A ministra da Justiça do Peru, Marisol Pérez Tello, anunciou ontem (20) a demissão da procuradora responsável pelo caso da Operação Lava Jato no país, Katherine Ampuero, por ter apresentado um recurso que evitará que a construtora Odebrecht pague uma reparação civil ao Estado pelas propinas pagas em solo peruano. A informação é da Agência EFE.
Em uma entrevista à RPP Notícias, Marisol afirmou que perdeu a confiança em Katherine e que o governo peruano decidiu despedi-la do cargo.
A procuradora propôs – e a Justiça peruana aceitou – que a Odebrecht seja proibida de transferir as ações de duas empresas envolvidas no projeto de irrigação Olmos.
Em um comunicado, a Odebrecht informou, no início deste mês, que a medida prejudica diretamente os credores da empresa e ao próprio Estado peruano, pois sem a venda do ativo não será possível gerar os fluxos necessários para recuperar a cadeia de pagamento e proceder ao pagamento da reparação civil ao Estado.
Marisol Pérez Tello salientou que o governo pretende que a "Odebrecht deixe o país", mas antes "deve pagar pelos danos civis correspondentes".
A ministra disse que a presidente do Conselho de Defesa Jurídica do Estado, Julia Príncipe, tinha renunciado em solidariedade a Katherine Ampuero. Porém, minutos depois, Julia declarou ao mesmo programa de TV que não tinha renunciado, e sim foi demitida do cargo. "Está me tirando do cargo por não ter aceito destituir a procuradora Katherine Ampuero pela proibição no caso Olmos", explicou Julia Príncipe.
A Odebrecht é investigada no Peru pelo pagamento de US$ 29 milhões em propinas entre 2005 e 2014 para realizar obras públicas.
O escândalo de corrupção culminou com a prisão preventiva para o ex-presidente Ollanta Humala e sua esposa Nadine Herédia. Há um mandado similar para ser executado contra o ex-presidente Alejandro Toledo e sua esposa Elianne Karp.
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