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Internacional

Israel ataca centro de Beirute em uma expansão da guerra

Foi um dos ataques mais intensos na capital libanesa

18 março 2026 - 12h05Vinicius Costa, com informações da Agência Brasil

Aviões de guerra israelenses atingiram o centro de Beirute na madrugada desta quarta-feira (18), destruindo prédios de apartamentos em alguns dos ataques aéreos mais intensos no centro da capital libanesa em décadas, uma expansão da guerra de Estados Unidos (EUA) e Israel contra o Irã.

Um dia depois de matar o poderoso chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, após a morte do líder supremo Ali  Khamenei no primeiro dia da guerra, Israel disse que havia matado outra autoridade importante, o ministro da Inteligência Esmail Khatib.

O Irã confirmou a morte de Larijani e retaliou, disparando mísseis com várias ogivas contra Israel que, segundo as autoridades israelenses, mataram duas pessoas perto de Tel Aviv.

Teerã disse que a morte das autoridades não prejudicaria suas operações. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, afirmou que os Estados Unidos e Israel não conseguiram entender que a República Islâmica é um sistema político sólido que não depende de um único indivíduo.

Quase três semanas após o início do conflito, há poucos sinais de redução da escalada. Uma interrupção sem precedentes no fornecimento global de energia elevou os riscos políticos para o presidente dos EUA, Donald Trump. Os preços do diesel no país subiram hoje acima de US$ 5 o galão, pela primeira vez desde o aumento da inflação de 2022 que corroeu o apoio ao seu antecessor Joe Biden.

Israel intensificou os ataques ao Líbano e uma ofensiva terrestre no sul em busca do grupo Hezbollah, apoiado pelo Irã, que disparou na fronteira em solidariedade a Teerã.

O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, rejeitou as propostas transmitidas a Teerã por países intermediários para diminuir a escalada do conflito, dizendo que os Estados Unidos e Israel devem primeiro ser "colocados de joelhos", de acordo com uma autoridade iraniana que pediu para não ser identificada.

Piores ataques - No distrito de Bachoura, no centro de Beirute, Israel alertou os moradores para que deixassem um prédio que, segundo ele, era usado pelo Hezbollah e que foi completamente destruído. O vídeo de uma testemunha, verificado pela Reuters, mostrou a estrutura se desfazendo em poeira quando foi atingida ao amanhecer. Mais tarde, os bombeiros subiram em vasta pilha de escombros fumegantes.

Abu Khalil, que mora na área, disse que ajudou as pessoas a fugirem das casas próximas no início da manhã, após o aviso israelense.

"É apenas uma operação para ferir, aterrorizar as pessoas, aterrorizar as crianças", declarou ele à Reuters, insistindo que não havia alvos militares nas proximidades.

Nenhum aviso semelhante foi dado para os ataques que atingiram prédios de apartamentos em dois outros distritos centrais, matando pelo menos dez pessoas, de acordo com as autoridades libanesas. A fumaça saía da varanda de um prédio, enquanto os moradores varriam os destroços da rua, cercados por carros destruídos.

Embora Israel esteja atacando há dias os subúrbios do sul de Beirute, controlados pelo Hezbollah, os últimos ataques foram um dos piores a atingir as partes centrais da capital em décadas.

Dentro de Israel, um míssil iraniano abriu uma cratera na calçada e incendiou carros em uma área residencial de Holon, ao sul de Tel Aviv.

"Houve um alarme, entramos no abrigo e ouvimos um estrondo louco", disse a moradora Leah Palteal à Reuters. "Quando nos permitiram sair, vimos fogo, descemos as escadas e vimos que tudo estava explodindo."

Israel também lançou um ataque terrestre no sul do Líbano. O o país reconheceu, nesta quarta-feira, que suas tropas haviam disparado de um tanque contra uma base da ONU, uma semana após o início da guerra, ferindo três soldados de paz de Gana, o que, segundo o país, foi um erro.

Aumenta número de vítimas - Autoridades libanesas afirmam que 900 pessoas foram mortas no país e 800 mil foram forçadas a fugir de suas casas. O grupo iraniano de Direitos Humanos HRANA, sediado nos EUA, disse na segunda-feira (16) que mais de 3 mil pessoas foram mortas no Irã desde que os ataques israelenses e norte-americanos começaram no final de fevereiro.

Os ataques iranianos mataram pessoas no Iraque e nos países do Golfo. Quatorze pessoas foram mortas em Israel.

Israel e Estados Unidos afirmam que o objetivo da guerra é impedir que o Irã consiga projetar força além de suas fronteiras e destruir os programas nucleares e de mísseis.

Eles também pediram aos iranianos que se levantassem e derrubassem seus governantes clericais, poucas semanas depois que as autoridades mataram milhares de manifestantes contra o governo. Entretanto, não houve nenhum sinal de dissidência organizada dentro do Irã desde o início dos bombardeios.

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