Um movimento e coleta de assinaturas para com a intenção de melhorar a segurança pública e diminuir problemas causados pelo alto número de moradores de rua, no centro de Campo Grande, acontece amanhã às 9h na rua Barão do Rio Branco (em frente a uma ótica) entre a avenida Calógeras e rua 14 de Julho.
O crescimento da população de rua ocorre todos os meses e atualmente existem 1500 pessoas no entorno da área central.
Segundo o presidente da Câmara de Dirigentes Logistas (CDL), Adelaido Vila, a situação vai além da segurança pública, pois, os moradores são alvos fáceis do tráfico de drogas, logo, são aliciados e se tornam dependentes químicos causando delitos e prejuízos aos logistas e moradores do centro.
Ele explica que esteve à frente do Conselho Municipal de Segurança Pública por seis anos, e levantamentos apontaram que grande parte dessas pessoas vieram de outras cidades atrás de trabalho na capital. Foram praticamente enganados com ilusões de trabalho na construção civil e agricultura. Sem emprego, passaram a viver em situação de rua e quando as passagens de retorno foram oferecidas, muitos se recusaram, até pela questão da vergonha em retornar dessa maneira para casa.
“O objetivo não é fazer 'faxina social', não é nada disso. Temos que discutir de outra maneira, não é só questão de segurança pública. Não basta o policial ir até lá e expulsar ou prender. Eles são aliciados pelos traficantes e vão se tornando viciados. Em certos casos, o nível de dependência química está tão acentuado que somente a internação compulsória poderá resolver”, explicou.
Para o presidente da CDL, provocar a discussão sobre a saúde e internação compulsória é super necessário. Ele acredita que valores, bens bloqueados do tráfico de drogas devem retornar ao estado para que esses doentes sejam tratados em clinicas.
A intenção é que um projeto de lei seja elaborado, para que os moradores dependentes químicos possam ter uma chance de mudar de vida. “Na verdade a intenção é movimentar toda essa máquina e provocar soluções mais profundas, tratar o problema na raiz e isso é possível”.
Adelaido citou que além dos moradores assustados, várias empresas do centro, não estão abrindo a noite devido os grandes transtornos e até a população que antes frequentava bares e restaurantes deixou de comparecer em algumas áreas.
A organização da coleta de assinaturas está a cargo da CDL, Conselho de Segurança Pública Municipal e Rotary Clube. A meta é coletar cinco mil nomes para a realização de um projeto de lei a cargo do município com a chamada “Menos andarilhos, mais segurança” que visa até mesmo a internação compulsória para dependentes químicos da cidade.
O abaixo-assinado será entregue as autoridades municipais como o prefeito Marquinhos Trad, deputados, vereadores e Ministérios Público Estadual, Federal e do Trabalho.
Secretária de Assistência Social
Sobre o assunto a Secretaria Municipal de Assistência Social de Campo Grande disse em nota que serviços são ofertados 24 horas aos moradores de rua da capital. Existe a identificação, abordagem e encaminhamentos de pessoas que aceitam o atendimento ao Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop). No mês de janeiro, 188 pessoas foram atendidas no Centro POP, com volume mês de 285 atendimentos, pelo Serviço de Abordagem Social 237 atendimentos. Foram concedidas 45 passagens para transporte.
A nota diz ainda que todos os meses, a SAS realiza a Campanha “Onde a Esmola Acaba, o Direito Começa”, visando à sensibilização e divulgação social acerca dos serviços oferecidos pela Política de Assistência Social no Município de Campo Grande.
As abordagens nas Rodoviárias da capital (antiga e nova) foram intensificadas, além da sensibilização aos usuários que se encontram nos Pontilhões da Av. Ernesto Geisel.
A Secretaria explica que o público é flutuante, ou seja, para a Política de Assistência Social, o trabalho é caracterizado pela continuidade, sensibilização e perspectiva de transformações sociais, assim, o usuário do serviço é atendido em articulação com a rede socioassistencial e garantia de direitos, que está além de dados quantitativos.
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Logistas, Conselho de Segurança e população se preocupa com o número de dependentes químicos (Reprodução/ Internet)



