O Mato Grosso do Sul viu ameaçado, nos últimos dias, seu status de exemplo nacional para o combate ao novo coronavírus (Covid-19). Não é diferente na capital, Campo Grande, e, o fator principal está na desobediência às medidas estabelecidas pelas autoridades de saúde, principalmente quanto ao isolamento social.
O Estado, na semana passada, já superou a marca de 100 mortes pela doença. Campo Grande completaria um mês, sem óbitos por coronavírus, ficando um bom tempo com apenas oito vítimas fatais do Covid-19, número dobrou na última semana com os resultados de exames.
O secretário de Estado de Saúde, Geraldo Resende, falou sobre a taxa de letalidade do vírus no MS. “Quem acompanha diariamente as nossas lives, pode perceber um número expressivo de mortes por coronavírus. Nossa taxa de letalidade é a menor do país e essa pouca contribuição que estamos tendo aqui no Mato Grosso do Sul, de parte da população que teima em não nos atender quanto ao isolamento e medidas de combate, está fazendo com que, dia após dia, tenhamos, ao lado do número de óbitos que aumenta, a taxa de letalidade também aumentando. Se a poucos dias era de aproximadamente 0.9% o número de casos confirmados, hoje, já ultrapassamos a marca de 1.1% do grau de letalidade”, informou.
Para o secretário, o comportamento de parte da população vai colaborar para que o Mato Grosso do Sul tenha, proporcionalmente, o maior índice de mortalidade por Covid-19, se comparado a outros estados. “A contribuição da nossa gente está sendo horrorosa e criminosa. Não adianta ficar fazendo apelo, mas como disse um escritor: ‘Estamos pregando num deserto’”, afirmou.
Campo Grande mantém bom número de letalidade se comparada às outras capitais brasileiras, mas o comportamento dos cidadãos é preocupante. O prefeito Marquinhos Trad destaca que a taxa de isolamento da cidade já foi melhor e, hoje, apresenta, em média, de 36% a 40%, o nível satisfatório da OMS é de 70%. “Aí questionamos, porque as pessoas perderam o medo do coronavírus e passaram a sair das suas casas e desobedecerem ao decreto. A justificativa de alguns é de que, as medidas tomadas antecipadamente, nos livraram do vírus e não é verdade. As medidas adotadas ajudaram a não ter um colapso na saúde pública. Nós colhemos resultados e estamos colhendo, como a capital com menor percentual de óbitos do Brasil, com quatro meses de pandemia”, disse o prefeito.
Outro ponto levantado pelo prefeito é de que algumas pessoas acreditam que o pico da doença já passou por Campo Grande. “O vírus é uma novidade até para os cientistas”, disparou. Marquinhos citou análises de especialistas sobre como o vírus pode se comportar neste período de inverno. Temperatura alta durante o dia e queda durante a noite é um prato cheio para a velocidade do avanço da doença, considerou o prefeito. “Se já estamos com esses ingredientes, porque não usá-los a nosso favor? Porque desobedecer aos decretos? É apenas um período, será que não podem ajudar a nossa cidade?”, questionou.
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O secretario de Saúde, Geraldo Resende e o prefeito de Campo Grande, Marquinhos Trad (Reprodução/Internet)


