidadas”. Para o órgão, “não se demonstrou vínculo direto entre o parlamentar e a execução das condutas ilícitas, nem recebimento de valores ilícitos”. O parecer ressalta ainda que a narrativa policial apresenta inconsistências ao alternar a atribuição de liderança direta do esquema ao senador e, em outros momentos, apenas influência política.
Durante a operação, a residência de Weverton Rocha em Brasília foi alvo de busca e apreensão, mas não houve diligências no gabinete parlamentar no Senado. Em nota, o senador informou que recebeu a ação “com surpresa” e afirmou que, “com serenidade, se coloca à disposição para esclarecer quaisquer dúvidas assim que tiver acesso integral à decisão”.
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O senador Weverton Rocha (PDT-MA) (Jefferson Rudy/Agência Senado)



