O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira (18) a chegada em breve de 300 toneladas de ajuda humanitária provenientes da Rússia e pagas por seu governo, reiterando seu repúdio à doação de alimentos e medicamentos que a oposição tenta fazer entrar no país.
"Na quarta-feira chegam 300 toneladas de ajuda e assistência humanitária da Rússia", disse Maduro durante um ato do governo transmitido pela TV, detalhado que se tratam de "medicamentos de alto custo".
O presidente, que voltou a qualificar como um "show" e "trapaça pega bobos" a ajuda humanitária doada pelos Estados Unidos e outros países a pedido do chefe do Congresso de maioria opositora, Juan Guaidó, que se autoproclamou presidente interino do país.
Maduro destacou que a carga russa vai entrar "legalmente" na Venezuela e foi paga por seu governo.
"Isso sim, a pagamos com dignidade, da Rússia, da China, da Turquia, do mundo inteiro, com a ONU. Temos assistência técnica de todos os organismos da ONU", afirmou.
Maduro antecipou ter aceito a oferta de ajuda "através da ONU" de outros países para o envio de fármacos ou matéria-prima para a produção de medicamentos, que será anunciada nos "próximos dias".
A Venezuela está mergulhada na maior crise política e econômica da história, com grave escassez de medicamentos e uma hiperinflação que encarece enormemente os alimentos. Segundo a ONU, desde 2015, fugiram do país 2,3 milhões de venezuelanos.
Reconhecido como presidente interino por 50 países, Guaidó prepara mobilizações em todo o país para o próximo sábado para acompanhar voluntários que irão à fronteira em caravanas de ônibus para buscar toneladas de remédios e alimentos na fronteira de Brasil, Colômbia e em Curaçao.
Na fronteira com a Colômbia, alguns caminhões com ajuda humanitária vinda dos EUA ficaram estacionados na ponte Tienditas, que foi bloqueada por tropas do governo de Maduro.
Maduro acusa os Estados Unidos de tentar forçar uma intervenção militar no país, com a ajuda da Colômbia. Ele convocou militares a se organizarem contra uma invasão militar.
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O presidente venezuelano, Nicolás Maduro (Venezuelan Presidency / AFP)



