Nos anos de 1993 e 1994, o sistema de loterias brasileiro esteve no centro de um grande escândalo político, registrado nos anais da chamada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Orçamento, conhecida como “Anões do Orçamento”.
O esquema envolvia fraudes em orçamento e corrupção, e um dos deputados citados na época foi João Alves (BA), que renunciou ao mandato em 1994 para evitar a cassação. Alves alegava que seu elevado patrimônio se devia a ganhos frequentes em loterias, chegando a afirmar ter recebido mais de 200 prêmios.
Suspeitas de lavagem de dinheiro também surgiram. Notícias veiculadas à época relatavam que parte do esquema poderia ter utilizado bilhetes premiados comprados de terceiros, uma prática que dificultava investigações, já que o verdadeiro apostador não precisa ser identificado pela Caixa Econômica Federal.
João Alves morreu em 2004, sendo lembrado como um dos quatro deputados que renunciaram para evitar processos de cassação durante o escândalo.
Anos mais tarde, em 2017, o Senado Federal apresentou o Projeto de Lei n° 412, de autoria do Senador Paulo Bauer (PSDB/SC), que propunha a obrigatoriedade de divulgação de dados cadastrais de ganhadores de prêmios de loteria — incluindo nome, CPF e domicílio — no prazo máximo de 90 dias após o sorteio.
A proposta visava aumentar a transparência e dificultar a utilização de loterias em esquemas ilícitos, mas sua tramitação foi encerrada e a proposição arquivada ao final da legislatura.
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Deputado João Alves, líder do esquema de fraudes - (Foto: Sérgio Marques/Ag. O Globo)


