O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, informou que o governo norte-americano classificou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como "Terroristas Globais Especialmente Designados".
Conforme nota do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o órgão afirmou que está designando o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGTs) e pretende enquadrar ambos como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTOs), com vigência a partir de 5 de junho de 2026.
O comunicado aponta que o CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Segundo o texto, os grupos comandam milhares de integrantes e teriam orquestrado ataques contra policiais, funcionários públicos e civis brasileiros, além de manterem atuação com redes ilícitas que ultrapassam as fronteiras brasileiras.
Ainda de acordo com o Departamento de Estado, o governo dos Estados Unidos afirma que continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger sua segurança nacional, com foco no combate ao tráfico de drogas ilícitas e na interrupção de fluxos financeiros ligados a organizações criminosas.
O texto informa que as medidas estão em conformidade com a seção 219 da Lei de Imigração e Nacionalidade e com a Ordem Executiva 13224, e que as designações de Organizações Terroristas Estrangeiras passam a valer após publicação no Diário Oficial Federal dos Estados Unidos.
Em publicação na rede social X, Marco Rubio afirmou: "O Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Sua atuação se estende por toda a nossa região e por todo o país. Hoje, designei essas organizações como Organizações Terroristas Estrangeiras e Especialmente Designadas."
O que acontece agora?
Em um cenário mais extremo, os Estados Unidos poderiam utilizar esse argumento como base para eventual condução de operações militares no Brasil, situação que, segundo o texto, já ocorreu em outros países.
Ao g1, o coordenador do curso de Pós-Graduação em Política e Relações Internacionais da FESPSP, Alexandre Coelho, avaliou que a classificação das facções como FTO pode gerar uma série de consequências.
Entre os principais efeitos apontados estão o congelamento de ativos em jurisdições conectadas ao sistema financeiro internacional, a ampliação de sanções a empresas do país de origem que estejam eventualmente envolvidas com as organizações e pedidos de maior cooperação judicial e policial com autoridades norte-americanas.
Para Coelho, esse enquadramento também amplia a capacidade de atuação extraterritorial dos Estados Unidos em investigações e em mecanismos de repressão financeira ligados às organizações criminosas.
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Insígnia de facção em MS - Foto: Reprodução / PCMS 



