Em um ano marcado por eleições e pela expectativa de renovação no cenário político, eleitores de diferentes perfis destacam demandas comuns. Transparência, responsabilidade e compromisso real com o que é prometido aparecem como pontos centrais nas falas de quem acompanha de perto os efeitos das decisões públicas no dia a dia.
A empreendedora Luciana dos Santos, de 33 anos, afirma que o primeiro requisito para quem pretende disputar um cargo público é compreender o peso da função que deseja ocupar. Para ela, não se trata de encarar a política como algo simples ou simbólico, mas como uma atividade que exige preparo, esforço contínuo e responsabilidade. Segundo Luciana, muitos candidatos se empenham apenas para pedir votos, e depois acabam relaxando na administração. “A pessoa precisa entrar sabendo que vai ter que se esforçar ao máximo, como em qualquer empresa ou área. Não dá para chegar lá e esquecer o que prometeu”.
Na avaliação da empreendedora, a sociedade já está cansada de justificativas baseadas em dependência de terceiros ou entraves burocráticos. Para ela, quem se dispõe a disputar uma eleição precisa estar consciente das dificuldades e, ainda assim, buscar entregar o melhor resultado possível. Luciana afirma que promessas não precisam ser grandiosas, mas devem ser claras e executáveis. “Se o candidato disser que vai cuidar de uma área específica, então que faça isso bem feito. O eleitor espera sinceridade e transparência, e não promessas vazias”, pontua..
A médica veterinária Fernanda de Paula Alencar, de 28 anos, também destaca a importância da transparência e da comunicação direta com a população. Para ela, a experiência recente de gestão deixou marcas visíveis na cidade, com ruas degradadas, espaços públicos abandonados e sensação de descuido em diversas regiões. Fernanda avalia que os mandatos têm um desafio ainda maior, considerando as dificuldades financeiras enfrentadas pelo Município e Estado. Ainda assim, afirma que isso não pode servir de desculpa para a ausência de diálogo com a sociedade.
Na visão da veterinária, os próximos gestores precisam apresentar uma visão clara de Estado e país , que contemple todas as regiões e não apenas áreas específicas. “Se algo der errado, o mínimo que se espera é que o candidato seja transparente e converse com a população”, afirma. Para Fernanda, a proximidade com o cidadão e a prestação de contas frequente são fundamentais para reconstruir a confiança na política local.
Já a vendedora Maria Suelena, 57 anos, demonstra um sentimento de descrença que, segundo ela, reflete o cansaço de parte da população com a política atual. Para ela, a sensação é de que muitos problemas permanecem sem solução, independentemente de quem esteja no poder. Ainda assim, aponta que espera mais atenção à economia. “A situação econômica está mais ou menos, e isso pesa muito para quem vive do comércio”, comenta. Maria Suelena afirma que gostaria de ver políticos mais atentos às dificuldades reais da população, com propostas práticas e menos discursos genéricos.
Complementando as falas dos eleitores, o advogado especialista em direito eleitoral Vinícius Monteiro avalia que as eleições de 2026 devem ocorrer em um ambiente de forte polarização e intensa influência das redes sociais. Segundo ele, a tendência é de um pleito mais fiscalizado pela Justiça Eleitoral, especialmente no combate à desinformação e no cumprimento das regras de campanha.
Vinícius destaca que a sociedade espera dos políticos mais responsabilidade e seriedade no discurso, com foco em propostas concretas e viáveis. Para ele, o eleitor demonstra cansaço com embates vazios e discursos que não se traduzem em ações práticas. “Há uma expectativa clara por menos confronto e mais compromisso com soluções reais para os problemas do país, além do respeito às instituições democráticas”, conclui.
OLHO: Reportagem mostra demandas da população e os marcos do calendário eleitoral
Ano eleitoral
Janeiro de 2026 – largada prática do ano eleitoral
O mês de janeiro marca, na prática, o início do ano eleitoral. É nesse período que os partidos políticos começam a se organizar internamente, avaliando cenários, discutindo alianças e projetando estratégias para a disputa. As siglas passam a mapear possíveis candidatos, definir prioridades regionais e alinhar discursos. Em Mato Grosso do Sul, as articulações costumam envolver diretamente o governo estadual, o Senado e as bancadas federal e estadual, com intensificação das conversas de bastidor.
