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Esportes

Por seis centésimos, Joanna pega a última vaga das semis dos 200 medley

30 julho 2012 - 10h45Satiro Sodré / Agif

O choro era de felicidade, por ter conseguido finalmente competir nos Jogos de Londres. Ao menos era o que ela dizia. Joanna Maranhão ainda tem a marca aparente da queda que sofreu em seu quarto na Vila, três horas antes da estreia na competição e que a tirou da disputa dos 400m medley, prova na qual apostava todas as suas fichas. Ainda estava emocionalmente ferida pela fatalidade. Nesta segunda-feira, cinco minutos depois de ter nadado os 200m medley, não prestava atenção em muita coisa. Tinha a certeza de que sua participação havia terminado ali. Só descobriu que tinha avançado às semifinais - a partir das 16h55m (de Brasília) -, com o 16º tempo, na área de entrevistas. Começou com um "infelizmente eu não tive a oportunidade..." até que percebeu, pela reação dos jornalistas, que havia algo errado. Quando olhou para o sumário das eliminatórias, que aparecia na TV à sua frente, teve a confirmação.

- Eu entrei?! - perguntava sem esconder a surpresa.

O rosto se iluminou imediatamente. Joanna não sabia se chorava ou se ria. Lembrou dos meses de sacrifício que passou para chegar até as Olimpíadas pela terceira vez.

- As coisas são engraçadas, né? (risos) Na minha cabeça eu ia começar nos 400m medley e ganhar confiança para as duas outras provas que não são a minha especialidade. Eu só precisava nadar. Olhei para o lado e vi uma chinesa (Jiaxing Li), que não era aquela do recorde mundial dos 400m (Shiwen Ye), mas tentei imaginar que era. Competir era tudo o que eu queria. Planejei começar bem nos 400m indo para a final ou não. Durante os últimos meses tomei cuidado com o que comia, não pegava estrada porque o carro poderia bater, não jogava basquete com o Lu (o judoca e namorado Luciano Correa) para não me machucar. E aí, três horas antes de estrear nos Jogos eu acordo e me vejo no chão, com o rosto sangrando. Eu só pensava assim: "Deus, hoje não".

Eufórica e aliviada, só queria sair dali para dar um abraço na técnica Rosane Carneiro. As duas começaram um trabalho há um ano. Rosane, que resolveu se afastar da borda da piscina depois do fim da parceria com Kaio Márcio Almeida, topou o desafio. O objetivo era voltar a uma final olímpica nos 400m medley. Exatamente como fez em Atenas-2004, quando tinha 17 anos e conquistou o quinto lugar. Melhor resultado da história da natação feminina do Brasil na história dos Jogos, dividido com Piedade Coutinho, que obteve a mesma colocação em Londres-1948.

Algumas pessoas perguntam se eu tenho falta de sorte. E eu respondo: "Eu tenho é muita sorte". Perdi e encontrei essa essência de novo. Há alguns anos, eu acordava cansada do treino e ficava pensando na desculpa que ir dar para não treinar. Hoje, eu acordo cansada e penso em como vou me superar. A última vez que ouvi esse narrador que eu gosto, que tem uma voz muito bonita, falar o meu nome no microfone numa competição foi numa semifinal de Mundial de 2005 e agora vou ouvir de novo. Parece pouca coisa, mas significa muito para mim. Depois de oito anos estou numa semifinal olímpica - sorriu Joanna, que nesta terça-feira disputará as eliminatórias das 200m borboleta.

Confira os tempos das 16 classificadas
1º - Shiwen Ye (China) - 2m08s90
2º - Kirsty Coventry (Zimbábue) - 2m10s51
3º - Caitlin Leverenz (EUA) - 2m10s63
4º - Katinka Hosszu (Hungria) - 2m10s68
5º - Alicia Coutts (Austrália) - 2m10s74
6º - Mireia Garcia Belmonte (Espanha) - 2m11s73
7º - Ariana Kukors (EUA) - 2m11s94
8º - Evelyn Verraszto (Hungria) - 2m12s17
9º - Stephanie Rice (Austrália) - 2m12s23
10º - Hannah Miley (Grã-Bretanha) - 2m12s27
11º - Theresa Michalak (Alemanha) - 2m12s75
12º - Amit Ivry (Israel) - 2m13s29
13º - Jiaxing Li (China) - 2m13s43
14º - Izumi Kato (Japão) - 2m13s85
15º - Beatriz Cortes Gomez (Espanha) - 2m13s93
16º - Joanna Maranhão (Brasil) - 2m14s26

Via G1

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