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Coronavírus mata três irmãos em um mês

Duas das vítimas podem ter se infectado enquanto acompanhavam a irmã no hospital

23 julho 2020 - 15h15Sarah Chaves, com informações do G1    atualizado em 23/07/2020 às 15h32

Os irmãos Carmem Gomes Pereira, de 62 anos, a servidora pública Estela Pereira, de 47, e o empresário Helênio Pereira, de 66, morreram vítimas do coronavírus com semanas de diferença, em Goiânia.

Ao todo, cerca de 30 pessoas da família foram contaminadas pelo novo coronavírus, mas nem todos precisaram ser hospitalizados.

Nas redes sociais, Helena Francisca, filha de Carmem relatou como a doença devastou a família. “Ela chegou sorrateiramente, sem que ninguém percebesse e se instalou, e foi levando minha mãe e meus tios no intervalo de 15 em 15 dias. Sabe quem é ela? Sabe quem está dizimando a minha família? É ela, mesma, a Covid-19. O coronavírus é real e pode ser mortal. Infectou mais de 30 pessoas do meu círculo familiar e de amizades, inclusive a mim. Uns foram assintomáticos, outros evoluíram para o óbito”, contou.

Contaminação

A primeira dos irmãos a falecer foi Carmem, no dia 19 de junho, em Goiânia. Exatamente 15 dias depois, a irmã mais nova - Estela - faleceu no dia 5 de julho, no Hospital Garavelo, em Aparecida de Goiânia. Já Helênio ficou doente na capital goiana, mas faleceu no Hospital de Campanha de Marabá, no Pará, no último domingo (19).

De acordo com Helena, a mãe tinha câncer de mama com metástase óssea e, por isso, fazia tratamento no Hospital Araújo Jorge. No dia 5 de junho, Carmem fraturou o fêmur e precisou ser internada para fazer uma cirurgia. No entanto, o procedimento só ocorreu cinco dias depois.

“Ela estava bem, tirando o câncer e o fêmur. Ninguém apresentava sintoma nenhum. Só que a cirurgia do fêmur só foi acontecer no dia 10. Então, entre esses dias que ela ficou no hospital esperando a cirurgia, o estado de saúde dela foi piorando”, contou.

Sete dias após fazer a cirurgia, a mãe foi liberada para voltar para casa, no dia 17 de junho, mesmo apresentando sintomas respiratórios. Ela faleceu dois dias depois a caminho do hospital.

“O que chamava a atenção é que o local [do corpo] onde fez a cirurgia estava tudo bem, mas os problemas respiratórios começaram a aparecer, e a gente falava para os médicos e eles falavam que não era nada, que era porque ela estava deitada há muitos dias e que tinha líquido no pulmão. Eles deram alta, mesmo ela estando no oxigênio, e não fizeram nenhum exame da Covid-19”, relatou.

“A oxigenação dela abaixou bastante, e a gente tentou retornar com ela para a emergência do Araújo Jorge e ela faleceu no caminho. Chegando ao local, mesmo com ela já falecida, eles não quiseram, novamente, fazer o exame, e colocaram no atestado de óbito o câncer dela, que não foi o que levou ela à morte, e colocaram insuficiência respiratória”, disse.

Após a morte de Carmem, como não havia uma suspeita oficial de coronavírus e no atestado de óbito não constava Covid-19, foi realizado um velório aberto, ocasião na qual Helena acredita que parte dos parentes tenha sido contaminada pela doença. A consultora crê que os demais familiares infectados tenham se contaminado durante o revezamento de acompanhantes de Carmen no hospital.

 

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