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Polícia

MS registra 64 feminicídios nos últimos 25 meses

Segundo psicóloga, ato não pode ser associado a uma doença

22 janeiro 2020 - 16h35Marya Eduarda Lobo

Com o alto número de feminicídios que ocorrem todos os anos, especialistas apontam que tal ato violento, não pode ser associado a uma doença, uma vez que não está catalogado no Código Internacional de Doenças. Nos últimos 2 anos, de acordo com os dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), a violência contra a mulher atingiu 63 casos no Mato Grosso do Sul, somente em Campo Grande foram 12 casos.

O último caso ocorrido em Campo Grande foi com a florista Regiane Fernandes de Farias, 39 anos, neste sábado (18). Ela foi alvejada pelo seu ex-namorado, Suetonio Pereira Ferreira, 57 anos, que não aceitava o fim do relacionamento. A tragédia teria começado pela manhã, quando Suetonio, ficou esperando a mulher chegar ao trabalho. Ele disparou diversos tiros contra ela.

De acordo com a Sejusp, em 2018, houve 7 mortes por feminicídio na Capital, já em 2019 houve um total de 5. No Estado, em 2018 ocorreram 32 crimes, e em 2019 foram 31. Dados da Central de Atendimento à Mulher apontam que entre janeiro e outubro do ano passado, foram registradas 3.664 denúncias de feminicídio e tentativa de feminicídio em todo o país.

O Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJMS), com 96 denúncias, apenas no estado, é possível detectar que 26% das vítimas registraram pedido de medidas protetivas, mas nem todas as medidas estavam em vigor na época do crime.

A psicóloga Claúdia Szukala, em entrevista concedida ao JD1 Notícias, afirma que não se pode relacionar exclusivamente a violência contra a mulher a um trauma de infância, pois há outros vários fatores, como por exemplo, o alcoolismo. ‘’São muitos motivos que fazem o homem chegar ao feminicídio. A gente percebe que antes deles matarem, a violência começa sutil, dele tirando a liberdade da mulher, de poder vestir o que ela gosta, de usar a maquiagem que ela quer. Começa com pequenas depreciações’’, aponta.

Em relação à questão do homem que uma vez agressivo, será sempre assim, ela acredita que o ser humano é psicodinâmico, que nós podemos mudar e precisamos mudar. ‘’Para que isso aconteça nós precisamos de vários fatores, como políticas públicas que protejam as mulheres, que façam valer as leis, que reprimam esses homens de cometer essas violências. Nós precisamos de grupos de apoio para as mulheres, psicoterapia aonde ajuda a pessoa a reestruturar sua autoestima’’, conclui.  

Bruna Oliveira dos Santos, de 29 anos, sofreu todo tipo de violência vinda do seu ex-marido durante sete anos de casada, ela acredita que mais investimentos precisam ser feitos em campanhas sobre violência e machismo. ‘’Ultimamente, a violência é muito incitada, as pessoas ficam tentadas a praticá-la. As campanhas têm que falar mais sobre isso, pois quando se traz isso para dentro de casa ainda é um tabu, as pessoas não querem falar sobre isso, quando é entre casal’’, afirma.

O que é feminicídio:

O feminicídio é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência do fato de ela ser mulher, misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatores que também podem envolver violência sexual, ou em decorrência de violência doméstica. Muitas pessoas questionaram o objetivo de haver distinção entre o feminicídio e os homicídios comuns. O objetivo dessa diferenciação possui como foco o fato de que em nossa sociedade patriarcal, na qual as mulheres ainda são, muitas vezes, submetidas a relacionamentos abusivos, à violência doméstica e a tratamentos degradantes e desumanos, pelo fato de serem mulheres, a violência e os homicídios decorrentes dessas características são corriqueiros.

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