Prejuízo financeiro e muita frustração. Foi isso que viveu um tenente da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) que, mesmo saindo de casa com horas de antecedência, não conseguiu chegar ao show da banda Guns N' Roses, realizado na noite de quinta-feira (9), em Campo Grande.
O militar, que prefere não ser identificado, contou que saiu de casa por volta das 16h30 acompanhado da esposa, já prevendo que enfrentaria congestionamento até o local do evento, realizado no autódromo da Capital. No entanto, a situação encontrada nas rodovias superou qualquer expectativa.
Segundo ele, o primeiro sinal de que a situação seria complicada ocorreu ainda nas proximidades do Cetremi. “Saímos de casa às 16h30, com expectativa de pegar duas horas de congestionamento. Quando chegamos perto do Cetremi pegamos o primeiro retorno. O congestionamento já passava da rua da Cepol, faltavam 13 quilômetros até o autódromo. Depois de duas horas andamos apenas um quilômetro”, relatou.
Diante da lentidão extrema, o tenente chegou a cogitar alternativas para tentar chegar ao evento. “Cogitei voltar e pegar a moto para tentar chegar ou até mesmo ir a pé. Mas no final decidimos ir de carro mesmo, acreditando que próximo ao horário do show o trânsito iria fluir”, disse.
Enquanto permaneciam presos no congestionamento, o casal acompanhava as atualizações nas redes sociais. Foi quando perceberam que a própria banda estava atrasada e ainda não havia chegado ao local do show.
“A gente viu depois que o show ia atrasar, quando a banda passou por nós e estava atrasada. Esperávamos que desse tempo de chegar”, contou.
Mesmo com essa esperança, o trânsito continuou praticamente parado. Já por volta das 23h20, o casal ainda estava distante do local do evento. “Quando foi 23h20 da noite ainda faltavam seis quilômetros para chegar no autódromo. O show já tinha começado, já tinha quase uma hora e pouco de apresentação e a gente ia demorar pelo menos mais duas horas para chegar. Aí optamos por retornar”, relatou.
Segundo ele, além de perder praticamente todo o show, havia o receio de enfrentar ainda mais transtornos na saída do evento. “A gente ia chegar praticamente no final do show e depois ia ser o caos para voltar. Então fiz um retorno na rodovia e voltamos para casa”, afirmou.
O tenente também criticou a organização do fluxo de veículos e afirmou que a situação gerou desordem na rodovia. “Os PRFs que a gente passava estavam simplesmente de braços cruzados, não faziam nada. Um dos fatores que poderia ter ajudado era bloquear a rodovia e deixar o trânsito só para quem estava indo ao show”, opinou.
Ele também acredita que a organização do evento poderia ter agilizado o acesso ao estacionamento. “A própria organização precisava agilizar o estacionamento. Quem chegasse, entrasse e estacionasse mais rápido para liberar a rodovia”, disse.
Durante o congestionamento, o militar relatou ainda que muitos motoristas passaram a utilizar o acostamento, mesmo com risco de multa. “Tinha muita gente usando o acostamento. A nossa preocupação era usar o acostamento e ainda levar multa, que pode chegar perto de três mil reais”, explicou.
Segundo ele, a situação também gerou oportunidades para transporte improvisado. “Muita gente arriscou. Quem estava de moto começou a fazer corridas, cobrando R$ 100 para pegar o pessoal ali perto do presídio ou na entrada do Pedrossian e levar até o autódromo”, relatou.
Ao final da noite, além da frustração, ficou também o prejuízo financeiro. “Eu comprei o ingresso no primeiro lote, comprei o estacionamento também, paguei R$ 100 e não consegui nem chegar no autódromo. Foi muito semelhante ao que aconteceu quando inauguraram o autódromo, se não foi pior”, concluiu.
O militar afirmou que procurou a empresa organizadora por meio de contato via WhatsApp, porém não obteve qualquer resposta sobre um eventual ressarcimento.
PRF se posiciona sobre críticas e diz que operação foi planejada
Sobre os problemas relatados e as críticas feitas por motoristas que tentavam acessar o local do evento, a Polícia Rodoviária Federal se posicionou por meio de nota. A corporação informou que atuou de forma planejada e contínua durante o evento do show do Guns N' Roses, realizado às margens da BR-262, com foco na segurança viária e na organização do fluxo de veículos. Veja:
"A Polícia Rodoviária Federal (PRF) informa que atuou de forma planejada e contínua durante o evento do show do Guns N' Roses, realizado às margens da BR-262, com foco na segurança viária e na organização do fluxo de veículos.
Durante o planejamento prévio, a PRF participou de reuniões e analisou o projeto apresentado pela organização, que previa múltiplas vias de acesso aos estacionamentos, entradas simultâneas de veículos e fluxo contínuo.
No entanto, no dia do evento, verificou-se cenário distinto do planejado:
• - Houve apenas uma via efetiva de acesso aos estacionamentos, com entrada de veículos de forma individualizada, o que gerou retenção;
• - Foi implementado controle de acesso com leitura de QR Code na entrada, medida previamente desaconselhada pela PRF por provocar filas;
• - Não havia sinalização adequada para orientar os condutores, o que gerou paradas para busca de informação e contribuiu para o aumento do congestionamento;
• - A abertura dos estacionamentos ocorreu com atraso em relação ao horário divulgado, comprometendo a distribuição do fluxo ao longo do dia;
A PRF esclarece, portanto, que os principais pontos de retenção registrados não estavam relacionados à gestão do fluxo na rodovia, mas sim à capacidade de acesso e organização interna do evento. A instituição reforça que todas as suas ações, entre elas a flexibilização de deslocamento de pedestres e operação “pare e siga” nas saídas dos estacionamentos, foram pautadas em critérios técnicos e na preservação de vidas."
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Imagem / WhatsApp / JD1 



