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'Mineirazo'? Felipão minimiza fantasma, mas elogia Uruguai

26 junho 2013 - 11h13Via Globo Esporte
Parece ter virado lei. Sempre que Brasil e Uruguai se enfrentam, alguém lembra da final da Copa do Mundo de 1950, vencida por 2 a 1, de virada, pela Celeste no Maracanã. Um fantasma que chama a atenção não apenas de brasileiros e uruguaios, mas também de jornalistas europeus. Na coletiva de Luiz Felipe Scolari nesta terça-feira, véspera da semifinal da Copa das Confederações no Mineirão, um repórter inglês quis saber do técnico como esse trauma poderia afetar a Seleção. Felipão contou até três e respondeu com bom humor.

– Não sei, eu nem era nascido em 1950. Nasci em 1964 – disse o treinador, que, na verdade, nasceu em 1948.

Depois da brincadeira, ele explicou.

– Não afeta nosso psicológico. Aconteceu uma derrota. Num jogo de futebol, uma das equipes tem que vencer. Naquela oportunidade, o Uruguai foi melhor. Na Copa América, o Uruguai também foi melhor. Mas não tem nada de psicológico, nada que influencie para quarta-feira.

Felipão fez questão de ressaltar a força da equipe uruguaia, principalmente do trio ofensivo formado por Edison Cavani, Diego Forlán e Luis Suárez.

- Conheço o (técnico Óscar) Tabárez de muitos anos, sei a forma como ele trabalha. Você vê o Cavani, que foi máximo goleador dos últimos dois ou três anos na Itália (pelo Napoli), o Forlán, melhor jogador da Copa do Mundo de 2010, o Suárez, eleito o melhor da Liga da Inglaterra... É um time de muita qualidade, que tem jogado junto desde a Copa de 2010 – disse Felipão, que ainda citou Lugano e Arévalo Rios como destaques da equipe celeste.

Para o treinador, o Uruguai está em evolução após um começo irregular nas eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2014. Os uruguaios ocupam a quinta posição no torneio, com 16 pontos, cinco a menos que o Chile, quarto colocado. Só os quatro primeiros garantem vaga de forma direta. O quinto jogará uma repescagem com o vencedor do duelo entre Jordânia e Uzbequistão.

– Antes de chegar à Copa das Confederações, o Uruguai disputou um jogo decisivo na Venezuela. Tinha de vencer, foi lá e venceu. Hoje, ganhar da Venezuela não é como há cinco, seis anos. Passando pela Venezuela, reconquistaram a confiança. E quando voltam com a confiança, aumentam a dificuldade pra nós – disse Felipão.

Com tanta rivalidade em campo, Felipão espera um jogo duro, mas não desleal.

– É um clássico sul-americano de tradição. Será um jogo bem disputado, no qual uma disputa qualquer pode dar uma conotação (de violência), mas não será diferente do jogo contra a Itália, por exemplo. Foi muito forte. Contra o México também foi muito disputado. Se formos jogar com os argentinos, também será assim. É clássico.

'O que aconteceu em 1950 é incomparável', diz Tabárez
Para o técnico do Uruguai, Oscar Tabárez, a equipe campeã mundial em 1950 não tem comparação. Na opinião do comandante da Celeste, a única coincidência com aquela época é que todos nasceram no mesmo país.

– O que aconteceu em 1950 é incomparável. Temos aquele time num altar. Nada do que fizermos no futuro poderá ser comparado àquilo. Foi algo grandioso, nem tanto por ter vencido o Brasil, porque as duas seleções estavam no mesmo nível, mas por ter sido naquelas condições, com 200 mil pessoas no estádio. Mas o mundo mudou – analisou.

Tabárez afirmou ainda que foi a partir do "Maracanazo" que o Brasil conseguiu se reestruturar para conquistar o primeiro título mundial, em 1958, e assim construir sua trajetória de vitórias.

- Hoje é o país pentacampeão. O esporte é coletivo, no qual o fraco sempre tem uma chance. Devo esclarecer que não nos sentimos fracos, não é isso, mas estatisticamente o Brasil tem vantagem. Sabemos tudo sobre 1950, mas na hora de competir deixamos isso de lado – disse.

A bola rola para Brasil e Uruguai às 16h (de Brasília), no Mineirão, pela semifinal da Copa das Confederações. Em caso de empate, haverá prorrogação com dois tempos de 15 minutos. Persistindo a igualdade, decisão por pênaltis.

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