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Acordo cria curso voltado para atendimento à mulher em situação de violência

Curso online vai orientar profissionais da saúde no atendimento às mulheres violentadas no Estado

04 outubro 2017 - 12h09Da redação com Assesoria

Direcionado a todos os profissionais de saúde do Estado, foi lançado nessa terça-feira (03), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), o curso de Educação a Distância (EaD) “Atenção à Mulher em Situação de Violência” que terá como objetivo qualificar profissionais que atuam na rede de atendimento dos municípios em diversas áreas. O curso, que será disponibilizado no site do Telessaúde, integra o projeto “EmPENHAd@as pela Saúde” onde são desenvolvidas ações em defesa da mulher.

De forma gratuita, as aulas estarão disponíveis no site do Telessaúde (núcleo MS), a partir do dia 15 de outubro. Serão quatro módulos, cada um com três aulas, que irão abordar os diversos aspectos da violência contra a mulher, como rede de atendimento, violência sexual, as boas práticas no parto, atendimento da assistencial social, além de aspectos jurídicos, psicológicos e sociais da violência de gênero.

O curso de EaD é uma iniciativa do Tribunal de Justiça, por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde (SES), a Subsecretaria de Políticas Públicas para as Mulheres, a Escola Jurídica de Mato Grosso do Sul (Ejud/TJMS), Superintendência Geral de Gestão do Trabalho e Educação da Saúde, além da Maternidade Cândido Mariano.

As instituições assinaram um Termo de Colaboração em uma solenidade onde o secretário de Estado de Saúde, Nelson Tavares, representou o governador Reinaldo Azambuja.

Dados

A cada dois minutos são registrados cinco espancamentos de mulheres no Brasil, segundo a coordenadora estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, a juíza Jacqueline Machado.

“Esses números a gente reduz com educação, se reduz com parcerias e projetos, mas não só com repressão. A repressão é necessária, a responsabilização é necessária, mas a educação tem papel fundamental. O curso vem para atender esse objetivo, que é educar, orientar os profissionais de saúde que atendem a mulher violentada, para que esse profissional possa realmente entender as especificidades desse tipo de violência e dar o atendimento mais adequado”, disse.

“Os dados apresentados são lamentáveis, mas são verdadeiros. A obrigação da subsecretaria é articular os órgãos de combate com a sociedade civil, com as outras pastas, com o sistema de justiça e segurança. O objetivo é ampliar, qualificar e humanizar o serviço de saúde oferecido às mulheres em situação de violência”, afirmou a subsecretária de Políticas Públicas para Mulheres, Luciana Azambuja.

Para a ex-secretaria nacional de Enfrentamento da Violência Contra as Mulheres, Aparecida Gonçalves, o curso de EaD vai facilitar o acesso de profissionais e também da sociedade civil que tiver interesse.

“Um dos desafios do enfrentamento da violência contra as mulheres é saber como atender , é saber o que fazer nos casos de violência, o que muitas vezes inviabiliza os atendimentos. O curso vai ajudar os profissionais a fazer um bom atendimento e com isso garantir que as mulheres não fujam do serviço. O grande desafio é fazer com que essas mulheres que sofrem violência continuem no serviço público para receber atendimento e ter a sua autoestima recuperada”, afirmou Aparecida.

Durante o lançamento do curso, a superintendente geral de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde – Telessaúde, Maria de Fátima Meingberg Cheade, afirmou que é preciso discutir o processo de trabalho do profissional da saúde que, muitas vezes, faz o primeiro contato com a mulher violentada.

“O acordo de cooperação visa a criação e viabilização do curso de Atuação à Mulher em Situação de Violência, que objetiva discutir a atenção no atendimento às mulheres que estão em situação de violência, seus direitos, suas dificuldades, os aspectos sociais e psíquicos dessa violência, além das boas práticas e a rede de atendimento”.

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). A taxa de feminicídios é de 4,8 para 100 mil mulheres. Em 10 anos, de 2003 a 2013, o número de assassinatos de mulheres negras cresceu 54%, saltando vertiginosamente de 1864 para 2875 casos, segundo o Mapa da Violência publicado em 2015.

A cada 1 hora e meia uma mulher morre no Brasil, vitima de violência, a cada 11 minutos um estupro acontece e a cada dois minutos cinco espancamentos são registrados. “Isso tudo deságua no judiciário, deságua na saúde. Precisamos unir esforços e combater o que já virou uma pandemia”, disse a juíza.

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