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Economia

Consumo cresce em abril, impulsionado por duráveis e renda

Baixa nos preços e mercado de trabalho ajudam, mas cenário ainda é de cautela

05 maio 2026 - 12h50Da redação, com assessoria

O levantamento da intenção de consumo feito pela CNC no mês de abril mostra que o Momento para Compra de Duráveis, saltou 2,5% na comparação mensal e expressivos 18,8% em relação a abril de 2025. Embora o índice para este setor ainda se encontre em nível pessimista (74,0 pontos), a trajetória é de franca recuperação.

Essa melhora é sustentada por uma dinâmica de preços favorável. No mês de março, itens como eletrodomésticos (-0,15%) e veículos (-0,05%) registraram queda dos preços. No acumulado de 12 meses, a deflação em eletrodomésticos chega a 7,19%, contrastando com a inflação geral de 4,14% no período. Além disso, a valorização do câmbio tem reduzido os custos de bens importados ou com componentes globais.

“Para que esse otimismo seja duradouro, é necessário mantermos o compromisso com o equilíbrio fiscal e a segurança jurídica, permitindo uma flexibilização do crédito que impulsione o setor terciário. Esperamos que o Desenrola seja a primeira das medidas por parte dos agentes públicos para devolver poder de compra ao consumidor brasileiro “, pondera o presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

Mercado de trabalho e renda
A pesquisa aponta que todos os sete componentes da ICF apresentaram alta em abril. A Renda Atual cresceu 1,3% no mês, com alta anual de 1,8%. No campo do emprego, a Perspectiva Profissional avançou 2% frente a março, sinalizando otimismo futuro, apesar de o indicador ainda apresenta queda de 5,4% na comparação anual.

O Emprego Atual avançou 0,8% no mês, mantendo-se estável em relação ao ano passado (-0,3%). Segundo a análise técnica, embora o mercado de trabalho siga em patamar favorável, há sinais de acomodação na margem, o que justifica a cautela das famílias quanto à evolução futura do emprego.

Famílias com renda menor estão mais confiantes
O dinamismo do consumo em abril foi mais acentuado entre as famílias de menor poder aquisitivo. Para o grupo com renda de até 10 salários mínimos, a ICF cresceu 1,3% no mês e 3,7% no ano. Já para as famílias com renda superior a 10 salários, a alta mensal foi de 1,2%, com variação anual de 1,3%.

A economista da CNC Catarina Carneiro pondera sobre essa peculiaridade entre as camadas socioeconômicas: “O fôlego extra para as famílias de menor renda é explicado pelo diferencial inflacionário: o INPC, que mede o consumo de 1 a 5 salários mínimos, acumulou alta de 3,77% em 12 meses até março, ficando abaixo do IPCA geral para os outros públicos”.

Cenário de juros
Apesar da sequência de altas, a CNC destaca que o nível de consumo atual (91,6 pontos) permanece abaixo da zona de satisfação de 100 pontos. Isso reflete um ambiente econômico ainda restritivo, onde as taxas de juros elevadas continuam a limitar decisões de consumo mais imediatas, mesmo com o mercado de trabalho resiliente e a renda em alta.

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