O artesanato indígena em Mato Grosso do Sul vem ganhando força como fonte de renda e também como ferramenta de preservação cultural. A produção, feita por diferentes etnias do estado, é comercializada em feiras, na Casa do Artesão e em ações promovidas pela Fundação de Cultura.
No estado, nove etnias indígenas estão catalogadas e produzem peças em cerâmica, fibras e sementes. Entre as que mais se destacam na comercialização estão Terena, Kadiwéu e Kinikinau, com forte presença na produção de cerâmica.
Segundo a diretora de Artesanato, Moda e Design da Fundação de Cultura, Katienka Klain, a cerâmica Terena segue como referência no mercado, enquanto outras etnias, como Guató e Ofaié, começam a ampliar gradualmente sua participação nas vendas.
“Hoje está tendo uma maior venda da material do Guató, do Ofaié, mas ainda de forma muito devagar, mas as maiores vendas são a terena, que é referência cultural, que é patrimônio cultural, e elas vendem muito por associações, também, às vezes, não indígenas, porque tem essa dificuldade de acesso financeiro de participar em alguns eventos”.
O artesanato indígena também tem presença histórica na Casa do Artesão há mais de 30 anos, com destaque para peças das etnias Kadiwéu, Terena e Kinikinau. Para a coordenação do espaço, o trabalho representa identidade cultural e patrimônio do estado.
“O artesanato indígena é o primordial, é o que começou, onde tudo começou. Então, assim, está e grande parte quando a gente realiza a Carteira Nacional do Artesanato nas aldeias indígenas. Eles deixam claro que eles vivem do artesanato, então é fundamental o apoio da Fundação de Cultura através de comercialização nos Festivais de Inverno de Bonito, América do Sul, que são espaços próprios para eles. As vagas também nos editais, que também são vagas específicas para a população indígena, para que eles possam escoar essas peças e ter representatividade e também começar a entender o que é o mercado do artesanato”, complementa.
Entre os artesãos, a atividade é vista como principal fonte de renda e forma de manter viva a tradição. A ceramista Terena Rosenir Batista, por exemplo, trabalha com o ofício desde a infância e hoje repassa o conhecimento às novas gerações, reforçando o compromisso de preservar a técnica ancestral dentro da própria família.
“O saber ancestral da arte em cerâmica Terena aprendi com minha avó, e das primeiras peças produzidas (Bichinhos do Pantanal, vasos) meu trabalho evoluiu para diversos tipos de peças utilitárias e decorativas, que se transformaram na minha principal fonte de renda. Este conhecimento ancestral que recebi de minha avó já repassei para minhas filhas e netas, e eles já trabalham comigo, e temos o compromisso de manter está técnica viva de geração em geração”conclui.
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