Durante interrogatório no Tribunal do Júri nesta quarta-feira (20), em Campo Grande, Adriano Ribeiro Espinosa, o “Maracaju”, de 38 anos, negou participação e autoria no incêndio que matou três pessoas queimadas no bairro Jardim Colúmbia, em 2014, e afirmou que “não tem nada” para pedir desculpas aos familiares das vítimas.
O réu é acusado de provocar a morte de Lucinda Ferreira Torres, Daniel Candia e Helio Queiroz Neres, após um incêndio em uma residência na rua Uruaná, no dia 13 de outubro de 2014. Uma mulher que também estava no imóvel sobreviveu, mas sofreu queimaduras graves.
No interrogatório, Adriano atribuiu toda a responsabilidade do crime a Sérgio Torres de Oliveira, que na época tinha 17 anos e seria filho de Lucinda. Segundo o acusado, o adolescente teria comprado o álcool, jogado o líquido na casa e colocado fogo no imóvel.
“Ele quem comprou o álcool, jogou na casa e riscou o fósforo”, declarou o réu ao juiz. Adriano afirmou ainda que fazia uso de cocaína na época dos fatos e alegou que tentou impedir o crime.
“Fiz de tudo para poder evitar”, disse. Em outro trecho do depoimento, ele voltou a negar participação direta no incêndio. “Eu não risquei, não joguei álcool. Meu problema era estar lá. Eu tentei fazer de tudo”, afirmou.
O acusado também declarou que teria percebido que “algo poderia acontecer” naquele dia, mas disse que não avisou diretamente as vítimas porque Sérgio seria “grosso”, relatando medo.
Ainda no interrogatório, ele contou que teria tentado acionar a Polícia Militar antes do incêndio, ligando para o 190 para relatar uma suposta briga na residência. “Nunca fiz maldade para ninguém”, declarou ao comentar sobre as passagens criminais que possui.
Sobre a motivação do crime, Adriano negou que tenha agido por ciúmes, como aponta a acusação, e voltou a responsabilizar o então adolescente. Segundo o Sérgio (menor) teria problemas familiares envolvendo a mãe, Lucinda, e Helio Queiroz Neres, enquanto o pai do jovem estaria preso na época, relatando um suposto relacionamento entre esses.
O julgamento segue no Tribunal do Júri de Campo Grande e é presidido pelo juiz Aluizio Pereira dos Santos. O futuro do réu cabe aos jurados que compõem o Conselho de Sentença.
Familiares defendem inocência de Adriano
Familiares de Adriano Ribeiro Espinosa acompanham o julgamento e afirmaram acreditar na inocência do réu. “Ele é meu irmão, eu conheço ele, acredito que ele não fez isso. Eu acredito nele”, disse um dos familiares presentes no Tribunal do Júri.
O irmão do acusado também afirmou que Adriano comentou sobre o caso ainda na época do crime, mas negando participação no incêndio. “Ele comentou o que aconteceu, mas que não foi ele”, declarou.
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Adriano Ribeiro durante interrogatório - Foto: Vinícius Santos 



