Uma pandemia como a do novo coronavírus (Covid-19), acaba “chacoalhando” a vida de todo mundo. Isolamento social, medo, incerteza com o futuro, mudança no ritmo das relações sociais. Esses e outros fatores podem culminar em transtornos como depressão e ansiedade (ou mesmo em brigas, divórcios etc).
Levando em conta a saúde mental, a reportagem do JD1 Notícias entrevistou o psicólogo Julio Furlaneto, especialista em orientação psicológica online, uma das demandas necessárias aos pacientes, principalmente em tempos de quarentena. “Qualquer desconforto que já existia anteriormente pode se potencializar com as limitações advindas de uma quarentena”, explica o especialista em uma das suas abordagens. Confira abaixo a entrevista.
Qual é o principal risco nesse momento de pandemia e isolamento social para o agravamento do suicídio? O isolamento social baseado em uma pandemia gera um medo coletivo. A pessoa entra em contato com um risco real que pode colocar sua saúde e bem-estar em prejuízo, bem como das pessoas que ama. Além disso, a possibilidade de morte em alguns casos.
Fora essa repercussão coletiva que afeta mais uns e menos outros, mas se faz real, tem o isolamento por si só. O isolamento causa uma limitação de possibilidades. Você pode observar pessoas que tinham problemas familiares em casa tendo mais danos nesse momento. Outras que estavam com problemas financeiros encontrando mais dificuldades.
Também as que tiveram que pausar atendimentos e tratamento na área da saúde tendo prejuízo. Qualquer desconforto que já existia anteriormente pode se potencializar com as limitações advindas de uma quarentena.
Quais ferramentas podem ser utilizadas para prevenir o suicídio? Conscientização e bom uso de informações. Conscientização é falarmos sobre. Abrirmos espaço para falar sobre saúde mental e emocional começando dentro de casa, com os mais próximos. Em seguida disso, disposição para facilitar a possibilidade de acompanhamento psicológico e/ou psiquiátrico.
Boa parte dos psicólogos hoje estão atendendo online para ajustar à nova realidade. As consultas virtuais são legalizadas pelo Conselho Federal de Psicologia desde 2012. Desde então, já iniciei os meus atendimentos nesse caráter.
Jovens e idosos são os principais afetados pela depressão, doença essa que pode acarretar no suicídio. Como os familiares podem ajudar neste momento de distanciamento? Para um familiar ajudar é preciso entender. É muito difícil para alguém que não passa por alguma patologia, saber o que realmente é isso. O jeito mais fácil de entender é participar, perguntar, ouvir e ajudar. Participar no sentido de permitir a pessoa com dificuldade ser ela mesmo estando ao lado dela. Perguntar para saber o que realmente a pessoa está percebendo, para que você não se perca no próprio julgamento e acabe piorando a situação.
Ouvir para que essa pessoa tenha espaço dentro da própria casa para expressar a dificuldade que está encontrando, e que ela possa se sentir confortável nessa tarefa, sem ter que omitir a dor e sofrimento que tem passado, o que piora em muito vários casos clínicos. Ajudar é a disposição real. Se colocar presente em atividade, ação no que for necessário que possa interferir positivamente no dia dessa pessoa que está em um grupo de risco.
As ferramentas como Instagram, WhatsApp, Facebook, podem ajudar a aliviar no isolamento dessas pessoas? Depende. Podem ajudar, bem como poder piorar. Depende do tipo de informações que essa pessoa escolhe acessar nas redes sociais e quais interações tem. Exemplo: tem muita gente que está gastando tempo demasiado vendo notícias ruins sobre a covid-19 e suas consequências diretas e indiretas, mas não tira nenhum proveito de ação positiva disso. Acaba gerando uma mal-estar potencializado sem nenhuma ação melhor, positiva e benevolente que possa influenciar a própria vida e dos mais próximos de maneira positiva.
Agora você pode usar as mesmas redes para aprender coisas novas, interagir com pessoas que tenham bons interesses e te agreguem algum valor, bem como você a elas. Encontrar alegria, lazer em algum tipo de conteúdo que seja de seu agrado, e etc.
Em relação ao agravamento da depressão pelo distanciamento, o medo da pandemia pode acarretar em outras patologias, como síndrome do pânico e stress pós-traumático? Com certeza. Um termo que nós da área da saúde estamos habituados em lidar é “comorbidade”, que significa exatamente isso. É quando a pessoa desenvolve uma outra doença através da primeira. É só imaginar que uma pessoa com depressão, por exemplo, está mais fragilizada do que uma pessoa saudável mental e emocionalmente. Essa condição frágil pode deixa-la mais suscetível a desenvolver outro quadro clínico.
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“Qualquer desconforto que já existia anteriormente pode se potencializar com as limitações advindas de uma quarentena”, diz Furlaneto (Instagram/Arquivo Pessoal)



