Menu
Menu
Busca quinta, 21 de maio de 2026
Governo MS Ativo - Maio26
Brasil

Conselho manifesta preocupação com projeto de abuso de autoridade

O texto foi aprovado pelos deputados na última quarta-feira

16 agosto 2019 - 13h51Joilson Francelino    atualizado em 16/08/2019 às 15h15

O presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público e da União, Paulo Cesar Passos, manifestou preocupação pelo Projeto de Lei de Abuso de Autoridade aprovada na última quarta-feira (14), na Câmara dos Deputados.

Em nome da entidade, Passos ressalta que o curso da aprovação omitiu o necessário debate para o amadurecimento das propostas, de modo que o regime de urgência sucumbiu o princípio da proibição da deliberação suficiente.

O projeto, se aprovado, trará a proibição de decretação de prisão provisória e a decretação de condução coercitiva sem que antes haja intimação para comparecimento ao juiz, entre outras mudanças.

Leia a nota assinada por Paulo Passos na íntegra:

"O Conselho Nacional de Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG) vem manifestar sua preocupação com a aprovação na Câmara dos Deputados do Projeto de Lei de Abuso de Autoridade, PL 7.596/2017, em razão dos obstáculos criados à legítima atuação do Ministério Público brasileiro no combate à criminalidade organizada e à corrupção.

O Projeto de Lei de Abuso de Autoridade enseja surpresa não apenas aos operadores do Direito, mas à sociedade em geral, pois o curso da aprovação omitiu o necessário debate para o amadurecimento das propostas, de modo que o regime de urgência sucumbiu o princípio da proibição da deliberação suficiente.

É preciso reconhecer a fragilidade causada no sistema de justiça brasileiro, eis que, sob pretexto de reprimir o abuso de autoridade, o PL acarreta intimidação aos agentes de combate à corrupção, tornando-os vulneráveis a penalizações pelo exercício legítimo de suas atribuições.

Não se teme uma “Lei de Abuso de Autoridade”, mas o abuso na criação da referida lei. Questiona-se, efetivamente, o resultado dessa “atualização”, que acabou resultando em tipos penais que claramente violam a Constituição Federal e compromissos internacionais de Direitos Humanos.  A gravidade é evidente.

O princípio da taxatividade, ou da determinação, é um desdobramento lógico do princípio da legalidade, viga mestra do garantismo, modelo de direito que repudia os extremos: hipertrofia da punição e a proteção deficiente. O citado princípio – taxatividade – é dirigido diretamente à pessoa do legislador, exigindo indispensável clareza dos tipos penais para que se afaste qualquer margem de dúvida, de modo a permitir à população em geral o pleno entendimento do tipo criado.

Por sua vez, sobram tipos penais genéricos e imprecisos no projeto de lei em voga, o que enseja violação ao princípio da taxatividade. Em verdade, a incompletude da lei penal, como aprovada, é matéria-prima para abusos interpretativos, retrocedendo em termos técnicos por autorizar a subsunção ao tipo de condutas que, no mais das vezes, destoam da realidade que se busca coibir. O alcance do PL é indefinido, ao passo que construir tipo criminal nestes termos é servir de campo fértil para arbitrariedades.

A propósito, a proposta normativa tenta regulamentar situações já abarcadas pelo Código Penal e, valendo-se de expressões marcadas por indisfarçável controversa, criminaliza o agente por abuso de autoridade que começar processo penal, civil ou administrativo “sem justa causa fundamentada”.

É claro que o PL cria obstáculos à legítima atuação do Ministério Público no combate à criminalidade organizada e à corrupção. As propostas de criminalização, por falta de um debate mais cuidadoso, descrevem condutas que já se caracterizam infrações penais previstas pela nossa legislação, algumas, inclusive, punidas mais severamente.

Nesse sentido, em postura de constante defesa da eficiência de execução de suas atribuições, o Ministério Público brasileiro expressa, com firmeza, seu posicionamento contrário ao PL 7596/17.  Em suma, resta registrar que o atropelo ao devido processo legislativo configurou inconstitucionalidade formal, e a violação à taxatividade, inconstitucionalidade material.

Pautado na desejável estabilidade que a legislação pátria deve proporcionar, o Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG) espera que o mencionado projeto de lei receba o necessário veto presidencial.

PAULO CEZAR DOS PASSOS
Procurador-Geral de Justiça do MPMS"

Reportar Erro
Energisa Michel - Maio26

Deixe seu Comentário

Leia Também

Alistamento é obrigatório para homens e voluntário para mulheres
Brasil
Últimos dias: Alistamento Militar de 2026 termina em junho
Fachada STJ
Justiça
STJ manda OAB investigar advogado após petição com indícios de 'alucinação' de IA
Foto: Freepik
Brasil
Lei cria cadastro nacional de condenados por violência contra a mulher
Bigstock
Brasil
Sub-registro de nascimento fica abaixo de 1% pela primeira vez no Brasil
A medida foi assinada durante evento em São Paulo
Brasil
Governo cria linha de crédito para motoristas de app e taxistas comprarem veículos novoss
Alcides Martins Ribeiro estava desaparecido desde 14 de abril
Brasil
Desaparecido há mais de um mês, juiz federal é encontrado morto
Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Márcio Elias Rosa
Brasil
Brasil e EUA avançam em negociação para reduzir barreiras comerciais
Prisão - Foto: Ilustrativa -
Justiça
CNJ prepara novo mutirão para revisar prisões e medidas cautelares em todo o país
SUS
Brasil
Saúde abre consulta pública sobre inclusão de remédio contra câncer
Aeroporto
Brasil
PF investiga passageiro chileno por ofensas racistas e homofóbicas

Mais Lidas

Corporação lamenta morte de Guarda Municipal no Pioneiros
Polícia
Corporação lamenta morte de Guarda Municipal no Pioneiros
Acidente entre moto e caminhão vitimou guarda municipal no Pioneiros
Polícia
Acidente entre moto e caminhão vitimou guarda municipal no Pioneiros
Tabletes de drogas apreendidos na ação
Polícia
Barbeiro e mais um são presos com 271 quilos de droga em Campo Grande
Agora: Motociclista morre em colisão com caminhão na Capital
Polícia
Agora: Motociclista morre em colisão com caminhão na Capital