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Chineses querem investir em aeroportos e ferrovias no país, diz CNI

14 maio 2011 - 06h31G1

A delegação de cerca de 60 empresários chineses que veio ao Brasil atrás de oportunidades de novos negócios manifestou interesse em participar em projetos de infraestrutura do governo brasileiro como o trem-bala, que ligará o Rio de Janeiro a São Paulo, e as futuras concessões para construção e administração de aeroportos.

O interesse foi manifestado à Confederação Nacional da Indústria (CNI) e à Apex-Brasil, que estão organizando a agenda de encontros entre empresários chineses e brasileiros.

“Esses sinalizaram que tem interesse em participar desse mercado e desses investimentos em aeroportos, rodovias, ferrovias, e construção de equipamentos voltados para Copa do Mundo e Olimpíadas”, disse Robson de Andrade, presidente da CNI. “Sabemos que eles estão interessados tanto no trem-bala quanto nos aeroportos. Tanto do ponto de vista de colocação de recursos como de participação no empreendimento”.

Segundo o presidente da Apex-Brasil, Maurício Borges, os chineses têm interesse em participar tanto com aporte de recursos nos fundos de investimentos voltados para esses projetos como concorrendo diretamente nos leilões de concessões. “Eles vêem o Brasil como oportunidade e não só em minérios e em segmentos de pouco valor agregado. Eles querem investir em setores de tecnologia e infra-estrutura e buscar parcerias”, afirmou.

Não queremos investimentos apenas naquilo que já somos muito competentes como é o caso dos minérios e da agroindústria. Queremos que ele venham com recursos para investir na nossa infraestrutura e na indústria de base tecnológica”Robson de Andrade, CNIAs empresas chinesas manifestaram ainda interesse em desenvolver no Brasil parcerias para projetos de energia aeólica, de construção civil, agricultura, mineração e petróleo. “Desde o ano passado, já investimos no exterior US$ 90 bilhões e esses investimentos vão aumentar muito nos próximos quatro, cinco anos”, disse Liu Zuo Zhang, diretor geral da China Investment and Promotion Agency (Cipa), organismo de promoção comercial vinculado ao Ministério do Comércio da China.

Segundo ele, as empresas estatais e privadas chinesas estão presentes hoje em 88 países. “Estamos ajudando nos investimentos em infraestrutura com projetos de cooperação com os países“, disse. “A política de investir no exterior também é importante no desenvolvimento interno da China e também queremos que esses países venham investir na China”, disse.

Nesta sexta-feira, a delegação com representantes de mais de 50 empresas chinesas participou de um encontro na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), onde foram apresentadas áreas potenciais para possíveis investimentos chineses.

Na segunda-feira, os empresários participam de um novo encontro em Brasília, na sede da CNI, onde está prevista a assinatura de um memorando de entendimento bilateral para facilitar a troca de informações e o ambiente de negócios.

Fiesp pede equilíbrio na relação

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, disse que todo investimento estrangeiro é positivo, mas destacou que a relação entre Brasil e China precisa ser baseada no equilíbrio e na reciprocidade. Ele lembrou que hoje há um desequilíbrio na balança comercial entre os dois países, com a China exportando manufaturados e o Brasil vendendo praticamente apenas commodities.

“Temos que dar uma enquadrada na situação. Sejam bem-vindos os chineses, mas queremos equilíbrio”, disse. “Queremos vender manufaturas, agregar valor e gerar emprego no Brasil, e investir na China com mais liberdade”.

Skaf também minimizou a dimensão dos investimentos chineses diretos no Brasil. Segundo ele, os investimentos ainda estão amadurecendo. “Efetivamente, até o ano passado, o que teve foram alguns poucos milhões de dólares”, disse.

Segundo Andrade, os empresários brasileiros têm deixado claro que querem parcerias em projetos de manufaturas e de alto valor agregado. “Temos deixado claro que não queremos investimentos apenas naquilo que já somos muito competentes e competitivos como é o caso dos minérios e da agroindústria, queremos que ele venham com recursos para investir na nossa infraestrutura e na indústria de base tecnológica”, disse.

“Queremos que eles venham para fazer parcerias, que sejam sócios de empresários brasileiros que querem também participar desse mercado”, acrescentou.

Com informações do portal G1.

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