Mulheres bonitas na passarela, música boa, jurados criteriosos e uma torcida animada, ingredientes que contribuem para o sucesso de um concurso de beleza não faltaram também no Miss Primavera 2016, realizado na manhã desta sexta-feira (28), e que elegeu a mais bela reeducanda do Estabelecimento Penal Feminino Irmã Irma Zorzi (EPFIIZ), na Capital.
Em novembro acontece a etapa estadual do concurso, o Miss Penitenciária, promovido pela Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), que reunirá as demais eleitas nos outros presídios femininos do Estado.
Em sua 14ª edição, o Miss Primavera EPFIIZ reuniu nove candidatas que, além da beleza, levaram para a passarela a esperança de a vida dar uma segunda chance para escreveram uma nova história longe do crime.
Com decoração e organização impecáveis, o presídio foi transformado em um espaço digno dos três meses de preparação e dedicação por parte da direção, equipe de servidoras penitenciárias, e, até mesmo, das detentas, que trabalharam desde a confecção das roupas usadas pelas misses até o encerramento do evento.
“O Miss Primavera é muito mais que um concurso de beleza, é um conjunto de esforços que integra todo o presídio em prol de algo tão positivo, todos os detalhes são pensados, existe todo um empenho por parte de todos para que seja um sucesso”, destacou a diretora do EPFIIZ, Mari Jane Boleti Carrilho. “É também uma forma de integrarmos à sociedade em prol da ressocialização, já que temos muitos colaboradores que abraçaram a causa e nos ajudam todos os anos a tornar realidade este momento tão bonito”, completou.
O corpo de jurados foi formado por autoridades, empresários colaboradores, colunista social e, até mesmo, gente famosa como a ex-BBB Priscila Pires e o Mister MS, Geraldo Moreira. “Avaliei principalmente o que cada candidata passou pela expressão do olhar, a forma que conseguiu prender minha atenção”, revelou a Mariana Machado, atual dona do título de mais bela de Campo Grande, outra celebridade que também compôs o júri.
As reeducandas desfilaram nos trajes primaveril (short jeans, meia arrastão e tops cropped), banho (maiô e canga) e gala (vestido longo). Todas receberam cuidados especiais nos cabelos, pela equipe do cabeleireiro Marcos Rogério, que desenvolve o projeto de Mãos Dadas na unidade prisional, e maquiagem de profissionais da Tracta.
Além do desfile, as candidatas apresentaram coreografias, ensaiadas por servidoras penitenciárias, arrancando aplausos dos jurados e da plateia.
A grande campeã deste ano foi a reeducanda Gabriela Antunes, de 20 anos está presa há 8 meses por homicídio. Já com a faixa e coroa, Gabriela revelou que momento serviu para refletir sobre sua vida e escolhas. “Fiquei refletindo sobre a minha vida inteira, sobre o lugar onde eu estou, não precisava disso, foi um momento de muita fúria, no calor da emoção eu fiz o que eu fiz, e, em poucas horas, eu destruí minha vida, mas estou pagando pelo que eu fiz, pretendo sair pra rua regenerada”, declarou.
Sobre a preparação para o concurso, a vencedora revelou que “retocou” o tom loiro nos cabelos “e nada mais”. “Também já tinha experiência como modelo, pois já fiz propaganda, e isso me deu mais segurança”, disse. Ela também agradeceu à dedicação da equipe do presídio. “Eles fazem muitas coisas pra gente, pra nossa melhoria. “Agradeceu, dedicando o título a diretora e servidoras da unidade. “Estão sempre nos ajudando”, disse. “Ah! Também dedico à minha mãe querida”, completou, finalizando a entrevista com a frase: “tudo no tempo de Deus”.
A segunda colocada, foi a mineira Juliana Keli, de 18 anos, presa por tráfico de entorpecentes, quando estava, segundo ela, a passeio pela Capital sul-mato-grossense. “Vim com uma amiga e encontraram droga na casa em que eu estava, me misturei com pessoas erradas e agora estou aqui, tinha recém feito 18 anos”, contou. Sobre o desfile, ela garantiu que “é um momento de alegria e de liberdade”. “Também nos faz acreditar que nem tudo é para sempre, e que eu posso mostrar pra minha mãe que não vou dar mais ser motivo de decepção para ela”, afirmou.
Experiente no Miss Primavera, a interna Adelaine Silva, 22 anos, conquistou a 3ª colocação; esta foi a segunda fez que participou da disputa. “No ano passado não ganhei nada, mas essa conquista é uma demonstração que a gente não pode desistir de nada, que é importante insistir no que a gente deseja”, declarou.
O diretor-presidente da Agepen, Ailton Stropa Garcia, avaliou o concurso como um meio de ressocialização. “É um estimulo para elas”, afirmou. Por isso, segundo Stropa, a Agepen institui o concurso no calendário oficial de eventos da instituição, tanto as etapas municipais, que acontecem no mês de setembro, como o Miss Penitenciária, em novembro.
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