Líder na exportação de carne bovina e de frango, o Brasil está prestes a se tornar um dos pólos internacionais de produção de pescado, com Mato Grosso do Sul a frente desse cenário. Isso porque, a empresa Tilabras aguarda a resposta da União a um pedido de concessão para explorar superfície fluvial no Rio Paraná pelo período de 20 anos, renováveis por mais 20. A autorização é necessária para a construção do maior frigorífico de tilápia do mundo, que será instalado no município de Selvíria, localizado a cerca de 70 quilômetros de Três Lagoas, na Costa Leste do Mato Grosso do Sul.
A empresa Tilabras aguarda resposta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre o pedido de concessão para poder operar o empreendimento. Nesta quinta-feira (10), a senadora Simone Tebet e o deputado estadual por MS, Eduardo Rocha, estiveram reunidos com técnicos do ministério para tratar sobre a liberação da licença. Contudo, segundo a senadora, o corpo técnico pediu 40 dias para se debruçar sobre o caso e dar uma posição oficial.
O início do projeto prevê a injeção de U$ 51 milhões, o equivalente a mais de R$ 150 milhões na atividade em Mato Grosso do Sul. A empresa é fruto da parceria entre uma das maiores produtoras de tilápia do mundo, a americana Reagal Springs, e a brasileira Axial. Atualmente, a tilápia é a espécie mais criada no Brasil, representando 45,4% do total nacional. Dados do Ministério do Abastecimento apontam que a produção da espécie aumentou 9,7% em relação a 2014.
O secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento, Jaime Verruck, explica que o estado detém a tecnologia na produção de peixes e busca convertê-la em maior produtividade com atração de novos empreendimentos.
“Em relação à produção de carnes, Mato Grosso do Sul ainda tem um potencial de crescimento fantástico na área da piscicultura, com excelente tecnologia, seja na produção de peixes nativos ou exóticos, como é o caso da tilápia. Nossa expectativa é muito grande para esse novo frigorífico, uma vez que o potencial de produção de tilápia no rio Paraná está só começando. Nós já atraímos o investimento que será instalado no município de Selvíria. Temos água, espaço e muita capacidade empreendedora. Aguardamos ansiosos a decisão do Ministério sobre a concessão”, afirma Jaime.
Em 2015, a empresa recebeu Licença Prévia (LP) do governo do Estado para instalação de 821 tanques rede para produção de tilápias no município. De lá pra cá, o diretor internacional da Tilabras, Sylvio Santoro Filho, já se reuniu com a prefeitura de Selvíria, Governo de MS e parlamentares estaduais e federais do Estado.
Produção
A aquicultura brasileira atingiu um valor de produção de R$ 4,39 bilhões em 2015, com a maior parte (69,9%) em criação de peixes, seguida pela criação de camarões (20,6%), segundo a Pesquisa Pecuária Municipal 2015, divulgada nesta quinta-feira, 29, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção total de peixes da piscicultura brasileira foi de 483,24 mil toneladas em 2015, um aumento de 1,5% em relação ao ano anterior.
Ao todo, no país foram registradas 219,33 mil toneladas despescadas. Em Mato Grosso do Sul, a produção chegou a quase 5 mil toneladas. O Brasil é detentor das maiores reservas de água doce do mundo.
Concessão
O rio Paraná é considerado um dos biomas mais adequados para a produção de tilápias em cativeiro, porque suas águas são muito limpas e o nível de corrente é adequado. Os investimentos da empresa preveem:
1) Uma incubadora com capacidade de produção de 15 milhões de alevinos/mês em dois anos, com desenvolvimento de linhagens próprias;
2) Fazenda de engorda com licença de 600 hectares de espelho d’água no Rio Paraná, em Selvíria, Mato Grosso do Sul, com capacidade de produzir 100 mil toneladas/ano em cinco anos com início das atividades previstas para 2017.
3) Frigorífico e fábrica de farinha de peixe, com quatro módulos e capacidade de abate de 25 mil toneladas/ano, em dois turnos, chegando a 100 mil toneladas/ano no quinto ano, além da capacidade de produção de 32 mil toneladas de filé de tilápia/ano e 25 mil toneladas de farinha e óleo de peixe;
4) Fábrica de ração composta por quatro módulos de capacidade de 40 mil toneladas/ano, em dois turnos, chegando no quinto ano a sua capacidade a 160 mil toneladas/ano, com incubadora, engorda, frigorífico, fábrica de farinha de peixes e fábrica de rações;
A expectativa é que as obras comecem em 2017 e em julho já se inicie a incubadora de peixes. A projeção é de que até 2020 se atinja a primeira fase de produção com 25 mil toneladas anuais. Quando a fábrica estiver em completamente montada, a produção deve saltar para 100 mil toneladas de tilápia por ano, gerando um faturamento anual de R$ 1 bilhão com incremento de 30% na produção brasileira de tilápia.
Novos postos de trabalho
A geração de empregos é outro fator preponderante do investimento. Inicialmente a operação deve absorver 700 trabalhadores. Em fase plena de operação, o frigorifico pretende contratar 1,8 mil funcionários diretos. Além disso, há estimativa de um grande número de empregos indiretos, gerados por prestadoras de serviços.
A empresa também tem a proposta de estimular os pequenos e médios produtores, uma vez que em um segundo momento, quando o frigorífico estiver funcionando com capacidade 100%, além de absorver a produção própria, a empresa pretende adquirir parte da produção de terceiros.
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