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Esportes

Tiro esportivo supera desconfiança e se torna fenômeno em MS

Com mais clubes, atletas e competições, a modalidade vive um dos seus melhores momentos no Estado

18 janeiro 2026 - 15h45Luiz Vinicius

Durante muito tempo, o tiro esportivo foi visto por muita gente apenas como algo distante ou até cercado de preconceitos. Em Mato Grosso do Sul, no entanto, essa realidade vem mudando. O esporte ganhou mais estrutura, mais clubes e mais atletas, tornando-se uma atividade cada vez mais presente em várias cidades do Estado.

Hoje, o tiro esportivo reúne pessoas de diferentes idades, gêneros e perfis. Há jovens, idosos, mulheres e até para-atletas competindo em igualdade dentro de suas categorias. O que antes parecia algo restrito a poucos, agora se transforma em um esporte acessível, organizado e em constante crescimento.

Esse avanço é resultado de vários fatores, como mais investimento em formação, ampliação das modalidades e uma maior presença da Federação de Tiro Esportivo de Mato Grosso do Sul, a TiroMS, nos municípios. A entidade organiza competições, cuida da arbitragem e trabalha para levar o esporte a cada vez mais regiões.

À frente desse processo está Wagner Higa, atual presidente da TiroMS. Ele começou no tiro esportivo em 2011, como atleta da modalidade conhecida como tiro prático. Desde então, construiu uma carreira marcada por títulos estaduais e três vice-campeonatos brasileiros por equipes.

Mas, segundo ele, sua ligação com o esporte sempre foi além das competições. “Mesmo como iniciante, estive envolvido em atividades do clube, na montagem de pistas, nas reuniões e em tudo aquilo que me era permitido contribuir. Muitas vezes, a vontade de ajudar veio antes até do próprio treinamento e das competições”, afirma.

Essa participação ativa o levou a ocupar o cargo de Diretor Técnico de IPSC no Clube de Tiro Campo Grande, o mais tradicional do Estado, depois vice-presidente da Federação por duas vezes e, em novembro de 2023, foi eleito presidente da TiroMS.

Quando assumiu o cargo, a Federação tinha 15 clubes federados e pouco mais de 500 atletas. O cenário ainda era de poucas estruturas e muitas dificuldades. “Para se ter uma ideia, a montagem de uma etapa com seis pistas começava com cerca de um mês de antecedência. Hoje, com os materiais e a estrutura disponíveis, conseguimos montar a mesma prova em dois ou três dias”, explica.

Em pouco mais de um ano, os números mudaram de forma significativa. Atualmente, a TiroMS conta com 48 clubes federados e mais de 1.500 atletas associados, tornando-se a federação de tiro esportivo que mais cresceu no Brasil.

A meta, segundo o presidente, é dobrar esses números até 2026. Para isso, a Federação adotou uma série de medidas para facilitar a entrada de novos praticantes. Entre elas estão a redução do valor da anuidade, a criação de mais modalidades, a diminuição do número de disparos em algumas provas — o que reduz custos — e a presença da Federação em mais de 36 municípios.

Outro ponto forte da atual gestão é o investimento em formação. A TiroMS realizou cinco cursos para formação de árbitros, capacitando cerca de 100 profissionais em todo o Estado. É a única federação do país que oferece esse tipo de curso de forma gratuita.

Além disso, atletas de Mato Grosso do Sul têm tido a chance de treinar e aprender com grandes nomes do tiro esportivo. Já passaram pelo Estado referências como o medalhista olímpico Felipe Wu, campeões mundiais e atletas de destaque no Brasil e no exterior.

Os resultados desse trabalho aparecem nas competições. A Federação hoje conta com campeões pan-americanos, equipes campeãs brasileiras e atletas com títulos importantes no cenário nacional e internacional.

Mesmo assim, muitos associam o esporte à violência, mas segundo Higa, o tiro esportivo é considerado o segundo esporte mais seguro do mundo, ficando atrás apenas da natação. Também é um dos que mais ajudam a aliviar o estresse, perdendo apenas para o boxe executivo.

“Como gestor, entendo que um dos nossos principais papéis é a divulgação e a desmistificação do esporte. Aproveitamos todas as oportunidades na imprensa e nas redes sociais para mostrar à sociedade como funcionam nossas provas e a realidade de um clube de tiro”, destacou ao JD1 Notícias.

Para Wagner Higa, divulgar essas informações é parte fundamental do trabalho da Federação. “O estigma existente vem, em geral, de quem nunca pisou em um clube ou assistiu a uma competição”, afirma.

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