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Psicóloga explica por que cães e gatos se tornam alvo de dores humanas mal resolvidas

Segundo a especialista, maus-tratos a animais está envolto a dificuldades emocionais e baixa tolerância à frustração

15 fevereiro 2026 - 11h13Luiz Vinicius

Abandonar, deixar sem água ou comida, ao relento, sem uma casinha ou um cobertor; tratar com socos, e não com gestos amigáveis; deixá-lo adoecer sem procurar ajuda ou um veterinário. Estes são alguns dos comportamentos mais visíveis do ser humano quando entramos no assunto maus-tratos a animais — e que, em determinados momentos, causam a morte de cães ou gatos, considerados as principais vítimas. Episódios em Campo Grande não faltam, mas a maior referência do momento é o caso do cão comunitário “Orelha”.

Recentemente, um caso despertou a atenção na capital sul-mato-grossense, quando um major da Polícia Militar resgatou um cão em situação de abandono, sem água e comida. Dias após o resgate, porém, o episódio acabou se judicializando devido às ações tomadas por quem se intitula “tutor”.

Mas o que explica essa atitude contra um ser, às vezes pequeno, indefeso e que só queria um colo ou até mesmo um carinho para abanar o rabo em forma de gratidão? Estresse? Frustração? Raiva? A psicologia consegue encontrar respostas capazes de decifrar o que está por trás da severidade do ser humano contra um ser vulnerável?

A psicóloga Emmanuele Pereira da Silva explica que a crueldade contra animais não nasce do acaso e tampouco pode ser reduzida a um único perfil psicológico. Segundo ela, o comportamento está, na maioria das vezes, ligado a dificuldades emocionais profundas. “É interessante perceber que o maltrato já pode surgir de algumas dificuldades emocionais e cognitivas, ou seja, pessoas que não conseguem regular suas emoções e que têm uma baixa tolerância à frustração, que podem descarregar assim a sua agressividade em quem é mais vulnerável.”

Além do aspecto emocional, há também um fator social determinante. A especialista aponta que quem cresce em ambientes violentos tende a internalizar que a agressão é uma forma legítima de resolver conflitos. “E, em alguns casos, percebe-se que o animal é visto como um objeto. Nesses casos de maltrato aos animais, então ele não é considerado ali um ser senciente. E essa desumanização facilita a crueldade, porque ela pode reduzir a percepção de sofrimento.”

Emmanuele reforça que não existe um único perfil responsável por esse tipo de conduta. A psicóloga destaca ainda que há situações em que a crueldade contra animais pode estar associada a transtornos de personalidade, como o antissocial e o psicopático. No entanto, ela alerta: nem toda pessoa que maltrata animais possui um transtorno.

“Essa crueldade pode ser um indicador precoce de risco para comportamentos mais violentos e amplos, funcionando como um sinal de alerta para nós, profissionais da saúde mental e também para a justiça.”

Outro ponto levantado por Emmanuele é o uso do animal como uma espécie de “válvula de escape” emocional. “Só que essa válvula de escape é utilizada para emoções mal reguladas, como raiva, frustração e baixa ou nenhuma tolerância à frustração, em que isso decorre de ser um comportamento agressivo a algo vulnerável e que não pode se defender.”

Sobre a possibilidade de tratamento, a psicóloga ressalta que o tema é delicado. “Alguns comportamentos não conseguem fazer a remissão de um comportamento violento para que eles tenham empatia, porque já traz ali um transtorno de personalidade.”

Emmanuele também chama atenção para o impacto desse tipo de violência sobre crianças. “As crianças que crescem em ambientes de violência contra animais podem naturalizar esse comportamento e reproduzi-lo, como uma forma de repetição. Isso ocorre porque o aprendizado infantil é baseado por modelos comportamentais”, relata.

Esse ciclo, segundo a psicóloga, compromete o desenvolvimento da empatia e da sensibilidade moral. “Esse ambiente pode comprometer o desenvolvimento da empatia e da sensibilidade moral, que aumentam o risco de perpetuação da violência. Oferecer modelos de cuidado, respeito e afeto com os animais é uma forma de prevenção futura”, pontua.

A psicóloga conclui destacando que a questão vai além da proteção animal, envolvendo valores humanos e sociais. Segundo ela, a psicologia não aborda somente o fenômeno, mas busca oferecer caminhos de tratamento e prevenção. “A psicologia está para ajudar neste momento”.

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