O presidente Jair Bolsonaro acusou na tarde desta sexta-feira (24) o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, de coagi-lo por uma indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com o presidente, sobre a demissão do ex-diretor da Polícia Federal, Maurício Valeixo, o ex-juiz federal propôs acontecer em novembro, somente após a saída dele para o STF.
O pronunciamento foi organizado pelo Palácio do Planalto para rebater as acusações do ex-ministro contra o presidente da República. O ato contou com a maioria dos ministros e alguns deputados.
"Já que ele falou algumas particularidades, mais de uma vez o senhor Sérgio Moro disse pra mim, você pode demitir o Aleixo sim, mas em novembro, depois que o senhor me indicar para o Supremo Tribunal Federal. Me desculpa, mas, não é por aí. Reconheço as suas qualidades, em chegando lá, se um dia chegar, pode fazer um bom trabalho, mas eu não troco e, outra coisa, é desmoralizante para um presidente ouvir isso, não trocar, sugerir a troca de dois do outros 27 superintendentes da PF”, externou.
O início da fala, bem como alguns momentos do discurso, o presidente usou um tom emocionado. "Eu, pessoalmente, tive o primeiro contato com o senhor Sérgio Moro no dia 30 de março de 2017 no aeroporto de Brasília, onde ele estava parado numa lanchonete e eu fui cumprimentá-lo. Ele praticamente me ignorou. A imprensa toda noticiou isso, dando descrédito a minha pessoa", externou.
E complementou a frase dizendo que “confesso que fiquei triste, porque ele era um ídolo pra mim. Eu era apenas um deputado, humilde deputado como é ou como são a maioria dos que estão no parlamento brasileiro. Não vou dizer que chorei porque estaria mentindo, mas fiquei muito triste".
Em outro momento, Bolsonaro acusou Moro de não dar importância a tentativa de assassinato sofrida por ele na campanha de 2018. O caso aconteceu em setembro do mesmo ano da campanha no centro da cidade mineira de Juiz de Fora.
O autor do atentado é Adélio Bispo de Oliveira, esfaqueou Bolsonaro na barriga no momento em que o então presidenciável era carregado nos ombros de apoiadores. O réu confesso foi preso em flagrante e permanece no sistema prisional.
"A PF de Sérgio Moro mais se preocupou com a Marielle do que com seu chefe supremo. Entre o meu caso e o do Marielle, o meu está bem mais fácil de solucionar. O autor foi preso em flagrante delito", acusou.
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Discurso do presidente foi realizado no Palácio do Planalto (Reprodução/Tv Brasil)



