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Justiça

Após expor caso de violência, ex de 'Trutis' relata orientação de pastores para orar

Advogada e ex-esposa de deputado federal de MS diz que religiosos a mandaram "orar pela família", citaram que "a mulher sábia edifica a casa" e afirmaram que deveria "dar a outra face"

06 maio 2026 - 19h45Vinícius Santos

A advogada Raquelle Lisboa Alves Souza, ex-esposa do ex-deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza, conhecido como “Tio Trutis”, fez uma série de desabafos nas redes sociais sobre sua trajetória de denúncia de violência doméstica.

Em seus relatos, Raquelle afirmou que tem sido procurada por pastores de uma igreja em Campo Grande, que a aconselham a “orar pela família” e a seguir o ensinamento de que “a mulher sábia edifica a casa”. 

Segundo ela, os religiosos chegaram a dizer que, por ser cristã, deveria “dar a outra face”. A advogada possui medida protetiva deferida pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) contra o ex-parlamentar de Mato Grosso do Sul. 

Raquelle deixou uma mensagem direta aos que a criticam por ter denunciado, “Sofri todo tipo de violência e humilhação... Eu me calei por anos antes de denunciar. Falei com amigos, procurei ajuda, mas não fui ouvida. Passei por médicos, busquei acolhimento, e ainda assim fui desacreditada. Dentro da própria família, encontrei julgamento quando mais precisava de proteção.”

Caminho solitário até a denúncia

A advogada relatou que o processo até conseguir registrar a denúncia foi longo e doloroso, “Até conseguir chegar à polícia, houve um caminho longo, solitário e doloroso. E se hoje eu tive forças para romper esse ciclo, foi por causa do meu filho. Foi por ele que eu resisti.”

Ela acrescentou que também permaneceu em silêncio por amor a três crianças que considera parte de sua vida, “Também permaneci em silêncio por amor a 3 crianças que eu amo incondicionalmente e que foram minha razão e minha força durante todos esses anos.”

Silêncio imposto e resistência

Raquelle revelou que, mesmo após denunciar, precisou permanecer em silêncio por 100 dias devido à omissão das autoridades,  “Um silêncio que não foi escolha, foi imposição. Mas agora, eu não vou mais me calar.”

Ela disse esperar que sua história inspire outras mulheres, “Que a minha história sirva de força para outras mulheres que ainda estão presas no medo, na dúvida e na dor. Que sirva de coragem para que denunciem, mesmo quando ninguém acredita.”

Aos críticos

A advogada também direcionou palavras àqueles que a julgaram ou desacreditaram, “A todos que me julgaram, que distorceram minha história, que me chamaram de oportunista, de calculista, de alguém sem verdade – lembrem-se: vocês têm mulheres na família. E eu espero, sinceramente, que elas nunca passem pelo que eu passei.”

Sobrevivi

Raquelle relatou que foi calada, julgada e ameaçada dentro do próprio casamento, inclusive durante o puerpério, período de maior vulnerabilidade para uma mulher. “Eu fui calada, julgada, ameaçada, silenciada dentro do meu próprio casamento. Vivi isso no momento mais vulnerável da vida de uma mulher: o puerpério.”

Ela concluiu seu desabafo com uma afirmação de sobrevivência,  “E se hoje eu posso falar, é porque sobrevivi. Porque poderia estar sendo lembrada em outro lugar. Se eu estou aqui, falando, fora de um cemitério, então a verdade precisa ser ouvida.”

Outro Lado - Em meio ao caso envolvendo a concessão de medida protetiva pela Justiça, o ex-deputado federal Loester Carlos Gomes de Souza, o “Tio Trutis”, se manifestou por meio de nota à imprensa divulgada em fevereiro deste ano.

NOTA À IMPRENSA

Diante de reportagens que foram veiculadas acerca de uma medida protetiva envolvendo minha esposa, Raquelle, venho a público prestar esclarecimentos.

Nossa família atravessa um momento extremamente delicado, marcado por desafios emocionais, psicológicos e espirituais. Como toda família que enfrenta dificuldades, estamos lidando com situações que exigem prudência, maturidade e responsabilidade.

Por respeito à Justiça, minha esposa e aos nossos quatro filhos, não farei comentários sobre o mérito do processo. Confio plenamente nas instituições e no devido andamento legal dos fatos.

O que posso afirmar é que continuo nutrindo pela minha esposa o mesmo amor e respeito que senti quando a conheci e que se fortaleceu no momento em que nos casamos. Temos quatro filhos maravilhosos, que são nossa maior prioridade, e sigo comprometido com o bem-estar e o equilíbrio emocional de cada um deles.

Tenho fé em Deus que, em um futuro muito breve, esses desafios serão superados. Nossa família será restaurada no tempo certo, encontrando novamente o caminho da harmonia e da paz que, na maioria incontável dos nossos dias, sempre vivemos.

Campo Grande-MS, 14 de fevereiro de 2026.

Loester Trutis

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