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Vampeta desiste de ser técnico e lança este mês livro de causos

12 dezembro 2012 - 10h42Reprodução

Em campo, Vampeta era daqueles jogadores que os técnicos adoram. Com suas passadas longas, era rápido para chegar ao ataque e voltava com velocidade para recompor a defesa. Tinha um senso de posicionamento apurado, estava sempre no setor do campo em que sua presença era mais importante. Acertava os times por onde passava.

São qualidades que fariam dele um técnico em potencial. Mas quem conhece o ex-volante fora das quatro linhas sabe o quanto isso estava longe de ser verdade. Irreverente, provocador, pouco afeito aos rigores impostos aos jogadores profissionais, o Velho Vamp é o maior exemplo da malandragem em campo.

Hoje cartola do Grêmio Osasco, ele divide sua vida em três eixos. O primeiro é o clube, no qual migrou do banco de reservas para a cadeira de vice-presidente ao admitir que não daria certo como técnico: “Controlar a cabeça de 30 marmanjos é muito difícil. Eu não controlo nem a minha direito”, admite. O segundo é o bar do qual é sócio, mas onde aparece mais para festejar do que para, propriamente, trabalhar. E os projetos que aparecem graças ao seu carisma.

Um deles envolve o Mundial de Clubes da Fifa, no Japão. Contratado por uma agência de viagens, ele é o garoto propaganda de um pacote para torcedores acompanharem os jogos do clube, o “Vampeta mais 1000”. Com direito a reclamação bem humorada com a viagem: “Esse tal de Japão é longe. Você entra no avião, toma um vinhozinho, Janta e baba. Quando acorda, ainda vão faltar mais 12 horas, Você toma mais um remedinho, dorme mais umas seis horas. Quando acorda, ainda faltam seis horas. Não é a toa que, em 2002, eu estava bêbado quando cheguei do mundial”.

Outro projeto envolve uma das facetas que tornou o ex-jogador conhecido: sua qualidade como contator de causos. Em parceria com o jornalista Celso Unzelte, ele lança, ainda em dezembro, o livro “Vampeta – Memórias do Velho Vamp”. “Não é uma biografia. Aquele negócio de sair de Nazaré das Farinhas, passar fome, é tudo muito chato. É um livro dos causos. São umas 250 histórias que me contaram nos vestiários”, revela.

Entre elas, não faltam contos sobre o Corinthians dos anos 2000, o mesmo que pode ser igualado pela geração de Tite, Paulinho e Emerson Scheik. Algumas delas falam da dificuldade de relacionamento entre Marcelinho, Edilson e Rincón, os líderes daquela equipe. “O Marcelinho e o Rincón não se bicavam. Um dia, o Marcelinho virou pra mim e disse: 'Vamp, você não gosta do Amaral?' Eu disse que gostava, aí o Marcelo disse que era para tirar o Rincón. Mas como vamos tirar o Rincón, que é o capitão do time? Ele foi falar com o Edilson, que também não concordou. Mas vocês conhecem o Marcelinho. Ele foi falar com imprensa. No dia seguinte, o Rincón convoca uma reunião no quarto dele, pega o Marcelinho pelo colarinho, mostra o jornal e pergunta com aquele sotaque: 'Marceeelo, o que é isto, Marceeelo?' Tivemos que separar”.

Em outra ocasião, Rincón e Edilson estavam discutindo quando o volante colombiano foi para cima do atacante baiano. “Quando o Rincón chegou perto, o Edilson disse: 'Você quer bater? Porque não bate no Vampeta, que é do seu tamanho?' Eu tirei o corpo fora. Imagina, encarar um negão daquele tamanho?”

Histórias como essas só comprovam que, se existe um jogador de futebol que não se enquadra nos pré-requisitos básicos para se tornar um treinador, esse cara é Vampeta. Mas isso não quer dizer que ele não tentou. Quando que parou de jogar bola, em 2010, ele se arriscou como treinador. Em um convênio do Corinthians, comandou o Nacional, da Barra Funda. No ano seguinte, assumiu o Grêmio Osasco. Em nenhum deles deu certo.

“Para ser técnico, você tem que viver tudo de novo. Ser xingado, elogiado. Percebi que não era a minha. É melhor ser dirigente”, fala o ex-jogador. Ele encontrou acolhida no próprio Grêmio Osasco. É vice-presidente do clube e responsável pelos rumos do futebol.

Foi ele, por exemplo, o responsável pela chegada do atacante Dodô. “Somos um clube jovem, com só cinco anos de vida. E já temos muita coisa para mostrar. Em 2013, vamos jogar a Série A2 de São Paulo, contra Portuguesa, Santo André, Juventus”, comemora.

A experiência comandando as duas equipes, somadas ao que ele fez em campo pelo time, fazem com que Vampeta fale com propriedade sobre o Corinthians atual. “O Tite está melhorando muito. Antes, quando ele dava entrevista, eu mudava de canal. Era a mesma ladainha chata. Hoje, ele já fala de chimarrão, de dar uns pegas na mulher depois do jogo. Aprendeu”, elogia Vamp, usando seu jeito peculiar de pensar. “Mas eu queria ver ele treinando Rincón, Edílson e Marcelinho. Naquele time, eu era o bonzinho”, diverte-se.

Mesmo com a dificuldade de lider com os astros, o volante é rápido ao afirmar que o Corinthians de 2000, que venceu o Vasco na final do Mundial, era melhor do que o atual. “É claro que não ganhamos a Libertadores. E esse time atual ganhou. Mas nós ganhamos Campeonato Paulista, Rio-São Paulo, Copa do Brasil, Mundial. Se a gente tivesse ganhado a Libertadores também, o que iria sobrar para o pessoal que vem depois? Tínhamos que dar espaço para quem viesse depois fazer um pouco de história”.

Para finalizar, uma pergunta que irrita corintianos, mas que Vampeta tira de letra: aquele Mundial valeu ou foi um torneio de verão? “Falam muito desse Mundial, que era torneio de verão. Mas o título ninguém apaga. E o dinheiro eu já gastei.”

Via Uol

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