Menu
Menu
Busca sábado, 31 de janeiro de 2026
Justiça

Adriane Lopes é alvo de ação por nomear advogados comissionados na Agetran

Processo na Justiça alega que a gestão comete ato "manifestamente ilegal e lesivo", visto que a prefeitura da Capital possui a Procuradoria-Geral do Município devidamente estruturada

29 novembro 2025 - 14h00Vinícius Santos     atualizado em 29/11/2025 às 14h17

A gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) enfrenta mais uma ação na Justiça — desta vez por suposta nomeação irregular de advogados para cargos comissionados na Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), em funções que, segundo a denúncia, deveriam ser exercidas por servidores concursados. 

A acusação consta em ação popular proposta pelo advogado Orlando Frugüli Moreira. Conforme a ação, os servidores nomeados são Wellington Albuquerque Assis Ton (Assessor Governamental III – DCA-7), Michellly Bruning (Assessor-Executivo II – DCA-3) e Alexandre Souza Moreira (Assessor-Chefe – DCA-4).

Segundo o autor, esses servidores estariam exercendo a representação judicial e extrajudicial da Agetran, “em flagrante usurpação das funções da Procuradoria-Geral do Município de Campo Grande (PGM)”.

A ação relata ainda que Alexandre Souza Moreira foi “absurdamente designado” pelo Decreto “PE” nº 590/2025 para exercer a função de Chefe da Procuradoria Jurídica; que a Sra. Michellly Bruning, nomeada Assessora Executiva pelo Decreto “PE” nº 712/2025, também exerce funções jurídicas contenciosas; e que o Sr. Wellington Albuquerque Assis Ton, listado como Assessor Governamental, sequer teve seu ato de nomeação localizado no Diário Oficial, o que, segundo o autor, caracteriza afronta ao princípio da publicidade.

O advogado sustenta que “as atribuições da advocacia pública, e em especial a chefia de uma procuradoria, não podem ser desempenhadas por um servidor comissionado por simples designação. Trata-se de função de Estado, que exige investidura por meio de concurso público para o cargo de Procurador Municipal.”

Ele argumenta ainda que o Município possui a Procuradoria-Geral do Município devidamente estruturada, com membros aprovados em concurso público de provas e títulos, e afirma que a atuação dos comissionados é “manifestamente ilegal e lesivo”.

A ação aponta violação à Constituição Federal (art. 132) e à jurisprudência pacífica do STF, sustentando que, uma vez instituída a Procuradoria Municipal, a representação judicial e a consultoria jurídica do ente e de suas autarquias são atribuições exclusivas dos procuradores concursados. A criação de núcleos jurídicos paralelos nas autarquias, formados por comissionados, seria, segundo o advogado, inconstitucional.

Risco de nulidade em massa

O autor alerta para o risco de nulidade de todos os atos praticados, afirmando que há ausência de capacidade postulatória dos comissionados. Segundo a ação, a capacidade postulatória da administração pública é prerrogativa exclusiva dos membros da Advocacia Pública de carreira.

A petição destaca que atos processuais assinados por pessoas sem essa capacidade são nulos, o que poderia comprometer toda a atuação judicial da Agetran. "A manutenção desses comissionados na representação judicial da AGETRAN cria um passivo de nulidades que pode explodir a qualquer momento, provocando a anulação em massa de procedimentos judiciais e administrativos. Isso resultaria em prejuízos incalculáveis ao erário, como a perda de prazos, a anulação de multas de trânsito, a invalidação de contratos e a condenação da autarquia em ações judiciais por falha na sua representação técnica".

Pedidos da ação

O advogado pede que a Justiça determine liminarmente que o Município de Campo Grande e a Agetran se abstenham imediatamente de permitir que Alexandre Souza Moreira, Wellington Albuquerque Assis Ton, Michellly Bruning — ou quaisquer outros comissionados — exerçam atribuições de representação judicial, extrajudicial, assessoramento ou consultoria jurídica na autarquia.

O autor solicita ainda que seja suspensa a designação de Alexandre Souza Moreira como Chefe da Procuradoria Jurídica da Agetran, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Ao final do processo, pede:

- a confirmação da tutela de urgência,

- a declaração de nulidade dos atos considerados lesivos à moralidade administrativa,

- e a condenação dos requeridos na obrigação de não fazer, proibindo definitivamente que comissionados desempenhem funções privativas da advocacia pública.

Situação atual do processo

O caso tramita na 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, sob comando do juiz Eduardo Lacerda Trevisan. O magistrado ainda não se manifestou, e o processo permanece concluso para decisão.

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.

Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 no iOS ou Android.

Reportar Erro

Deixe seu Comentário

Leia Também

Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do Banco Central
Justiça
Diretor do BC diz à PF que Master tinha só R$ 4 milhões em caixa
Agência dos Correios
Justiça
Gerente dos Correios é preso em flagrante por furto de mercadorias
Imagem Ilustrativa
Interior
Justiça de Paranaíba condena homem a 23 anos de prisão por estupro de vulnerável
Fiscal do Ministério do Trabalho - Divulgação / MTE
Brasil
Trabalho escravo e tráfico de pessoas fazem Justiça registrar alta histórica em 2025
TJMS revoga prisão de investigado por suposto estupro de vulnerável
Justiça
TJMS revoga prisão de investigado por suposto estupro de vulnerável
Caso aconteceu durante a madrugada
Justiça
Acusado de homicídio por espancamento em Campo Grande é condenado a 10 anos de prisão
Ministro Dias Toffoli
Justiça
Decisão sobre instância do caso Master sairá após inquérito, aponta Toffoli
Menina sofria violência sexual -
Interior
TJ vê inconsistências em versões e absolve homem condenado por estupro em Ivinhema
Marcos Marcello Trad -
Justiça
Justiça declara nulo ato que efetivou Marquinhos Trad na ALEMS sem concurso público
Caso aconteceu durante a madrugada
Justiça
Acusado de homicídio por espancamento é julgado hoje em júri popular na Capital

Mais Lidas

Lucas estava desaparecido desde o dia 24
Polícia
Jovem desaparecido no Nova Lima é encontrado morto em área de mata
Confronto aconteceu no bairro Jardim Cerejeiras
Polícia
AGORA: Dois suspeitos de roubos morrem em confronto com o Choque em Campo Grande
Polícia Militar atendeu a ocorrência
Polícia
AGORA: Homem é morto com tiro na cabeça no Jardim Centro Oeste
Alyson morreu após receber golpes de faca
Polícia
Suspeito de assassinar Alyson é preso cometendo furto com irmão em Campo Grande