Uma denúncia de abuso sexual e estupro envolvendo membros de uma igreja em Campo Grande, aponta líderes de célula, pastores e toda uma congregação que estariam impondo regime de silêncio às vítimas.
De acordo com uma das supostas vítimas que enviou seu relato ao JD1 Notícias, os casos de abuso/estupro são de conhecimento da igreja El Shaddai. "[Mas] são tratados como erros e as vítimas são induzidas a não denunciar, para não comprometer a congregação. Toda diretoria da Igreja sabe (inclusive, existem delegados e pessoas MP, que fazem parte da igreja, por isso o temor em fazer a denúncia, tanto minha quanto de outros que são vítima", contou.
A denunciante, que não será identificada, contou ainda que um líder de célula de jovens de uma das sedes da IES, que tem como pastor e chefia direta um vereador, chegou a ser afastado após ser flagrado abusando sexualmente dos discípulos, todos adolescentes ou jovens adultos. "Usando da posição de liderança, deixava os meninos nus para sessões de cura e libertação, entre outras práticas não ortodoxas. e com mais de um dos meninos. A diretoria da igreja afastou o líder, mas não denunciou, impondo regime de silêncio"
O relato ainda traz o caso onde uma adolescente de 15 anos teria confessado na frente de várias pessoas da igreja, o abuso que sofreu e conduta foi tratada como espiritual, na ocasião, o abusador, irmão do pastor de uma das sedes, foi expulso, no entanto, a ordem é sigilo absoluto.
Outros pontos da denúncia, é a omissão de atitude frente a tais atos, que são tratados como desvio de caráter, influência do demônio ou devaneios adolescentes, ao invés de ações criminosas. "A igreja tem pessoas de destaque e grande prestígio na cidade. Mas ao agirem dessa forma, ao invés de tratar o problema, protegem os próprios. Talvez as vítimas queiram falar, mas o medo e a lei da mordaça imperam", escreveu.
Igreja
O JD1 Notícias entrou em contato com a diretoria e liderança geral da igreja. O pastor da sede da Mata do Jacinto, vereador Papy, cujo discípulo foi citado, afirma que o homem foi afastado das funções e a família foi orientada a denunciar. "E o único caso a nós relatado, a vítima e seus pais preferiram não denunciar. Porém sem nenhuma influência da igreja ou de mim. Ao contrário", escreveu.
Já no caso envolvendo o irmão de um outro pastor, Papy afirma que a confissão não foi feita na frente de várias pessoas e sim em particular e a mãe da adolescente também foi orientada e fez a denúncia aos órgãos competentes.
"Nossa posição oficial é sempre afastar das funções, acolher a vítima e sua família em todas áreas, mas a denúncia é oferecida sempre para vítima. Mas a instituição estatutariamente não responde solidariamente com ações cometidas por seus membros. Isso é importante. Em todos os casos que envolvem crimes e não só pecado, a igreja oferece a possibilidade de denúncia oficial, porque nós não podemos julgar e nem agir nestes casos", alegou.
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