Menu
Menu
Busca sábado, 04 de abril de 2026
Assembleia Abr26
Saúde

Adriane tenta suspender promoção de médicos alegando crise, mas desembargador nega

Gestão alegou que a medida desestabilizaria o já frágil equilíbrio fiscal do município, contudo, o magistrado rejeitou a alegação

05 dezembro 2025 - 12h01Vinícius Santos     atualizado em 05/12/2025 às 12h30

Em decisão nesta sexta-feira (5), o desembargador Ary Raghiant Neto, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), negou suspender uma ordem judicial que determina que a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP), em Campo Grande, cumpra o enquadramento e reposicionamento dos servidores médicos.

O processo é movido pelo Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul (Sinmed/MS) contra o Município, apontando que a gestão descumpre a Lei Complementar Municipal n.º 377/2020.

Ao pedir a suspensão da medida judicial, a prefeitura de Campo Grande apresentou diversas justificativas que expõem uma crise concreta nas contas públicas. A gestão municipal afirmou que a medida de reposicionamento representa um "severo impacto orçamentário" e que "neste ano não há disposição orçamentária para promover as impetrantes".

Inviabilidade jurídica

A Prefeitura alegou que a ausência de prévia dotação orçamentária impede a concessão da promoção horizontal e vertical. O município destacou que está em situação de contenção de despesas, citando o Decreto n. 16.427, de 31 de outubro de 2025, que incluiu a determinação de redução de 20% dos subsídios da prefeita, vice-prefeita, procuradora-geral, secretários, entre outras autoridades, com o intuito de contenção de despesas.

A gestão municipal diz que vai haver a superação do limite prudencial de gastos com pessoal estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), ou seja, que o gasto com folha de pagamento acima do limite permitido. 

Segundo a prefeitura, o impacto financeiro da medida alcança a cifra de R$ 15.713.707,47 (quinze milhões, setecentos e treze mil, setecentos e sete reais e quarenta e sete centavos). A projeção para o ano de 2026 chegaria ao montante de R$ 33.081.655,26 (trinta e três milhões, oitenta e um mil, seiscentos e cinquenta e cinco reais e vinte e seis centavos).

O município qualificou esse valor como "monumental" e alegou que ele "desestabilizaria o já frágil equilíbrio fiscal do ente municipal". A prefeitura também apontou risco concreto a outros serviços públicos além da questão da folha de pagamento, decorrente do grave impacto financeiro da decisão liminar.

Comprometimento dos serviços essenciais

No recurso, a prefeitura advertiu que uma decisão judicial em sentido contrário, mantendo o reposicionamento, "pode prejudicar os serviços públicos locais" e "demais pagamentos que o município deve realizar, sob pena de interrupção de serviços essenciais". 

A gestão argumentou que a manutenção da liminar privilegia o interesse patrimonial de uma categoria em detrimento do interesse público primário, que é a "continuidade da prestação de serviços essenciais a toda a população de Campo Grande".

Exposição do desembargador

O desembargador Ary Raghiant, destacou que, "Em relação à alegação de ausência de recursos e de previsão orçamentária, verifica-se que tal circunstância não pode constituir impedimento à ascensão funcional pretendida pelos servidores. Isso porque, nos termos da lei que rege a carreira, uma vez preenchidos os requisitos legais, a Administração não dispõe de discricionariedade para concedê-la, tratando-se de imposição legal. Portanto, não pode extrapolar os limites da legalidade sob o fundamento de indisponibilidade orçamentária ou financeira, sob pena de se beneficiar da própria torpeza."

Diante disso, o desembargador concluiu que, ausentes os requisitos para a atribuição de efeito suspensivo ao recurso, impõe-se indeferir o pedido formulado pelo agravante, recebendo-o apenas no efeito devolutivo.

