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Cresce alerta para epidemia de dengue em 2016 em MS

16 novembro 2015 - 17h52

Cerca de 390 milhões de pessoas são infectadas por ano com o vírus da dengue, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), motivo pelo qual a doença é considerada um grave problema de saúde pública. Por isso, as autoridades de Mato Grosso do Sul e de Campo Grande começam a discutir o tema para tentar evitar uma epidemia em 2016.

A Assembleia Legislativa realizou na última quinta-feira (11) a audiência pública “Estudos e Avanços no Controle da Epidemia da Dengue em Mato Grosso do Sul”, proposta pela presidente da Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, deputada Mara Caseiro. “O crescimento da doença muito nos preocupa, pois sabemos que prevenir é melhor que remediar e queremos evitar mais mortes”, ressalta a deputada.

Para respaldar sua preocupação com um avanço significativo da doença no próximo ano, Mara Caseiro apresentou dados relevantes fornecidos pela Secretaria Estadual de Saúde. Somente este ano, já foram registrados 31.512 casos de dengue em todo o Estado e uma epidemia pode ocorrer no próximo ano.

Ao todo, 13 óbitos por dengue foram confirmados, sendo três em Dourados. Os números assustam em comparação ao ano anterior, quando foram registrados 9.256 casos.

Para a superintendente estadual de Vigilância em Saúde, Ângela Cunha Castro Lopes, é preciso mudar a cultura de responsabilizar apenas o poder público pela infestação de dengue. “Não adianta saber como prevenir a proliferação do mosquito e não agir, pois é como ser hipertenso e reclamar pelo remédio sem agir cortando o sal. Uma epidemia só pode ser evitada se todos agirmos em conjunto”, alerta.

A alta incidência de vetores foi constatada em 67 municípios de Mato Grosso do Sul e a Secretaria Estadual ainda alerta que um mosquito fêmea infectado pelo vírus pode produzir mil ovos, que resistem até 450 dias à espera de água para eclodir.

Campo Grande

Em 2013, Campo Grande atendeu cerca de 1.500 pacientes por dia nas Unidades Básicas de Saúde decorrentes da epidemia de dengue, segundo o secretário municipal de Saúde, Ivandro Fonseca.

“Constatamos que 38% desses pacientes eram oriundos do centro da cidade, ou seja, não são só os terrenos baldios que estão mal cuidados. Estamos correndo contra o tempo com as ações preventivas, com auxílio do Exército e autorizações do Tribunal de Justiça para obrigar as pessoas a colaborar e abrir as casas para os agentes de saúde, para quando chegarmos no período de chuvas, de janeiro a abril, a situação estar controlada”, afirma, destacando que a população precisa estar alerta e ajudar para evitar uma nova epidemia em 2016.

Ações

O prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, se reuniu na última terça-feira (10) com equipes do Exército brasileiro para viabilizar uma parceria com o 9° grupamento de Saúde para ajudar a combater uma possível epidemia de Dengue, que está prevista para o inicio de 2016. “Essa parceria que estamos firmando com o Exército Brasileiro é muito importante para a população de Campo Grande. O Exército tem pessoas com muita expertise em várias áreas e, principalmente, em saúde pública em momento de guerra. Temos que fazer com que a sociedade entenda que a dengue é um problema nacional e temos que trabalhar com a prevenção e com o apoio do Exército vamos minimizar o impacto da epidemia prevista pelo LIRAa [Levantamento de Índice Rápido do Mosquito Aedes aegypti]”, explica Bernal.

Segundo o coronel José Roberto de Melo Queiroz, essa parceria entre o Exército e a prefeitura de Campo Grande já ocorreu diversas vezes não só na capital, mas também em várias cidades do país. “Na realidade foi o primeiro encontro da prefeitura com o Exército para sabermos quais são as necessidades e, numa próxima reunião, vamos ver como o Comando Militar do Oeste pode ajudar nas ações. Precisamos ainda ver a viabilidade real de apoiarmos, como já fizemos em anos anteriores”.

De acordo com o titular da Coordenadoria de Controle de Epidemias Vetoriais, Alcides Ferreira, é realizado durante todo o ano o trabalho de visitas domiciliares por agentes de saúde, para verificar se há foco de dengue nas residências e orientar sobre a prevenção da doença. “Quando existem regiões com alto número de incidência da doença ou de focos do mosquito, fazemos o uso do fumacê”, pontua.

Ele acrescenta que já existe um Comitê de Mobilização contra a dengue, que já teve sua primeira reunião e deve definir o presidente nesta segunda-feira (16), mas reforça que a principal forma de prevenir a doença é controlando o vetor. “Essas ações contribuem, sim, para evitar a epidemia, mas precisamos de todo o apoio da sociedade. A população precisa cuidar para não dar condições de o mosquito se reproduzir. O último LIRAa apontou que 86% dos focos do mosquito foram encontrados em domicílios. As pessoas precisam se conscientizar que precisam evitar objetos que acumulem água”, afirma.

Alcides explica, ainda, que um dos agravantes do aumento de casos de dengue em Campo Grande é o acúmulo de lixo nas ruas da cidade em razão da paralisação da coleta de lixo. “Muitas pessoas, por conta da interrupção da coleta, acabou jogando esse lixo na margem de córregos e em terrenos baldios”.

Segundo o coordenador, do início do ano até hoje foram 6.325 notificações e 2.684 casos confirmados de dengue, com quatro casos graves e duas mortes.

Sobre a dengue

Segundo o Ministério da Saúde, a dengue é transmitida pelo mosquito Aedes Aegypti, ao picar o homem. A primeira manifestação da dengue é a febre alta (39 a 40°C) de início abrupto que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e prurido cutâneo.

 

 

 

Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. O tratamento deve ser indicado por um médico. O Aedes aegypti também é responsável pela transmissão de chikungunya, zika vírus e febre amarela.

Estudos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) ainda revelam que há um vetor secundário do vírus do dengue, o Aedes Albopictus, também transmissor das outras três doenças.

A prevenção da proliferação do mosquito deve ser feita com: o descarte correto de lixos, em sacolas fechadas; evitar água parada em vasos de plantas, colocando areia; limpar a bandeja de ar condicionado; lacrar caixas d’água; remover sujeiras de calhas; lavar recipientes de águas de animais e trocar a água todos os dias; guardar pneus em locais cobertos, entre outros.

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