Menu
Menu
Busca quinta, 07 de maio de 2026
Saúde

Rastreamento para câncer colorretal pode ser implementado no SUS

Diretriz vai passar por consulta pública e será analisada pela Conitec

19 março 2026 - 18h55Vinicius Costa, com informações da Agência Brasil

O Sistema Único de Saúde pode ganhar um novo programa para o rastreamento do câncer colorretal, que atinge o intestino grosso e o reto e vem crescendo em número de casos e óbitos. 

Uma diretriz com as orientações para a testagem já foi elaborada por especialistas e recebeu parecer favorável da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). 

Nos próximos dias, a Comissão vai abrir uma consulta pública para receber contribuições da sociedade e depois disso decidirá, em caráter definitivo, se as novas medidas devem ser incorporadas ao SUS.

A decisão final caberá ao Ministério da Saúde, que aguarda o andamento do processo para se posicionar, mas todos os representantes da pasta que compõem a comissão foram favoráveis. 

A diretriz preconiza que todas as pessoas entre 50 e 75 anos, sem fatores de risco, realizem teste imunoquímico, para a identificação de sangue oculto nas fezes, a cada dois anos. Em caso positivo, o paciente deve ser encaminhado a uma colonoscopia, para detectar qual a razão do sangramento, e receber o tratamento devido. 

As medidas valem para as pessoas em geral, que não têm sintomas nem outras doenças intestinais. O objetivo é diagnosticar lesões pré-cancerígenas e tratá-las antes que evoluam para o câncer, ou mesmo a doença já instalada, mas em estágio inicial, o que aumenta muito as chances de cura. 

De acordo com o epidemiologista do Instituto Nacional do Câncer (Inca) Arn Migowski, que compõe o grupo de trabalho, apesar desses exames já terem se mostrado eficazes para diminuir a mortalidade por câncer colorretal, a sua realização pela população em geral ainda é incipiente tanto na rede pública, quanto privada.

Ele complementa que a implementação de um programa de rastreio organizado pode ter ainda um benefício adicional.

"Ao contrário de doenças como o câncer de próstata ou de mama, que a gente faz o rastreamento, mas infelizmente só conseguimos detectar a doença no início, no caso do câncer colorretal, você pode detectar lesões pré-cancerosas. Ou seja, o objetivo principal é diminuir a mortalidade, mas a gente pode conseguir também diminui um pouco o número de novos casos", explica. 

Migowski é um dos autores de um estudo recente que estimou um aumento de quase 3 vezes nas mortes por esse tipo de câncer até 2030. Uma das razões que explicam a grande mortalidade da doença, é o fato da maioria dos pacientes só descobrir a doença em estágios avançados, justamente o que o rastreamento organizado quer impedir. 

Apesar do texto inicial da diretriz já ter recebido parecer favorável, o grupo de trabalho continua discutindo a melhor maneira de implementar as medidas no sistema público brasileiro, o que deve ser feito de forma escalonada, ou seja, começando em alguns locais e expandindo progressivamente até chegar a todo o país.

De acordo com o especialista do Inca, isso é necessário para que o SUS consiga absorver a nova demanda, sem deixar de priorizar os pacientes com sintomas, que precisam ser atendidos com rapidez.  

"No modelo organizado você convoca ativamente a pessoa que está na faixa etária, e depois disso, ela precisa fazer o seguimento, receber o resultado do exame, ser encaminhada para a colonoscopia, se precisar, passar por atendimento especializado. E depois ela tem que ser reconvocada, quando chegar a vez de fazer o exame novamente. Todas essas questões têm que ser muito bem planejadas", diz Migowski. 

Diagnóstico - A presidente da Associação de Gastroenterologia do Rio de Janeiro, Renata Fróes, também reforça a importância do rastreamento. 

"O câncer colorretal ou de intestino não costuma apresentar sintomas precoces, pode ocorrer sangramento, mas não costuma ser visível", explica. É esse "sangue oculto" que o exame imunoquímico nas fezes identifica. 

Já durante a colonoscopia, o médico visualiza o interior do intestino, com o auxílio de um tubo flexível e uma câmera, e pode verificar se o paciente desenvolveu algum pólipo adenomatoso, tipo de lesão pré-cancerígena. 

"Os pólipos são protuberâncias, que se assemelham até a pequenos cogumelos e que podem ser retirados por uma pinça que a gente introduz dentro dos colonoscópios. A retirada deles impede a progressão para o câncer", explica Renata.

Por isso, a médica recomenda a realização da colonoscopia por todas as pessoas, já a partir dos 45 anos. 

A gastroenterologista lembra que este mês é dedicado à campanha Março Azul, de conscientização sobre o câncer colorretal, e aponta sinais de alerta, que devem ser investigados com urgência, pois podem ser sintomas de câncer em estágio mais avançado:

"Além desse sangramento oculto, que pode dar uma anemia, fraqueza, cansaço, os outros sintomas são emagrecimento, dor abdominal e mudança do hábito intestinal. Pode ocorrer também fezes ‘em fitas’, mais estreitas, o que já significa algum grau de obstrução, porque o tumor cresceu e fica difícil para a comida passar pelo intestino".

Reportar Erro

Deixe seu Comentário

Leia Também

Atendimento beneficiou pacientes de 11 municípios e contribuiu para a redução da fila de espera no SUS
Saúde
Mutirão reduz fila e realiza mais de 100 cirurgias de catarata em Três Lagoas
Fachada da Secretaria Estadual de Saúde
Saúde
SES emite alerta para surto de meningite meningocócica em Mato Grosso do Sul
Foto: Ilustrativa / Rafael Nascimento / MS
Saúde
Governo Federal reforça saúde em MS com 67 veículos para levar pacientes a tratamentos
Imagens do relatório do CMS
Saúde
Prefeitura tenta privatizar a saúde enquanto contrato de R$ 34 milhões acumula falhas
Butantan vai produzir vacina nacional contra chikungunya
Saúde
Butantan vai produzir vacina nacional contra chikungunya
Caso aconteceu no Oceno Atlântico
Saúde
Três pessoas morrem em cruzeiro em meio a possível surto de hantavírus
Equipamento de radioterapia de última geração - Foto: Reprodução
Saúde
Hospital de Câncer Alfredo Abrão recebe equipamento de radioterapia de mais de R$ 10 milhões
Campus Três Lagoas desenvolve soluções tecnológicas para a saúde pública por meio do PET-Saúde -
Tecnologia
Tecnologia desenvolvida em MS ganha destaque nacional na saúde pública
Hospital da Vida
Saúde
Dourados confirma 9ª morte por chikungunya em meio a surto da doença
Higienização das mãos
Saúde
Humap promove campanha por higienização das mãos no dia 5 de maio

Mais Lidas

Fachada da Secretaria Estadual de Saúde
Saúde
SES emite alerta para surto de meningite meningocócica em Mato Grosso do Sul
Gabriel foi atingido por três tiros
Polícia
Rapaz que entrou na frente de tiros para salvar namorada morre em Três Lagoas
Imagem ilustrativa
Polícia
Vizinha denuncia casal por ato sexual com janela aberta em prédio no Pioneiros
Vítima faleceu ainda no local
Polícia
AGORA: Motociclista morre atropelado após acidente na Avenida Gunter Hans