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Cultura

Presídio da capital promove reinserção social através da música e da educação

22 abril 2014 - 10h26Via Notícias MS
Ao dedilhar as cordas de um violão, Fabiana Souza Flores, 27 anos, encontra nas notas musicais um estímulo para superar as barreiras e preconceitos enfrentados por quem um dia optou pelo crime como meio de vida e que hoje arca com as consequências dessa escolha. Ela e outras reeducandas do Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi”, na capital, estão participando de um projeto de extensão escolar que proporciona aulas de música como meio de reforçar o aprendizado escolar e contribuir para o processo de reinserção social.

A iniciativa acontece há cerca de nove meses no presídio feminino de regime fechado de Campo Grande e faz parte de uma parceria entre a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) e a Secretaria Estadual de Educação (SED), por meio da Escola Estadual Polo Professora Regina Anffe Nunes Betine, responsável pelo ensino em presídios de Mato Grosso do Sul.

De acordo com o responsável pelo projeto no presídio, professor Rubens Mudo, para participar é necessário que as internas estejam estudando no ensino regular. “A intenção é que a música estimule nelas a autoestima, o raciocínio matemático, leitura e a concentração”, destaca.

Para a diretora da unidade prisional, Mari Jane Boleti Carrilho, as aulas servem como uma terapia e contribuem para a disciplina das custodiadas. “A música acalma, e as aulas de violão ocorrem de forma lúdica, mas sem perder o foco no aspecto técnico”, enfatiza, ressaltando que, de certa forma, as detentas acabam aprendendo uma profissão.

Vinda de uma família de músicos, Fabiana afirma que se “reencontrou” nas aulas de música e garante que participar do curso reforça a decisão de se afastar de vez do vicio em entorpecentes, causa, segundo ela, de ter entrado para a criminalidade. “A droga estragou a minha vida; agora busco uma nova oportunidade nos estudos [ela cursa o 1° ano do ensino médio] e percebo que as aulas de violão estão me ajudando a recuperar minha percepção, coisa que a droga tinha me tirado”, comenta. Para o futuro, além de “conquistar um trabalho digno”, a detenta sonha em tocar e cantar com os seus filhos. “Me imagino ensinando o meu menino a tocar violão para a minha filha cantar”, diz emocionada.

Presa por tráfico de entorpecentes, Neidemar de Oliveira Prado, 32 anos, que cursa 4ª fase do Ensino Fundamental, concorda que as aulas de violão ajudam no desempenho escolar. “A gente consegue prestar mais atenção nas aulas”, assegura. Outro fator importante, conforme a reclusa, é que também ajuda a amenizar a saudade dos familiares, que estão em Sinope (MT). “Tenho sete filhos e um neto e sinto muita falta deles. Agora tudo que eu quero é recuperar minha família”, garante.

Já a custodiada Lucélia de Oliveira, 34 anos, revela que os benefícios das aulas de música não se limitam apenas ao grupo: “a gente leva as letras das músicas que aprende aqui e acaba cantando com as outras no alojamento, isso acalma e ajuda no bom convívio”.

Atualmente dez reeducandas participam das aulas, se revezando com oito instrumentos musicais. “No início tínhamos cinco violões, depois conseguimos a doação de mais três”, salienta o coordenador da iniciativa.

Segundo o professor Rubens, o projeto está aberto a doções de instrumentos. “Se tivéssemos mais violões poderíamos ampliar essas aulas para até 15 participantes”, destaca.

Serviço
Quem tiver interesse em contribuir com o projeto de aulas de violão no Estabelecimento Penal Feminino “Irmã Irma Zorzi” pode entrar em contato com o Setor de Educação do presídio pelo telefone (67) 3901-1333.
Girafa

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