Os números de comercialização conquistados pelos produtores rurais atendidos em Paranaíba, pelo programa Hortifruti Legal, do Senar/MS – Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, demonstram a evolução do trabalho realizado com a produção de hortifruticultura. Em 2016, as famílias atendidas venderam juntas R$ 103 mil em maracujá, enquanto que nos últimos dois meses do ano (novembro e dezembro) comercializaram R$ 4,4 mil em tomate.
A expectativa para 2017 continua positiva já que foram plantadas cerca de três mil plantas de tomate (tipo salada) em três propriedades do assentamento Serra. Uma delas pertence a Marinez Barbosa da Silva que, depois de ter uma excelente experiência com o maracujá, resolveu intercalar o plantio com a cultura de tomate. “Com ajuda do nosso técnico, plantamos 300 covas e conseguimos colher 2,7 toneladas. Este ano aumentei para 800 plantas e, dentro de um mês, devo iniciar a colheita, minha expectativa é a melhor possível”, declara a produtora que colheu mais de quatro toneladas de maracujá no ano passado.
Segundo o técnico de campo responsável pelo atendimento, Flávio Correia, os resultados conquistados foram possíveis, em razão do comprometimento das famílias e da pesquisa inicial feita no comércio da região, possibilitando que a produção fosse escoada para um comprador certo. “Quando os assistidos comprovaram o aumento da produtividade e a qualidade das culturas ficaram mais animados em investir. Para este ano, a estimativa é produzir sete toneladas, já que foram plantados 28 mil pés de maracujá. Além disso, estão em andamento cultivos de tomate, repolho e melancia”, detalha.
De acordo com a gestora do departamento de Assistência Técnica e Gerencial do Senar/MS, Mariana Urt, o desempenho de produtividade e comercialização alcançado em todas as regiões é decorrente da metodologia aplicada pela equipe técnica. “Com estudos de solo, clima e pesquisas de mercado estamos traçando um ‘mapa’ das especialidades de cada região. Além disso, há o planejamento de plantio que atende a principal demanda dos compradores locais: qualidade, frequência variedade”, argumenta.
Sem medo de mudar
O produtor familiar Paulo Alves Dias mora há 19 anos na localidade e conta que sempre atuou na pecuária de leite. No entanto, os altos custos com a produção e a falta de alguém que o ajudasse na lida diária fizeram com que investisse na produção de maracujá. “Aceitei o desafio e, com ajuda do Flávio, comecei com 120 plantas que renderam 3,5 toneladas, trabalhando sozinho. Fiquei muito satisfeito e plantei mais 200 mudas que devem render o dobro de volume”, confidencia.
Questionado se achou difícil a mudança de atividade, o aposentado é categórico: “Todo trabalho precisa de dedicação para ter destaque e não tenho preguiça de trabalhar. Meu dia começa bem cedo e sigo todas as recomendações técnicas feitas mensalmente. Por isso fico orgulhoso de ter conquistado a segunda melhor produção do grupo, já que a média da colheita foi 30 quilos por planta”, acrescenta animado.
A agente comercializadora do Hortifruti Legal, Alana Neto, é a responsável pela pesquisa de mercado e conta que em todas as localidades que visita, os comerciantes demonstram animação com a possibilidade de comprar produtos cultivados dentro do Estado. “Intermediamos o contato dos produtores assistidos com supermercados, restaurantes e fábricas de processamento de alimentos, como em Aparecida do Taboado, que comprou toda a safra de maracujá produzida ano passado. Este trabalho é importante, pois, divulga para população o que é produzido localmente, e os produtores sentem mais segurança em planejar uma lavoura, analisando antecipadamente quanto terá que plantar para atender ao comprador direto”, considera.
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