6-de março a 5-de abril – prazo para filiação partidária
Entre 6 de março e 5 de abril, o calendário entra em uma fase decisiva. Esse é o período limite para que candidatos estejam oficialmente filiados a um partido político, exigência legal indispensável para concorrer a qualquer cargo eletivo. O prazo provoca intensa movimentação nos bastidores, com trocas de legenda, negociações internas e disputas por espaço dentro das siglas. É também quando muitos nomes deixam o campo das especulações e passam a se apresentar publicamente como pré-candidatos.
Até 5-de abril – ajustes partidários e desincompatibilização
Até o início de abril, partidos e federações também precisam registrar seus estatutos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O prazo vale ainda para a desincompatibilização de pré-candidatos que ocupam cargos públicos e precisam se afastar de suas funções para atender às exigências legais. Essa etapa consolida juridicamente o cenário partidário para a disputa.
Até 6-de maio – regularização do título eleitoral
O eleitor também deve ficar atento ao calendário. Até 6 de maio, é possível regularizar o título eleitoral, solicitar transferência de domicílio ou atualizar dados cadastrais. Após essa data, o cadastro eleitoral é fechado para a organização do pleito, e quem estiver em situação irregular fica impedido de votar nas eleições.
20-de julho a 5-de agosto – convenções partidárias
Entre 20 de julho e 5 de agosto ocorre um dos momentos mais importantes do processo eleitoral: as convenções partidárias. Previstas na Lei nº 13.165/2015, essas reuniões definem oficialmente os candidatos de cada partido e as eventuais coligações. É nessa fase que as chapas são confirmadas e os nomes passam a constar formalmente como concorrentes.
Primeira quinzena de agosto – registro das candidaturas
Na primeira metade de agosto, termina o prazo para o registro das candidaturas junto à Justiça Eleitoral. Quem não cumprir essa etapa fica automaticamente fora da disputa. Apesar de burocrático, o processo é decisivo, pois a Justiça verifica se os candidatos atendem a todos os requisitos legais, como filiação partidária, idade mínima, elegibilidade e afastamento de cargos públicos quando exigido.
Segundo semestre de 2026 – início da campanha eleitoral
Com o avanço do segundo semestre, passa a ser permitida a propaganda eleitoral. A partir daí, ruas, redes sociais, rádios e televisões são tomadas por campanhas, jingles, debates e apresentação de propostas. É o momento em que o eleitor tem contato direto com os projetos políticos e começa a formar sua decisão de voto.
4-de outubro de 2026 – primeiro turno das eleições
O ápice do calendário ocorre em 4 de outubro de 2026, data do primeiro turno das eleições. Os eleitores de Mato Grosso do Sul vão às urnas para escolher presidente da República, governador do Estado, senadores, deputados federais e deputados estaduais. Caso nenhum candidato aos cargos majoritários alcance a maioria absoluta dos votos válidos, a legislação prevê a realização de um segundo turno.
25-de outubro de 2026 – segundo turno, se necessário
O segundo turno, quando necessário, acontece em 25 de outubro de 2026 e concentra a disputa entre os dois candidatos mais votados. Nas últimas eleições gerais, essa etapa foi marcada por forte polarização no Estado, quando Eduardo Riedel (PP) venceu o ex-deputado estadual Capitão Contar (PL), após reverter o resultado do primeiro turno.
Novembro e dezembro de 2026 – apuração e diplomação
Após a votação, o processo entra na fase final, com apuração dos votos, julgamento de eventuais recursos e diplomação dos eleitos pela Justiça Eleitoral. Nesse período, também se iniciam as transições de governo, quando equipes são formadas e planos de gestão começam a ser estruturados.
Janeiro de 2027 – posse dos eleitos do Executivo
Com a mudança constitucional, as posses deixaram de ocorrer em 1º de janeiro. O presidente da República e o vice-presidente tomam posse em 5-de janeiro de 2027. Já os governadores e vice-governadores assumem seus cargos em 6-de janeiro de 2027, encerrando oficialmente o ciclo eleitoral do Executivo.
1º-de fevereiro de 2027 – início dos mandatos no Legislativo
Deputados federais, deputados estaduais e senadores iniciam seus mandatos em 1º-de fevereiro de 2027, marcando o começo de um novo ciclo político no país e nos estados.
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