"Há uma pressão muito grande para que se produza algo que possa ser vendido e comprado, mas arte não é isso. O prêmio em Annecy [na França] mostra que ainda podemos sonhar com projetos autorais", afirmou à Folha.
Ao custo total de R$ 4,5 milhões, consumidos em seis anos de produção, a animação "Uma História de Amor e Fúria" começa em 1566, com o extermínio de índios por portugueses, e perpassa momentos históricos do país até chegar ao ano 2096, no qual o Rio vive sob controle de milícias e com o acesso à água potável cada vez mais difícil.
Os atores Selton Mello e Camila Pitanga dublam o casal de protagonistas, cuja história de amor serve de fio condutor da trama.
Com a vitória no principal festival de animação do mundo, será cedo para pensar no Oscar? "As coisas começaram a ficar de um tamanho que eu não conhecia. Agora que já aconteceu o impossível, que é ganhar em Annecy, tudo pode acontecer. Já temos até distribuidores dos EUA interessados no filme. Mas meu foco é que cada vez mais brasileiros assistam ao filme."
O longa estreou nos cinemas em abril passado e levou cerca de 32 mil pessoas (em oito semanas de exibição) às salas. Com o prêmio, o filme pode voltar ao cartaz.
"A gente já sabia que esse número nos cinemas seria baixo. Sonhávamos com 50 mil ou 100 mil espectadores. Poucos acreditaram no projeto. As pessoas torciam o nariz por se tratar de um filme nacional e de uma animação voltada para adolescentes e adultos", disse.
Bolognesi afirma ter paciência com o número de pessoas que assistiram ao longa.
"O filme está sendo descoberto aos poucos. Ao final, ele deve ser visto por uns dez milhões de pessoas, contando DVD, TV paga, TV aberta... Mesmo porque tem tudo a ver com o momento atual de manifestações pelo país, com o sentimento de que é preciso resistir, de que podemos escrever a nossa história."
Após o prêmio em Annecy, o diretor diz ter recebido dois convites por hora, em média, para levar o filme a outros festivais pelo mundo.
Mercado
Para Bolognesi, a animação no país está vivendo um momento de virada, na esteira da nova Lei da TV Paga (que criou cotas para conteúdo nacional em canais fechados), principalmente aquela voltada ao público infantil. E, com o crescimento acelerado, surgem os gargalos.
"Está muito difícil encontrar mão de obra de qualidade. Enfrentamos problemas graves de formação de profissionais: faltam escolas e cursos técnicos", disse.Reportar Erro
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