Posição do Sindicato

O JD1 entrou em contato com o SinMed/MS, e o presidente, Dr. Marcelo Santana, afirmou que "o judiciário foi claro: a Lei 377/2020 é para cumprir. O SinMed/MS priorizou o diálogo, mas fomos obrigados a buscar a Justiça porque a gestão municipal vinha ignorando sistematicamente o nosso PCCR. Nossa luta não é por aumento, é por respeito e legalidade. É para estancar a desvalorização profissional. Chega de desculpas. Centenas de médicos esperam por essa reparação de direitos há anos. A ordem está dada, e o sindicato permanecerá vigilante até que o último colega esteja corretamente enquadrado."

Segundo a nota oficial do sindicato, "esta vitória jurídica coloca uma responsabilidade imediata sobre o município. A Prefeitura agora está obrigada a realizar correções fundamentais para a categoria".

O SinMed/MS destacou ainda que a decisão, proferida pelo Desembargador Ary Raghiant Neto, não apenas nega o recurso da Prefeitura, mas também reconhece que não há mais justificativa para o descumprimento contínuo da lei. Com a decisão, o sindicato garante que o prazo final para o cumprimento da lei 27 de janeiro de 2025 está mantido.

O sindicato reforça que o cenário de recesso ou férias não exime o município de sua obrigação. A ordem judicial é imperativa, e a Prefeitura deve organizar seus setores para garantir que todos os enquadramentos sejam efetivados na data estipulada, encerrando o descumprimento administrativo que se arrasta há anos.

JD1 No Celular

Acompanhe em tempo real todas as notícias do Portal, clique aqui e acesse o canal do JD1 Notícias no WhatsApp e fique por dentro dos acontecimentos também pelo nosso grupo, acesse o convite.

Tenha em seu celular o aplicativo do JD1 no iOS ou Android.

Reportar Erro
Arauco - Niver Inocencia Abr26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Foto: Ministério dos Povos Indígenas
Saúde
Eloy Terena classifica como crítica situação da chikungunya em Dourados
O urologista, Dr. Fernando Coutinho, esteve no programa Saúde & Bem-Estar
JD1 TV
JD1TV: Urologista alerta que saúde masculina deve ser cuidada o ano todo
MS prepara vacinação contra chikungunya com mais de 46 mil doses para cidades em surto
Saúde
MS prepara vacinação contra chikungunya com mais de 46 mil doses para cidades em surto
Ministro indígena deve visitar o espaço hoje
Saúde
Dourados cria Centro de Operações de Emergência para enfrentar avanço da Chikungunya
Quer se vacinar? USF Tiradentes terá plantão especial nesta Sexta-Feira Santa
Saúde
Quer se vacinar? USF Tiradentes terá plantão especial nesta Sexta-Feira Santa
O atendimento durante os plantões ocorrerá das 7h30 às 16h45
Saúde
Feriadão terá plantão de vacinação contra a gripe em Campo Grande
Ação ocorreu em meio a celebração da Páscoa e Semana Santa
Saúde
Alunos levam ação de Páscoa a hospital e emocionam pacientes em Campo Grande
Mariana Vilela
Saúde
Representante do Centro-Oeste, médica participa de debate sobre menopausa em Harvard
Doenças seguem causando dor de cabeça
Saúde
Casos de chikungunya seguem disparando em MS e já somam 7 mortes
Cursos acontecerão em abril na cidade
Saúde
Cruz Vermelha oferece cursos de primeiros socorros em Campo Grande

Mais Lidas

Imagem Ilustrativa
Polícia
Mãe se irrita com filha chorando atrás de chocolate e bate nela com vasilha no Lageado
Imagem ilustrativa
Polícia
Adolescente de 12 anos é esfaqueado em escola particular de Campo Grande
UPA Leblon, em Campo Grande
Polícia
Mulher é abandonada pela família enquanto passava mal e morre em UPA de Campo Grande
Marquinhos assina filiação ao lado de Marcelo Bluma
Política
Pré-candidato, Marquinhos Trad tem aval do PDT em MS e oficializa ida ao PV