A Câmara dos Deputados da Argentina aprovou, na quinta-feira (12), o projeto que reduz a maioridade penal de 16 para 14 anos. A proposta permite que adolescentes a partir dessa idade sejam julgados e cumpram medidas de privação de liberdade, que poderão ocorrer em casa, em instituições abertas ou especializadas, ou em alas separadas de penitenciárias.
O texto prevê que, em casos de penas de até três anos, a prisão possa ser substituída por medidas como proibição de contato com a vítima, restrição de frequentar determinados locais, impedimento de sair do país, prestação de serviços comunitários, monitoramento eletrônico e reparação de danos.
Além das punições, o projeto estabelece medidas complementares, como acompanhamento por equipe multidisciplinar, participação em programas educacionais para conclusão dos estudos obrigatórios, capacitação profissional e ações voltadas à reinserção social.
Se a proposta se tornar lei, a pena máxima para adolescentes será de 15 anos, com possibilidade de liberdade condicional após o cumprimento de dois terços da sentença.
O governo do presidente Javier Milei comemorou a aprovação. Em nota, a Casa Rosada afirmou que jovens de 14 anos têm consciência da gravidade de seus atos e que a mudança atende às vítimas. Durante a votação, familiares de vítimas de crimes cometidos por menores se manifestaram em frente ao Congresso pedindo a redução da idade penal.
Atualmente, menores de 16 anos não podem ser julgados criminalmente na Argentina, embora possam ser encaminhados a instituições especializadas por decisão judicial. O advogado Julian Axat, ex-defensor penal juvenil, criticou a proposta e considerou excessiva a pena máxima de 15 anos, afirmando que a medida prioriza o castigo em vez da ressocialização.
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