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No papel de proteger as mulheres, Neidy foi a 1ª em MS a alcançar cargo alto de uma corporação

Atuando como coronel, carregar a patente é muito mais que pelo comando institucional, significa responsabilidade e simbolismo

01 março 2026 - 10h39Luiz Vinicius     atualizado em 01/03/2026 às 12h42

Para uns, Neidy Nunes Barbosa Centurião, para outros, é Coronel Neidy, e para mais alguns, é a primeira mulher de Mato Grosso do Sul a alcançar o mais alto posto da corporação da Polícia Militar. A trajetória dela é mais que uma história de ascensão profissional, é um marco na luta por espaço, reconhecimento e igualdade.

De origem simples e humilde, Neidy é natural da cidade de Coxim, a 253 quilômetros da capital sul-mato-grossense, que ela adotou como casa e aos 17 anos, ela conquistou o direito de ingressar na “gloriosa”, como é carinhosamente chamada a Polícia Militar. Construindo seu espaço dentro da corporação, a recompensa veio em 2020: promoção para o cargo de coronel. Mérito, esforço, resiliência e propósito. E o que significa estar nesse cargo? Para Neidy, muito mais pelo comando institucional, significa responsabilidade e simbolismo.

“Represento mulheres que abriram caminhos antes de mim e aquelas que ainda estão começando. Ser mulher em um espaço historicamente masculino é exercer liderança com firmeza e sensibilidade. É provar que competência não tem gênero. É comandar tropas sem abrir mão de ser mãe, filha e mulher. Meu compromisso é conduzir a segurança pública com técnica, estratégia e, sobretudo, humanidade. Servir e proteger é nosso lema — e eu acredito profundamente em uma liderança que une autoridade e empatia”.

No mês dedicado internacionalmente às mulheres, sua conquista ganha ainda mais significado, pois a presença feminina na corporação, destaca, não necessariamente uma substituição, mas sim um complemento. “Nosso foco é salvar vidas. Trabalhamos na prevenção, no atendimento humanizado, no cumprimento rigoroso das medidas protetivas e na resposta rápida às ocorrências. Meu olhar é atento e determinado para que nenhuma mulher se sinta sozinha. A segurança pública também é instrumento de justiça social”.

No entanto, como toda profissão, há suas barreiras e desafios. E por ser mulher, em um espaço historicamente dominado por homens, exercer a função mexe ainda mais com os brios. Na avaliação de Coronel Neidy, as barreiras não estão apenas nas instituições, estão na cultura da sociedade, o que mostra que a luta por equidade e respeito ainda é diária.

“Mas cada mulher que ocupa um espaço de liderança rompe um paradigma. Cada conquista amplia possibilidades para as próximas gerações. Não buscamos privilégios, buscamos igualdade de oportunidades e reconhecimento pela competência. A transformação acontece pela presença, pelo exemplo e pela perseverança”, pontua.

Por ser mulher e estando em um cargo de alto escalão, ela também demanda atenção a um assunto delicado e que é noticiário praticamente todos os dias: violência por ser mulher, violência doméstica, além de tantos outros crimes que as mulheres sofrem, como perseguição, assédios, estupros.

A coronel explica que o enfrentamento à violência contra a mulher é uma das pautas mais urgentes e afirma que a atuação da Polícia Militar é permanente e integrada com outros órgãos da rede de proteção. Porém, ela entende que é necessário fortalecer essa luta para que se rompa o silêncio e que todas as mulheres consigam denunciar os agressores.

“A violência contra a mulher é uma das pautas mais sensíveis e urgentes da segurança pública. A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul tem atuação firme e permanente na proteção às vítimas, em integração com o Judiciário, Ministério Público, Polícia Civil e toda a rede de proteção.

E ela completa. “Precisamos fortalecer, cada vez mais, o encorajamento para que a mulher rompa o silêncio. Nenhuma vítima deve se sentir refém do medo ou da dependência emocional e financeira. A rede de proteção precisa atuar de forma integrada, ágil e acolhedora. O atendimento humanizado é fundamental para que essa mulher se sinta segura para denunciar e reconstruir sua vida. As forças policiais estão preparadas. Mas é essencial que a sociedade também se mobilize. Combater a violência doméstica é uma responsabilidade coletiva.

Ao olhar para trás, a coronel define sua trajetória como um misto de gratidão e compromisso contínuo. “É um misto de gratidão e responsabilidade contínua. Saí de uma realidade simples no interior de Mato Grosso do Sul, enfrentei a academia de polícia ainda muito jovem, distante da família, e trilhei cada etapa com disciplina e fé”.

Ela aponta que o trabalho é árduo, mas que a missão não termina com uma promoção, reforça a atuação para proteger as mulheres, sendo uma delas em um cargo tão importante e com uma missão: lutar por menos violência doméstica, menos feminicídio e mais segurança para mulheres e crianças.

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