A promotora de Justiça Luciana Rabelo afirmou nesta quarta-feira (27), durante julgamento na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Capital, que João Augusto Borges de Almeida agiu “premeditadamente” ao matar a companheira, Vanessa Eugênia Medeiros, de 23 anos, e a própria filha, Sophie Eugênia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses.
O crime ocorreu em 26 de maio de 2025 e causou forte comoção em Campo Grande, com repercussão nacional pela brutalidade do caso, visto que, após matar as vítimas, o acusado ainda ateou fogo nos corpos na tentativa de ocultar os cadáveres.
Durante a sustentação oral diante dos jurados, a promotora rebateu a tese defensiva de possível problema mental do acusado e classificou o depoimento prestado por ele nesta quarta-feira como “amnésia seletiva”. “Ele não é perturbado mental”, afirmou Luciana Rabelo aos jurados.
Segundo a representante do Ministério Público, o acusado teria planejado o assassinato da companheira e da filha para evitar responsabilidades financeiras e familiares. “Se eu matar só a Vanessa eu vou ter que pagar pensão...”, disse a promotora ao relatar o que seria a linha de raciocínio utilizada pelo réu antes do crime.
Para o Ministério Público, o acusado busca retirar a acusação de feminicídio para tentar reduzir a eventual pena, tese que, segundo a promotora, não deve ser acolhida pelos jurados.
Ainda na acusação, Luciana Rabelo afirmou que o acusado matou primeiro Vanessa, na frente da bebê, e depois assassinou a própria filha. Durante o julgamento, a promotora exibiu aos jurados fotografias da casa da família, incluindo os sapatinhos da bebê organizados no imóvel, ressaltando que Vanessa cuidava “com carinho e amor” da filha.
A promotora também detalhou que Vanessa teria tentado escapar da morte enquanto sofria um golpe “mata-leão” aplicado pelo acusado. Conforme a tese apresentada ao Conselho de Sentença, a vítima chegou a morder o dedo do réu, causando sangramento, mas não conseguiu fugir.
Na sequência, segundo a acusação, o acusado matou a filha do casal. Luciana Rabelo ainda destacou o depoimento de um colega de trabalho de João Augusto Borges de Almeida.
Conforme narrado em plenário, a testemunha afirmou que o acusado vinha comentando durante o expediente sobre “passar” a esposa e a filha, o que, para a promotoria, reforça a premeditação do crime.
O caso segue em julgamento na 2ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, presidido pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos. A defesa deve sustentar a desclassificação dos feminicídios, buscando afastar as qualificadoras e reduzir a pena do acusado.
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Promotora fala em feminicídios - Foto: Vinícius Santos | JD1 



