O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia disse que haverá quórum suficiente para votar, na próxima quarta-feira (2), a denúncia contra o presidente da República Michel Temer. Segundo ele, a votação na quarta-feira é a “melhor solução” para o país. A estimativa dele é que mais de 480 deputados estejam presentes na votação.
“Na minha opinião, haverá quórum. O Brasil precisa de uma definição para esse assunto. Não se pode, do meu ponto de vista, jogar com um assunto tão grave, tão sério, como uma denúncia oferecida pela PGR [Procuradoria-Geral da República] contra o presidente da República. Nosso papel é votar. Quem quiser, vota sim, quem quiser, vota não. Mas não votar é manter o país parado no momento em que o Brasil vive uma recuperação econômica, mas ainda com muitas dificuldades”, disse ele.
São necessários 342 dos 513 (deputados) para que o processo tenha continuidade. Se isso ocorrer, a denúncia vai para o Supremo Tribunal Federal, que decide então se abre ou não o processo contra Temer. Se os magistrados decidirem que sim, ele será afastado por até seis meses. Neste caso, assume a presidência Rodrigo Maia.
Maia falou com a imprensa após almoçar com o prefeito em exercício de São Paulo, Milton Leite, na sede da prefeitura, no centro da capital. “Acho muito grave que a Câmara não tome uma decisão. Que seja para aprovar ou não [a denúncia]. Isso é uma decisão de cada deputado. O que a gente não pode é deixar o paciente em centro cirúrgico, com a barriga aberta”, acrescentou o presidente da Casa. Maia disse ainda que um possível adiamento paralisaria a pauta do Congresso Nacional. "A melhor solução para o Brasil é que a denúncia seja votada na quarta", completou.
Bancada de MS
A bancada federal de Mato Grosso do Sul segue dividida e com alguns deputados indecisos, em relação a denúncia contra o presidente Michel Temer.
Os deputados Zeca do PT, Vander Loubet (PT) e Dagoberto Nogueira (PDT), que fazem parte da oposição, já confirmaram que irão votar pela aceitação da denúncia. "Já se tem elementos suficientes para que a investigação contra o presidente prossiga, por muito menos a Dilma (Rousseff) foi cassada", ressaltou Dagoberto.
Já Carlos Marun (PMDB) defende o presidente e disse que a base está segura de que a oposição não tem os votos suficientes. "Eles não chegaram nem perto, fizemos uma nova avaliação, que aponta para a não aceitação da denúncia".
Os deputados Geraldo Resende (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Tereza Cristina (PSDB) disseram que só vão apresentar sua posição na hora do voto e Elizeu Dionízio (PSDB) ainda não se posicionou, mas na votação da CCJ votou contra a denúncia.
Tentativa de convencimento
Na busca por aliados, Temer intensificou também o ritmo de reuniões com políticos e eventos públicos com anúncios de repasses de verba governamental para obras e projetos. A ideia é consolidar uma agenda positiva para o Palácio do Planalto.
Nesta terça (25), ele prometeu ajudar as escolas de samba do Rio de Janeiro, um agrado à bancada fluminense. Temer recebeu os presidentes das escolas e, logo depois, ao dar posse à Sérgio Sá Leitão no Ministério da Cultura, pediu que o novo ministro atenda as agremiações, que querem R$ 13 milhões para o desfile do grupo especial do ano que vem.
Mais tarde, em outra cerimônia, Temer fez um aceno aos estados e municípios. Ao lançar o programa de revitalização da indústria mineral brasileira, anunciou que a cobrança de royalties da mineração vai passar a ser feita sobre a receita bruta das empresas, e não mais sobre o faturamento líquido.
A medida deve aumentar a fatia de recursos distribuída para as prefeituras e governos estaduais. A estimativa do governo é arrecadar e distribuir 80% a mais.
Na tentativa de barrar a denúncia contra ele na Câmara, o presidente Michel Temer tem adotado a estratégia de ligar para deputados indecisos para convencê-los a votar a favor do governo. As ligações ocorrem no intervalo entre eventos públicos e a agenda interna do presidente.
Contagem de votos
Nas contas do governo, o número de indecisos já diminuiu. Mesmo assim, o trabalho de convencimento vai continuar nos próximos dias. O vice-líder do governo na Câmara, Beto Mansur (PRB-SP), disse que está prevista, ainda para esta semana, uma reunião do governo com líderes da base no Congresso para conversar sobre a votação do dia 2.
"Esse número reduziu de oitenta para sessenta indecisos. Nós vamos nos reunir na quinta ou sexta-feira com as lideranças dos partidos, com o presidente Michel Temer, com o líder do governo, com o líder do Congresso, para que a gente possa fazer uma análise mais apurada e ter certeza do número, para que a gente possa entrar no plenário no dia 2 de agosto e votar", afirmou o deputado.
A oposição também disse que está afinando a estratégia a ser adotada em plenário. A aposta dos rivais de Temer é que a pressão popular sobre os deputados - com a sessão transmitida pela TV - pode fazer parlamentares aliados do presidente mudarem de posição.
"Nós achamos que eles vão ser constrangidos numa situação em que o governo tem um alto grau de impopularidade. Portanto, nós acreditamos que muitos da base vão votar pelo afastamento de Michel Temer", afirmou o líder do PT na Câmara, Carlos Zarattini (SP).
Reportar Erro
Deixe seu Comentário
Leia Também

Vorcaro mantinha estrutura de intimidação de pessoas, cita ministro

Receita Federal anuncia no próximo dia 16 as regras do Imposto de Renda 2026

Senado acelera votação de acordo comercial entre Mercosul e União Europeia

Davi Alcolumbre mantém quebra de sigilo de Lulinha aprovada na CPMI do Crime Organizado

Daniel Vorcaro é preso em São Paulo em nova operação da PolÃcia Federal

Brasil e México ampliam cooperação nas alfândegas

Brasil atualiza regra de permanência sem visto para a União Europeia

Vacina contra herpes-zóster avança no Congresso e pode entrar no SUS

Irmãos de 6 e 9 anos passam mal ao comer doces enviados pelo ex da mãe







