Milícias saquearam lojas e entraram em confronto com as forças de segurança durante a noite de ontem (17) na tumultuada região oeste da Venezuela, onde três soldados foram acusados nesta quinta-feira (18) de matar um homem que estava comprando fraldas para seu filho, segundo testemunhas. As informações são da Reuters.
As seis semanas seguidas de protestos contra o governo já resultaram em ao menos 44 mortes, e deixaram centenas de feridos e presos na pior turbulência do mandato de quatro anos do presidente Nicolás Maduro de 54 anos, sucessor do falecido líder populista Hugo Chávez.
Manifestantes estão exigindo eleições para derrubar o governo socialista que acusam de destruir a economia e de transformar a Venezuela em uma ditadura. Maduro diz que seus adversários estão tentando realizar um golpe violento.
França pede mediação internacional
Com o agravamento da crise na Venezuela, a França pediu hoje que seja estabelecida uma mediação regional ou internacional entre o governo do país e grupos de oposição para pôr fim a crescente violência na nação produtora de petróleo.
"Para a França, assim como para seus parceiros europeus, a prioridade é o fim imediato da violência por meio do apoio de uma mediação confiável regional ou internacional que tenha a confiança de ambos os lados --governo e oposição-- para ajudar a restaurar o diálogo e a estabilidade", disse o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Romain Nadal, à imprensa.
A embaixadora dos Estados Unidos para as Nações Unidas, Nikki Haley, advertiu ontem (17) que se a situação não for resolvida pode se agravar e levar a uma grande crise internacional como na Síria.
Capriles bloqueado
Em outro desdobramento da crise venezuelana, um dos principais oponentes de Maduro, o governador Henrique Capriles, disse hoje (18) que seu passaporte foi anulado quando ele estava no aeroporto de Caracas prestes a embarcar para as Nações Unidas, em Nova York, em uma viagem para denunciar as violações dos direitos humanos no país.
"Meu passaporte é válido até 2020, o que eles querem é evitar que a gente vá para as Nações Unidas", disse Capriles em um vídeo postado no Twitter. "Não vou poder viajar", acrescentou.
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