“Estamos na luta”, é assim que Marisilva Moreira da Silva, mãe de Werner, de 17 anos, descreve os sete meses desde a morte do filho após uma agressão com uma mangueira de ar em um lava-jato de Campo Grande.
O dia é marcado pela ausência de Wesner. “Não é fácil... É muito triste saber que o filho sai para trabalhar e não volta mais”, desabafa sobre a dor de perder o filho.
Depois da primeira audiência do caso no dia 5 de setembro, quando familiares e os profissionais que prestaram os primeiros socorros ao adolescente foram ouvidos, a mãe de Wesner reforça que espera por justiça.
A primeira audiência também foi marcada por dor para Marisilva. “Ter que ouvir dos advogados que meu filho concedeu, é muito difícil isso, é a mesma coisa que enterrar meu filho de novo”, descreve emocionada.
Agora a família aguarda a segunda audiência do caso, marcada para o dia 2 de outubro, quando serão ouvidas as testemunhas de defesa e o interrogatório dos acusados. “Estamos juntando todas as nossas forças para a próxima audiência, vamos correr atrás de justiça”.
“Eu acredito que a justiça vai ser feita e minha esperança é que eles fiquem presos e paguem pelo que fizeram com meu filho”, afirma Marisilva.
Laudo médico
O parecer médico solicitado pela Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (Dpca) que investigou a morte de Wesner comprovou que a mangueira de compressão foi introduzida na região anal do adolescente e desmentiu a versão que a agressão teria sido feita por cima da roupa.
O laudo médico foi confirmado por pessoas que tiveram contato com Wesner. “Embora a vítima, na única oportunidade que tivemos de conversar, tivesse negado que houve a introdução, se manifestou para outras pessoas do convívio dele que realmente a ação teria sido diferente daquela relatada”.
O caso chocou a Capital
Wesner foi internado as pressas no dia 3 de fevereiro após o patrão e um colega de trabalho fazerem uma “brincadeira” com uma mangueira de compressor de ar, que atingiu o ânus e acabou entrando ar no corpo do adolescente. Após ser levado para a Santa Casa da Capital, ele teve que ser submetido a uma cirurgia para retirada de 20 centímetros do intestino.
O caso chocou a Capital, já que os suspeitos Thiago Giovani Demarco Sena e Willian Larrea trabalhavam com o jovem no lava-jato. A situação que foi tratada por eles como uma brincadeira, virou caso de polícia.
O adolescente ficou onze dias internado na Santa Casa de Campo Grande, mas morreu na tarde do dia 14 de fevereiro. De acordo com a assessoria do hospital, a causa da morte foi choque hipovolêmico, que é a perda de grandes quantidades de sangue e líquidos, seguido de uma parada cardiorrespiratória.
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